sábado, 18 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Na Distância...

Diante das infinitas tentativas em manter uma comunicação favorável e acima de qualquer suspeita, devo confessar que as contradições proporcionadas pela política do amor me angustiam profundamente, a ponto de me deixarem imobilizada e totalmente isolada, apenas sonhando com um capitalismo mais civilizado... 

Vivo em busca de uma saída
Se olho não encontro a medida...

Da distância sempre me afasto
Pois na entrega nunca me encaixo...

Cúmplice da despedida
Me perco em qualquer espaço
E sou dominada pelo cansaço ...

Dentro dos escombros do desespero
Queima a mentira nesse vasto compasso...

É o sopro da vida a um milímetro
Adiante do chão...

É o canto da natureza
Decifrando esse torrão...

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Triste Fado...

Âncora sem corrente
Desejara afundar
Onde o coração mente...

Folhas secas ao vento
Sussurrando segredos
Escondidos no pensamento...

Velas obscuras
Revelando o triste fado
De fingir a alegria que não sente...

Gosto felino
Farejando o chão molhado do desejo...

Gestos selvagens
Num punhado de areia
Construindo a ilha deserta da liberdade....

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Correntezas do Devir...

Vem-me com a mais fina imaginação a arte de seguir sonhando, mesmo que os ventos tempestuosos da razão me empurrem para outra direção... E sacudindo as fagulhas da memória, elevo-te a mais sincera gratidão...

Ora pois, nunca se questionava...

Submersa à sombra da razão
Quisera a estrada levasse
Ao mar da salvação....

Caminhava sentindo
O doce sabor da incerteza...

Lembrou e questionou:
Seria esse o enredo
Que eleva a correnteza do devir?...

Sombra sobre sombra
Quisera a luz apontasse 
Uma fronteira pra outra direção...

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domingo, 12 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O Prazer do Jogo...

Certamente, não importa como e nem quando chegarei ao destino almejado (lugar de chegada), o fundamental é que o Sol seja o guia, assim seguirei a tradição da peregrinação: apenas jamais esquecer o que a viagem me ensinou; mesmo que seja necessário atingir um objetivo, o melhor é evitar o planejamento da rota e assim me permitirei a ficar perdida, pois, tanto na amizade como na realidade, o ritual foge à regra da conveniência, o segredo consolidou a suavidade da sedução, e o prazer do jogo foram as primícias  no prelúdio da hipótese não formulada.... 

Pois quando a linguagem falada
foi reprimida
por uma ordem sem discurso 
a escrita ressurgiu para libertá-la...

Eis aí um segredo absoluto
não tão essencial
mas estranho àquilo
a que denominei: paixão...

Entretanto para chegar a um consenso 
atingirei a responsabilidade do dever 
para tanto, bastou experimentar
a meditação contendo a cortesia
da incalculável dívida: o agir... 

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Suor sem Razão...

Perante a externa realidade, urge a necessidade de fuga; é quando olho em volta de mim e só percebo as ameaças dos predadores; então, refugio-me no aconchego da alma para ganhar força interior, e, como um rio, me derramo na correnteza da criação, sinto a emoção sucumbir à razão...

Lábios e sussurros
na boca sedenta de amor...

Corpos que se unem
no desespero da excitação...

É no calor da paixão
onde ascende o coração
em carícias e afeto
que implodem o desejo
ao chegar de mansinho 
e tocar à pele
 que, num cansaço louco,
se joga expandindo 
em reparação... 

Suor e leveza
é o fim dessa explosão...

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017

Rosa dos Ventos...

Eu Moderno IV: A Sustentável Leveza de Ser.

Afinal, quem realmente se preocupa com seu próximo?... Tudo é frívolo, tudo é efêmero, e nada nos assegura a um futuro próspero e harmonioso no convívio social... Enfim, tendo como única companhia a solidão, o ser humano busca a segurança na insustentável agonia de ser sozinho... No entanto, acreditamos que haja outra via onde se faça prevalecer a civilidade e a coletividade... Sim, a esperança deve renascer e fazer sucumbir a difamação das virtudes, para fazer resurgir das cinzas: a compaixão, a generosidade, o cuidado com o próximo, bem como nos transformar na sustentável leveza de sermos solidários... 

Finalmente, Eugène Enriquez nos leva a acreditar sobre as possibilidades de se reconstruir novos convívios em sociedade, e cita o poeta alemão Hölderlin: "'Lá onde crescem os perigos, cresce também a salvação'... A humanidade inteira estaria ameaçada a reduzir-se a um imenso sistema de escravidão, mas temos um porém: todo indivíduo é um ser histórico, sujeito de direito, sujeito psíquico e sujeito moral, portanto, sujeito de suas ações... Existe um esforço nesse sentido, a emergência de um desejo de reencontrar a alegria em trabalhar e em viver junto, o desejo de amizade, de convívio que pode reconstruir o tecido social: é o amor mútuo (a libido associativa), que está no fundamento do vínculo social e que não se construirá a não ser que queiramos construí-lo, e se esse desejo for compartilhado por um grande numero de pessoas. O voluntarismo, naturalmente, não é suficiente, mas sem ele nada é possível. 

A revolução não pode ser feita em um dia, mas se faz todos os dias nas relações cotidianas que mantemos, aí está a entrada para um convívio verdadeiro, a edificação de uma democracia que mereça esse nome, na qual o amor e a alegria estejam e continuem a estar presentes... Resta, pois, trabalhar nesse projeto e fazer triunfar, tanto quanto possível, o prazer e o amor mútuo... A fraternidade é também alguma coisa de essencial... É a percepção real de que as sociedades não podem se fundar nem perdurar se não desenvolvem um mínimo de prazer, até o regozijo de estar junto"(daqui)...

Para concluir esses episódios que nos levaram a refletir sobre nossa condição humana passível de erros, mas também de acertos, quero novamente ratificar que em nenhum momento dessa escrita tive a intenção de generalizar o questionamento sobre o individualismo, mas sim de criar condições de visualizar esse tema como uma problemática impulsionadora da desordem do mundo moderno... Também não tive a intenção de apresentar propostas de resolução para a recessão econômica, para a corrupção na politica brasileira, pras guerrilhas das facções nos presídios do Brasil, pra miséria que assola as periferias, pra fome de alguns países sul-africano, pros idosos abandonados nos asilos, pras crianças sem o amor materno nos orfanatos, a homofobia, xenofobia,  intolerância étnica e religiosa,  autoritarismo do Governo norte-americano, pra Gaza como maior presidio de céu aberto, pra guerra na Síria, aos ataques terroristas, pras tragédias humanitárias, ou apresentar leis que amenizem os efeitos das mudanças climáticas...

Diante do acima exposto, só nos resta, então, não acreditar que "crise se resolve nas urnas"... Com isso quero chamar a atenção, tão somente, para a necessidade que temos de inovar, buscar soluções para nossos problemas com criatividade a cada novo amanhecer; ir buscando respostas para as crises sem necessariamente trazer mudanças nos processos logísticos ou tecnológicos, e sim em nossas atitudes... Assim seguiremos acreditando que o amor nos unirá e trará a Paz necessária a toda sociedade, onde o antigo sonho será reavivado fazendo da união a força para os povos sentirem-se irmãos planetários... Ademais, o que nos mobiliza é o que nos fortalece...

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sábado, 28 de janeiro de 2017

Eu Moderno III: O Sádico Individualista...

Eugène Enriquez nos convida a refletir: "De certa maneira, podemos afirmar, sem risco de sermos contraditados, que o mundo atual se tornou sádico... Os antigos valores de mérito, trabalho, honra, prestígio e a herança histórica, usada pelo capitalismo, inclusive a honestidade, a integridade, a responsabilidade, o cuidado no trabalho, o respeito aos outros, foram desvalorizados em prol de um único valor: o dinheiro... Tudo se compra e tudo se vende... O axioma é o de nossa sociedade, de onde deriva a possibilidade de corrupção generalizada, comportamento perverso por excelência... Um novo impulso foi dado a essa tendência pela predominância contemporânea das estratégias financeiras... E a guerra econômica se intensifica a cada dia"...

Estando as pessoas submetidas aos aspectos letais do Poder - que transforma os seres humanos em seres perversos apáticos e sem paixões, que veem os demais seres como coisas descartáveis -, mais uma vez eu me pergunto: não seria o culto ao individualismo uma causa para tantos conflitos e um mal a ser combatido?... Também aqui não quero dissertar sobre os sintomas do individualismo no ser humano (solidão ou corrupção) e nem nas sociedades (violência ou guerra), bem como as consequências a expansão da desordem generalizada... Afinal, esse é um tema muito debatido pelos estudiosos e meio cientifico, bem vale citar a discussão sobre a “modernidade liquida”, teoria esta construída pelo sociólogo Zygmunt Bauman, onde ele afirma que a ideia fortalecida, no mundo atual, é a ascensão do objetivo individual, levando ao declínio as Instituições sólidas e tradicionais, que asseguravam o equilíbrio das pessoas, e consequentemente, das sociedades... Se vendo com dificuldades de se mobilizar em sociedade, o ser humanos constrói outros caminhos, nunca favorável à coletividade... 

Ademais, rompendo com tais paradigmas estigmatizantes, como sustenta Zygmunt Bauman, o ser humano segue se chocando (ou se auto destruindo) com as multifacetas dos novos padrões, sempre mais reduzidos, e sem o convívio social, o que ocasiona a fluidez das regras que vão se moldando em curtíssimo espaço de tempo... Assim são criadas as ‘comunidades de carnaval’... Como via de regra dessas comunidades causar o alívio temporário das agonias das solitárias lutas cotidianas: a cansativa condição de pessoas persuadidas e forçadas a ferir a si mesmo... São comunidades da explosão criando eventos que rompem com a monotonia da solidão cotidiana, permitindo aos foliões suportarem a rotina quando a brincadeira terminar.... “Sempre mais individualizados e mais solitários, aquilo que nos remetia ao sólido e estável é-nos mostrado como atraso e carregado com um tom de nostalgia; no entanto somos seres essencialmente sociais, como precisamos estar em coletividade, criamos essas comunidades de carnaval, para que possamos suportar a solidão de uma sociedade fluida de eventos passageiros... 

Enfim, dentro de tais perspectivas moderna somos condicionados a ter uma vida muito mais acelerada, o tempo parece curto para tudo que queremos fazer e ter, entretanto estamos cada vez mais sozinhos em esferas individuais, porque na verdade nossas buscas por preenchimento é o que nos faz correr tanto em direção do idealizado e pouco concretizado... Foi o sistema econômico que lançou esta busca desenfreada, buscamos individualmente: justiça, segurança, educação e saúde... Por não acreditarmos mais na força do coletivo somos tentados pela rapidez das respostas do mundo moderno fechados em nosso próprio muro de proteção, mesmo estando sob os perigos dos fenômenos naturais e a acelerada consequência das mudanças climáticas...

Portanto são através desses aspectos que tropeçamos no sistema capitalista com a doença da individualização; porém seus antagonismos são o bastante para desconstruir os padrões da insustentabilidade, pois "não estamos seguros em nossos condomínios fechados, nossos filhos não estão tão protegidos como pensávamos dentro da escolas particulares, nem sempre estamos salvos nos planos de saúde privado, e quanto a justiça: o dinheiro não basta para garanti-la, nem as políticas ambientais nos dão esperança e garantia de sobrevivência... O grande dilema da sociedade mais contraditoriamente solitária está muito longe do fim... A futura geração ainda está sendo criada para continuar acelerada e sozinha, porque estamos diante de uma educação ou um sistema que prioriza o eu”...

Por fim, se não houver uma inversão de valores, estaremos todos condenados a sermos refugiados dentro do nosso próprio território ou prisioneiros de nossos lares...
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Eu Moderno II: Sintomas e Causas...

E por que escolher o individualismo como tema das causas da desordem atual?... Eugène Enriquez responde: "simplesmente porque o vínculo social, no momento atual, se desfaz cada vez mais rapidamente e porque vemos aumentar uma violência que não é a violência fundadora do direito, nem a violência necessária às relações humanas, mas uma violência por excesso, um mal radical elementar, que visa suprimir não somente o indivíduo, e sim o sentido, fazendo com que nada na vida tenha sentido"... 

Assim uma sombra paira sobre nosso destino:  o individualismo, eis outro aspecto caótico de nossa modernidade, tendo em vista que tal individualismo é o que impulsiona a produção em geral do ser humano pós moderno: tanto nas políticas de estado, economia, nas artes, nas ciências, na educação ou religião, aí estar o homem produzindo cada vez mais para satisfazer seu ego ou alimentar o lucro desenfreado... Não importa a qualidade de sua produção ou os riscos que causam ao próximo, ao meio ambiante: ao planeta, o que importa mesmo é correr em busca de novas condições de satisfação pessoal; mesmo que para isso o que foi um dia parte de suas tradições seja substituído por um Novo modelo de realização individual, e aquilo que satisfaz a afetividade em coletivo vai ficando sempre as margens do idealizado... 

Aqui não tenho nenhuma intenção de problematizar os instrumentos que levam as sociedades capitalistas a produzirem suas políticas ou economia, pois demandaria um profundo conhecimento desse sistema; mas sim, quero aqui, refletir sobre a maneira pela qual a política da modernidade estimula nosso comportamento em relação ao nosso próximo... Pois bem, fico horas a pensar como a educação escolar e tradicional ou até mesmo as religiões nos estimula a se preocupar com as pessoas do nosso meio social ou familiar; e como essas instituições nos estimula a se preocupar com a gente mesmo; mas é claro que o mais notório em todos os sentidos, até mesmo pelos manuais de auto ajuda, é a preocupação consigo mesmo, e o estimulo ao consumismo desenfreado que leva o ser humano, na maioria das vezes, a uma frustração em série... 

Com certeza se pararmos pra refletir sobre as razões pelas quais levam as sociedades modernas - que por uns aspectos são tão evoluídas em termos de ciência, tecnologia ou instrumentos bélicos -, a momentos de intensificação das eternas crises: política, econômica, educacional, de segurança ou nas Instituições em geral, veremos que existe uma grande lacuna no sistema que impulsiona ou organiza essas sociedades; uma delas é querer tratar os sintomas das crises em questão e não as causas, onde isso só vem alimentando o atraso econômico, Guerra e violências em todos setores da sociedade... Com isso as lutas pelo bem comum, que outrora alimentou os ideais de classe, será invadida cada vez mais pelo racismo e preconceitos; pelas guerras étnicas e religiosas; prevalecendo, então, as desigualdades, ainda com o autoritarismo do Estado de Direito esmagando o processo de civilidade...  


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Eu Moderno: Um Culto ao Individualismo...

Estava eu cá a pensar sobres os motivos que nos leva a vislumbrar tantos conflitos em algumas sociedades modernas, mais uma vez foi inevitável recorrer ao pensamento dos estudiosos para refletir sobre o momento atual... Mesmo sabedora que cada sociedade tem sua história e sua própria dinâmica política, quando observamos os acontecimentos da atualidade podemos perceber uma semelhança global... E as preocupações não ocorrem somente no ambiente o qual sobrevivo; parece-me ser uma necessidade globalizada: o desejo por convívio receptível; a necessidade por qualidade de vida, sobretudo, por um vínculo social onde exista pessoas com disponibilidade afetiva...

Por se tratar de um tema complexo, que há décadas vem sendo discutido e pouco compreendido, o individualismo é uma questão que exige uma certa delonga, por isso dividirei meu desabafo em 4 episódios, ao longo dos dias, onde a reflexão sobre vício individualista será a mola propulsora e vista como geradora de alguns conflitos da modernidade...

Aqui veremos que: "Desde a Revolução Francesa são promovidos debates em diversas áreas sobre o que é o tempo em que se vive, denominado de moderno, e como é o sujeito fruto de seu período histórico... Acreditou-se que esse homem, fruto de lutas históricas e sociais, seria um novo ser, livre, emancipado das amarras religiosas, econômicas, ideológicas, sociais, familiares, capaz de se autogerir, tornando-se o condutor de sua história...

E o que nos faz modernos?... O mercado, a economia, a educação, a liberdade?... Que liberdade é essa que não livrou o sujeito moderno de antigas amarras, anteriormente abominadas?... E que emancipação é essa que, em busca de um bem e de uma verdade, foi capaz de gerar grandes catástrofes históricas ao longo do século XX?...

Chegou-se ao final desse período com a pergunta anterior sem resposta... Não se eliminou a dominação do homem por outro homem, tampouco se eliminou o caráter predatório na sociedade capitalista... Também o comunismo, nesse sentido, não deu conta de promover a emancipação humana, pois suas tentativas falharam e apenas nos conduziram a Estados burocráticos e com imensos abismos sociais"(daqui ) ...

Bem, para eu não ser invadida pelo drástico e recorrer a uma visão fatalista, diante do momento catastrófico o qual vivemos - para mim - a busca por versatilidade é uma das marcas do homem na pós modernidade, porém o que nos fica de dever é ir corrigindo as falhas que vão contornando nossos itinerários durante as tentativas de encontrar o Novo... Pois para criar ou recriar um novo modelo de produzir ininterruptamente o ser humano na modernidade desenvolve um verdadeiro culto à produtividade, levando assim a produção um mero recurso a disposição de si... Chega ser enfadonho ter que repetir que o maior destaque da nossa era é o controle do qual o ser humano adquiriu sobre as máquinas ou tecnologia para se apropriar da Natureza e gerar lucros individualizantes...

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No Solo en China hay Futuro...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

As Dores do Mundo...

Enquanto um "grito íntimo" e via de suspensão das dores do viver, a música - para mim - também é "um escape, um suspiro, um alívio ao peso existencial"... Eis que esse texto do Obivous diz-me o suficiente sobre a música: 

"O registro do ato musical se coloca tão antigo como a arte rupestre... A sucessão de sons usados com forma de transmissão de uma mensagem seguem-se desde os animais, a nós humanos, dotados de intelecto... Durante a constante construção sócio-cultural, a música sempre esteve presente, atada e fixada ao homem... Quer seja vista como um fenômeno divino e demoníaco, de “cultura de elite” e de contracultura, da burguesia e da alta nobreza... Dos guetos aos grandes transatlânticos a música ganha à força de um grito íntimo que diz muito, daqueles que a produzem e a escutam...

Um solitário e pessimista filósofo do séc. XVIII, Arthur Schopenhauer, dedicou-se a pensar e refletir sobre música, colocando-a em um alto grau de importância... Para ele, ela ocupa o primeiro lugar entre todas as artes, sendo a primeira via de suspensão da dor da existência... Dentro dessa perspectiva de exaltação da música como um escape, um suspiro, um alívio ao peso existencial, que séculos depois da filosofia schopenhariana, não se pode mais ser refutado e colocado em um saco de pessimismo, no qual recusamos falar... As dores do mundo se mostram engendradas como um sintoma da pós-modernidade, e a mesma, com suas bases líquidas, não sustentam mais a uniformidade de um argumento otimista... O que temos então?... O filósofo responderia: A música"... 

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Me Olvide de Vivir...


O Mundo Necessita de Magia...

Se eu pudesse permanecer em condições de poesia, habitaria o deserto que existe dentro de você, pois para corrigir a estupidez do cotidiano conflituoso, temos a arte que nos ajuda a resgatar a leveza encoberta por esses conflitos, e ainda nos aproxima das sutilezas da vida... Assim ela contorce-me na tentativa de tecer uma linguagem que se aproxime da poesia, aí ela me faz vibrar e me protege dessa realidade:

Porque sem poesia não existe realização
ela me laça e me abraça
num laço louco
aquece meu corpo
fazendo demônios se soltar
responde quente no meu pescoço 
com um sussurro rouco
de alguém que vem
somente para desesperar
faz marcas profundas
e me joga no chão 
nesse desespero
de quem quer se libertar
ela me acalma
e me deixa te decifrar
assim o amor me atinge 
e me faz sonhar...

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