quinta-feira, 31 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

Paixão: Erotismo e Sedução III...

Talvez alguma coisa compense todas as tensões proporcionadas pelo trabalho ou pelas guerras (caos em geral)... Alguma coisa que não consegue ser ditas pelas denotações, mas que sutilmente consegue expressar-se através dos enigmas exalados pelo corpo e pela alma; é, pois, através do sagrado e do profano que o corpo e a mente, enigmaticamente, encontram a sensação agradável da diversão...

Enamorei-me... Foi daí então que a conexão entre o erotismo e a sedução se tornou íntima da paixão... Não há subversão no amor; o amor também disciplina, ele acalma e faz-se no silêncio... Diferentemente do amor, a paixão exige subversão, transgressão e intensos movimentos... Há frenéticas disposições e alegria na paixão; ela não procura o silêncio, mas gosta de segredos: "Em lugar de um segredo absoluto; aí estaria a paixão... Não há paixão sem segredo, este segredo, mas não há segredo sem paixão" (Derrida)... O Segredo é uma qualidade sedutora... Porém não podemos nos iludir diante do processo de seduzir... Ao contrário, ele é carregado de exigências e intensas desordens; a sedução não pode parar de pensar; ela é incansável ao desnudar emoções... Capaz de construir um credo, a sedução busca a sabedoria, para fornecer a tolerância da espera ou meios de lidar com a encenação sem ligação com o real... 

"O que se diz de imediato sobre a sedução é que é um jogo... Caçada silenciosa entre dois olhares: captura numa rede silenciosa de palavras... Jogo arriscado e fascinante - angústia e gozo - onde o vencedor não sabe o que fazer com seu trofeu e o perdedor só sabe que perdeu seu rumo: um jogo onde a única possibilidade de empate se chama amor"... Lembremos agora que a sedução é também descrita pelo sagrado como inclinação artificiosamente para o mal ou para o erro... Também os crédulos a vêem com o sentido de desencaminhar os indefesos, mas lembremos também que a função do sagrado é disciplinar a sexualidade, portanto evitemos os moralismos disciplinadores, que sufocam a sexualidade, e nos apercebamos da arte do encantamento exalado pela sedução... Há uma solução muito eficaz contra a encenação do processo de seduzir: o erotismo... É ele que leva a pessoa sedutora a cair ou se envolver plenamente no fascínio da sedução...

O ser erótico evita o segredo, se afasta do silêncio da sedução e se envolve plenamente na desordem para cair na armadilha que lhe foi preparada pela paixão: o erotismo exige movimentos e ultrapassa a encenação sedutora para fixar-se em envolventes ações... Aqui faz-se necessário relembrar que jamais e jamais devemos relacionar sedução e erotismo à pornografia; a pornografia é a ânsia dos perversos e desequilibrados, ela pertence à ignorância de quem desconhece a paixão e o amor; é um jogo sujo que dificilmente se joga à dois...

Só quem vivencia bem a sedução consegue expressar e absorver o erotismo... Lembremos: é quando nos deleitamos de paixão que um vento quente, mais desesperado se arrasta pelo corpo e nos desmancha de prazer; aí existe qualquer coisa de verdade... Convence-nos de que no céu as estrelas brilham para enamorar, e começa a nos apresentar a metamorfose dos sentimentos; há uma fusão de sentidos avermelhados e úmidos... São as preliminares da estratégia estética nos apresentando o lúdico de uma realidade encantada, que não exige nenhuma explicação, nenhuma verdade... 

Uma poeira se espalha em nossa volta, inunda nossa alma, e avisa-nos que as coisas precisam ficar fora do lugar... É preciso aceitar que uma turbulência revire nosso coração, descompense nossa alma: é o vendaval da paixão deixando tudo fora de lugar... Até que os sentimentos agonizantes se vão, a poeira assenta e a solidão nos convida para uma conversa franca... Fala-nos que o tempo de espera findou... Foram, enfim, a sedução e o erotismo a prévia estética de um jogo lúdico anunciando a consumação do saudável e prazeroso ato sexual... 

Por fim, as estações, que nos estremeceram, desfizeram nossas certezas, flexibilizaram nossa insensatez e tudo transformou-se em aceitação; novos sentimentos florescem e dão permissão para olharmos de frente as arrebentações da paixão... Aprendemos a apreciar o tempo de espera e a desafiar o vento... Na presença tanto da paixão quanto da sedução, a encenação do erotismo foi de concretizar o desejo: o prazer do gozo... Afinal, amantes apaixonados não se comportam e não dão espaço ao tédio... Querem fantasia, exigem outras íntimas companhias: a sedução, o erotismo... eles necessitam prolongar o tempo com teatro e poesia, exigem romances na intimidade das horas... É a arte de amar e de reinventar-se a cada novo dia...

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Bibliografia Basilar...
Bataille, Georges. O Erotismo. Ed. L&PM. Porto Alegre, 1987.
Baudrillard, Jean. Da Sedução. Papirus Editora. São Paulo, 1992.
Derrida, Jacques. Paixões. Papirus Editora. São Paulo, 1995.
Foucault, Michel. História da Sexualidade I: a vontade do saber Edições Graal.Rio de Janeiro 1999.
____________. História da Sexualidade II: o uso dos prazeres. Edições Graal. Rio de Janeiro, 1990.
____________. História da sexualidade III: o cuidado de si. Edições Graal. Rio de Janeiro, 2007.

Paz, Octavio. A Dupla Chama: Amor e Erotismo. Editora Siciliano. São Paulo, 1995.

domingo, 20 de agosto de 2017

Paixão: Erotismo e Sedução II...

Mas claro que não podemos ficar indiferente frente às opiniões de quem estudou com domínio total os temas da sedução e erotismo... Nos parágrafos que seguem veremos uma reflexão feita pelos estudiosos Jean Baudrillard, sociólogo e filósofo francês, Georges Bataille, escritor francês e Octavio Paz, poeta e ensaísta mexicano... Nada mais oportuno quanto necessário do que, nessa segunda parte sobre os temas propostos, recuperáramos parcialmente as análises feitas por esses escritores tanto sobre sedução quanto erotismo... 

Aqui nos limitaremos a compreender os temas apenas no campo afetivo; muito embora os estudiosos analisem também nas relações em sociedade... Os autores citados explicam as diferentes maneiras de interpretação que podem existir nas definições dos temas em questão, bem como a dimensão existente neles, a ponto de trazer significados positivos ou alguns negativos, porém sempre comandados por uma linguagem vista pelos autores como uma parceira da vida humana... Portanto, ao final, será indicado a bibliografia para uma leitura mais aprofundada sobre erotismo e sedução...

De acordo com Baudrillard: “A sedução retira alguma coisa da ordem do visível"... Para não confundir sedução com pornô, veremos que na pornografia há uma ausência de sedução, que dar lugar a uma representação exacerbada e instantânea: o fim do segredo... Pois o pornô estima a cultura da demonstração, que se opõe aos sutis mecanismos invisíveis da sedução... Logo a sedução é regida pela ordem do mistério: a ritualização dos comportamentos, a organização ritual do corpo, a qual passa também pela instituição de um jogo de aparências, enganos e simulações, que visam velar o próprio corpo... A sedução é um ritual que instaura e, por meio do qual, se diviniza, mostrando uma aparência mágica, uma brincadeira na qual as fronteiras são tênues, sem limites ou linhas de demarcações: “O que eu quero não é te amar, te querer, nem mesmo te agradar: é te seduzir – e não importa que me agrades, mas que sejas seduzido” (Baudrillard)...

Para Bataille, "O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no ponto em que ele põe a vida interior em questão... O erotismo é na consciência do homem aquilo que, nele, põe o ser em questão se, por um lado, a atividade sexual de reprodução é comum aos animais sexualizados e aos homens, por outro lado, só os homens fizeram de sua atividade sexual uma atividade erótica... Ou seja, no erotismo participam dois elementos concomitantes: interdição e transgressão... Bataille expressa assim: “o erotismo é, de forma geral, infração à regra dos interditos: é uma atividade humana.... Para enfrentar a morte e mobilizado pela angústia que a consciência desta suscita, o homem cria o artifício da arte... Neste mundo trágico, o homem também cria a necessidade do êxtase... Então, o êxtase, o erótico, o excesso são afirmações da vida, a partir dessa consciência... O êxtase pertence à mesma categoria das atividades de livre gasto de energia, tal como o erotismo: o sentido último do erotismo também não deixa de ser a fusão, a supressão dos limites"...

Segundo Paz, “O erotismo é a sexualidade transfigurada pela imaginação humana... Em todo encontro erótico há um personagem invisível e sempre ativo: a imaginação, o desejo"... Não, o erotismo também não pode ser reduzido à pornografia – para a pornografia o sexo é um objeto comercial a ser consumido como mercadoria – o erotismo pode ser um território do amor; existe nele um potencial criativo e transformador, nele existe um dispositivo que colabora para o corpo ser um construtor do sujeito, pois o erotismo não aventa a melancolia e nem permite à apatia dos depressivos, que dá vazão ao vazio da falta de afeto, onde não há contato num espaço permeado pelo tédio em decorrência da ausência de Eros... E se Eros (pulsão da vida) não se difunde, Thânatos (a pulsão de morte) ocupa o espaço e se manifesta em atos violentos... Concluirei no texto: Paixão: Erotismo e Sedução III...

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Imagem Goolge

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Paixão: Erotismo e Sedução...

Como se compusesse uma aquarela, naquela distante constelação, brilha uma solitária estrela... essa estrela não é minha e nem é dele... Entre tantos encantos, fez-se emoção na ausência da razão, parece, enfim, que a renovação do coração está plenamente livre dos rancores, só procura novos amores... E, como um invasor, não organiza nenhum limite definido das fronteiras a serem exploradas... Através de longas curvas vão surgindo outras direções... onde a lua -, por entre cansados corpos, que embriagados de ternura e afeto, vão naufragando de prazer -, nos convida a conhecer dois mundos: o sagrado e o profano... 

Na busca de compreensão sobre o sagrado e o profano, lembramos que nem só de trabalho vive a espécie humana... Foi no trabalho que o homem descobriu a ineficácia do ser humano, pois foi esse sistema o gerador de conflitos que propiciaram as guerras, as concorrentes disputas, e foi através da sexualidade que o homem encontrou a válvula de escape para tantas tensões... Então, encontrar o equilíbrio entre a responsabilidade do trabalho e o prazer das diversões é o fio condutor da nossa tessitura ora em desenvolvimento... Pois, também, não somos constituídos de silêncios e conflitos, mas sim de transgressões: veremos que transgredir é preciso, viver é uma conseqüência... 

É uma diversidade de questões que nos levariam a uma plena compreensão sobre a necessidade de dever cumprido pelo trabalho e a necessidade do prazer realizado pelo lazer; portanto limitarei a uma simples delimitação da obrigação laboral, para seguir esboçando sobre a paixão interligada ao erotismo e à sedução, enquanto prazer de compensação às tensões exigidas pelo labor... Porém a complexidade é infinita para entender o porquê de que nem sempre podemos só fazer o que nos dar prazer ou de aprender a sentir prazer através do que fazemos: nossa felicidade seria uma constante, se só fizéssemos o que nos dar prazer, no entanto nem sempre as situações poderiam ser favoráveis... Agora se aprendêssemos a sentir prazer através do que fazemos, tudo em nossa direção proporcionaria a constante felicidade e a eterna pacificidade, daí é que surge o sagrado para estabelecer um equilíbrio e nos proporcionar uma linearidade do sentir prazer em tudo que fazemos... 

Esse poder exercido através da espiritualidade pode ser compreendido também como uma afirmação do moral, enquanto estereótipo das normas e regras que condicionam o viver em sociedade, moral este muitas vezes desprovido de originalidade... Levando em consideração a complexidade das questões sobre a obrigação laboral enquanto dever cumprido dos sistemas sociais e o sagrado enquanto moral disciplinador, destacarei, a seguir, a paixão profana (sedução e erotismo) como dissolução desse moralismo  que tenta romper com os atos disciplinares do desejo e da sexualidade... Esclarecerei no próximo Paixão: Erotismo e Sedução II...
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Pintura: Steve Hanks

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ausência Exasperadora...

Entre nós, por vezes, trafega o escuro 
Uma palavra sem pronúncia
Sem ligação com verbo algum...

Eu, voraz correnteza dos rios
No inverno chuvoso
Tu, uma porta fechada
Um muro cercado do inóspito vazio...

Entre nós, uma batalha travada
ao meio-dia sem meia luz...

Tu, poema sem rima
Sem sentindo algum
Eu, claridade na memória
Que ora murmurando o futuro do agora...

Tu, uma fenda no passado 
A escurecer o hoje
Eu, poema fecundo 
Dando rima à vida...

Tu, verbo que anuncia 
o vazio no fim do escuro túnel
Tu, náufrago do asfalto
que mergulha na areia
do cais soterrado de intrigas...

Eu, navegante de além-mar 
Passageira saltitante
da paisagem em movimento
em palavras transbordando de ternura
imagens e poesia...

E tu?... Nada haverá de definir
Essa ausência exasperadora
Que paralisa os ponteiros
Transformando as partículas solares
Em noites sem luar...

Ah!... difícil é ter que esperar
Essa eterna hora passar!...

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Imagem Google

terça-feira, 8 de agosto de 2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Prece da Cura...

Cura-me, Senhor, de toda insegurança
que me impede em crer
quão breve o amanhã virá...

E que o erro de ontem
o hoje corrigirá...

Permita-me acreditar sempre
na habilidade da resiliência...

Afasta-me dessas lembranças
que se demoram a entristecer o olhar...

Não deixa, Senhor, que o rancor
faça morada no coração...

Livra-me da solidão
que não acredita na Sua presença...

Protege-me da inveja inimiga 
e da desconfiança alheia
que só facilita às intempéries...

Afirma-me a tão somente
 ao uso da justa palavra certa
frente a injusta realidade...

Ensina-me a transformar
 minha vida um reflexo da Sua
para que Seu brilho 
eternamente entre nós permaneça...

Promove-me, Senhor, também
à todo Bem que só me traz o Bem...

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Pintura: Devoção - William Arthur Breakspeare

domingo, 6 de agosto de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017

Êxtase do Amor...

Dois pensamentos justificam esse momento, do Octavio Paz, acrescento: "Em todo encontro erótico há um personagem invisível e sempre ativo: a imaginação"... Com Arthur Schnitzler, outro advento: "A sensualidade queria nos convencer de que estávamos apaixonados, mas a razão resistia ao engano... Então a fantasia deu a sua ajuda oportuna”... 

A penumbra invadia nossa alma
meu corpo estremeceu
por não saber o que fazer
de tanto prazer...

Ele se aproxima e sussurra
uma meiga palavra
apontando o prelúdio
das doces horas...

Envolve-me em seus braços 
Aperta-me contra seu ardente corpo
Desliza suas mãos até meu rosto
Afaga-me pelo pescoço...

Um beijo quente
cola sua boca sobre a minha
e aprofunda sua língua na minha...

Enfio as mãos em seus cabelos
com toque suaves 
escorrego-me por sobre seu corpo...

Agarro-me a suas costas
laço minhas pernas
em sua cintura...

Com os lábios seu suor sugo
Minha boca absorve seu desejo
Uma lambida a mais: suspiros...

Ele me enlaça loucamente
e os gemidos expressam
mais um instante de êxtase...

Fusão de almas
paira sobre o tempo
no silêncio do amor...

A paixão revela os delírios
e a razão convence a fantasia 
a esperar por mais um dia...

A sensualidade se converte
em magia
E em louvor cá estou...

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Google Imagem...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Mantra do Alvorecer...

Envolto ao exuberante brilho alvor das cores azul, laranja e amarelo lançadas pelas partículas do vento solar, que me contorce e nos concentra em um só ser, existe um mistério, ao som de toda nova aurora, nos convidando para bailar...

E no louvor dos pássaros
A cada amanhecer
Vem um mantra de sabedoria
Que me guia...

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Foto: Arison

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Se Eu Divina Fosse...

Enquanto os mares da verdade não forem totalmente navegados, contemplo o infinito horizonte, sentada às margens da vida a espera de passagem para seguir explorando novas paisagens...

Se minha alma fosse divina
Perfeito seria o eterno possível 
Adiante a conquistar...

Se divino fosse meu pisar
Imensos seriam os oceanos 
Para navegar...

Mas se fosse divino meu olhar
Próximo seria o horizonte
Da verde fonte
E do livre pássaro a passar...

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FotoAnderson
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domingo, 30 de julho de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Em Busca de Refúgio...

Sem modéstia...

Se a divina Providência
Pode me proteger
Que Deus me proteja 
Da subserviência do Estado
E do jogo de forças do mercado...

Afasta-me das inclemências
Vicissitudes do destino...

Socorre-me das infortunas aflições
Impostas pelo poder político...

Ajuda-me a fugir
da insegurança existencial
do espectro da degradação 
e humilhação social...

Clamo a Ti, Senhor, 
o Tempo que passou
e não volta mais...

Tempo em que a competição
Designava minha cota de risco...

E tudo era uma questão de Lei e Ordem
Classificando os sintomas 
Da vulnerabilidade da falta de lógica...

Rogo, ó Deus, pela ausência de sombras
Na eficácia da vigilância que me assegura
Um olhar atento às contradições sistêmicas...

E, assim, solapem os alicerces que sustentam
o Poder que nos transforma em fiéis súditos...

Já que é difícil calcular os constantes perigos
Permita-me uma condição de alerta constante...

Diante dos preconceitos e adversidades da globalização
Ou mesmo que haja uma valorização na diversidade global
Senhor, faz do Brasil meu eterno refúgio!...

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Imagem Google

domingo, 9 de julho de 2017

sábado, 8 de julho de 2017

Eu em mim II...

Ainda que falte muito
para eu saber quem sou
já existe uma parte de mim...

Admiradora da vida, 
amante da natureza, 
curiosa de meus sintomas
desconhecidos...

Sempre a procura de liberdade
brinco
é onde renasce a esperança
sou feliz...

Pela ânsia de aperfeiçoamento
no amor, adolescente 
tornei-me mãe
hoje avó...

Leitora por impulso, 
escrevinhadora aprendiz,
professora por convicção....

Pela sede de conhecimento
estudo
E por desejo de amadurecer:
vivo...

Pelo sonho de humanização,
cuidadosa com o Outro...

Em busca de mim, 
sigo sempre em frente...

Por eu não ser um todo: 
eis um pedaço de mim, 
Ínfimo fragmento da paixão...

Eterna aprendiz do viver!...

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sapiens: Uma Breve História da Humanidade

Vamos então ao conciso comentário sobre o livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, ali o autor fala sobre os humanos assim: apenas dois aspectos diferencia o Homo sapiens dos outros animais; e dentre o outro fator, foi através do seu poder de cooperação que o Homo sapiens saiu do continente africano e dominou o mundo, diferentemente dos animais, os seres humanos têm a necessidade de cooperar entre si, por um longo período de tempo, visando um objetivo comum, mesmo que não se conheçam... 

O outro fator preponderante: a capacidade de imaginar, através da imaginação o Homo sapiens é capaz de acreditar em histórias, contos ou mitos, a ponto de tais crenças passar a assumir um papel importante em suas vidas... Basta que alguém conte uma história e outros acreditem para se solidificar uma crença, assim a nossa realidade é construída a partir da imaginação, considerada pelo autor a força mais poderosa dos humanos, permitindo-lhes a viver uma realidade dual... A sobrevivência da realidade objetiva depende da realidade imaginada: da realização de desejos que criamos, e que são transformados em reais... Este é o outro aspecto que nos diferencia dos animais, que vivem uma realidade objetiva... 

Esse livro está sendo considerado inovador, pelo diferente enfoque que o escritor Yuval Noah dar a temas da historia da humanidade, como por exemplo, a revolução agrícola, onde ele expressa aspectos negativos, questionando o fato de que essa mesma revolução aconteceu em diversas partes do planeta ou continentes em tempos totalmente distintos, e não apenas da forma que a história acadêmica demonstra, como um marco da afirmação do sistema econômico da História da Humanidade... Do mesmo modo, ele questiona a própria ideia de revolução, dizendo que o homem, ao domesticar os animais e dominar o cultivo agrícola, na verdade se torna escravo dessa revolução; por mais que o cultivo do milho, por exemplo, tenha se espalhado pelo mundo, o homem foi apenas um instrumento usado para que essa expansão tenha acontecido... Mesmo que essa expansão tenha proporcionado um crescimento na produção de milho, aumento da população ou melhores condições de sobrevivência, foi a partir daí que o homem se submeteu a ser escravo do trabalho e passou a ter maior necessidade contínua de plantar mais para colher mais... 

Resumindo: “o livro aborda a História da Humanidade desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI... Sendo o principal argumento é que o Homo sapiens dominou o mundo porque é o único animal capaz de cooperar de forma flexível em largo número e o faz por ser a única espécie capaz de acreditar em coisas que não existem na natureza e são produtos puramente de sua imaginação, tais como deuses, nações, dinheiro.... O autor afirma que todos os sistemas de cooperação humana em larga escala - incluindo religiões, estruturas políticas, mercados e instituições legais - são, em última instância, produto da imaginação...

Outros argumentos relevantes do livro são os de que dinheiro é um sistema de confiança mútua; o capitalismo é uma religião e não apenas uma teoria econômica; outra ideia inovadora também é a afirmação de que período imperial foi o sistema político mais bem sucedido dos últimos 2000 anos”... Ele finaliza afirmando que o homem atual mesmo sendo mais poderoso que seus ancestrais não está mais feliz e questiona: será que toda revolução produzida pelo homem, toda evolução tecnológica, trouxe-lhe a felicidade ou satisfação?... Será que o homem atual é mais feliz que seus ancestrais ou o agricultor?... Afirma ainda que os humanos estão atualmente em um processo de modernização de seus deuses... Este argumento levou a produção de seu novo livro: “Homo Deus - Uma Breve História do Amanhã”...

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Pintura rupestre - Período Lítico

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma Concisa Memória Huni Kuin...

Folheando o livro, “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, desfrutei alguns momentos de quando tive o privilégio de andar pelas Terra Indígenas... Foram momentos inesquecíveis dos quais a fome me levava a caçar macaco... Lembrei-me que a riqueza maior foram as excêntricas conversas com os Sábios da Floresta... Com eles, aprendi que nosso maior erro (dos brancos ou dos cara-pálidas humanos) está na raiz da civilização (um tanto difícil de ser corrigido ou ser comentado); também, com eles aprendi a questionar a antropologia brasileira... 

Não, não é ironia, não, pois com alguns pajés e outros lideranças descobri que as pesquisas em Terras Indígenas feitas por alguns antropólogos eram tão inúteis quanto a ciência estudada por eles... Foi quando me propuseram uma nova forma de fazer pesquisa científica; já que, segundo eles, a nossa civilização estava toda errada: nossos modos de educação escolar, educar os filhos ou de organização social e política; consequentemente as pesquisas sociais e cultuais não tinham relevância enquanto ciências sociais que soluciona problemas do caos social da atualidade... Erros estes que eles lutavam para não serem influenciados; levando em consideração nossa forma impositora de agir... Mas é claro que eram ideias de um pensamento inovador, porém que jamais seriam aceitas pela academia brasileira, ou que eles pudessem sustentar por muito tempo... 

Por outro lado, eu não queria ser mais uma usurpadora da propriedade intelectual indígena, pois houve um período (quando acompanhei o Movimento Indígena) em que lideranças e militantes indígenas, descontentes com a forma como os conhecimentos de produção tradicional podem ser reproduzidos ou copiados no mercado cultural brasileiro e internacional, sem necessidade de autorização ou pagamento de direitos autorais, lutavam para mudar a Lei de Direitos Autorais; já que esta Lei só reconhece apenas o autor individual; pois o que é coletivo é considerado de domínio público... É aí que a cultura e o conhecimento indígena satisfaz e engrandece todo aquele que se apropria desse conhecimento, sem dar nenhum retorno às comunidades indígenas... Bem, é só pra dizer: já não se ver lideranças indígenas como antigamente... No entanto os apropriadores dos conhecimentos tradicionais só aumentam a cada dia; travestidos de todas as formas...

Enfim, agora lendo o livro, do Yuval Noah Harari, um professor e historiador israelense, “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, voltei a desfrutar daqueles momentos como se fossem os melhores para aprender novos valores sobre a huamanidade, e lembrei das ideias inovadoras que, pelas Aldeias do Acre, tive o prazer de ouvir e conhecer... Depois tentarei fazer, superficialmente, uma comparação entre o pensamento dos Sábios Huni Kuin com conteúdo do pensamento do escritor Yuval Noah Hararium...  Recordando que toda conversa com os sábios da floresta é um intenso ensinamento... Com eles aprendemos que as  respostas para muitas indagações existencialistas estão na Natureza: é no voo e no canto dos pássaros, na força dos rios, nas cores das plantas e das árvores, no sol, na lua e nas estrelas, no movimentos dos animais que encontramos a explicação para a existência da humanidade no passado, presente e futuro... Afinal, o que nos conta o livro?... Ainda não li o suficiente para expor um comentário apurado sobre as ideias centrais, mas dar para apresentar uma exígua formulação no próximo texto... 

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terça-feira, 4 de julho de 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Tratado sobre a Inveja IV: Ponte Benévola!

Por fim, para encerrar as reflexões sobre a inveja do texto inspirador, acrescento que em nenhum momento percebi a inveja como um vício maléfico, cuja moral desclassifica o invejoso, ou como a autora diz: “A inveja cria um abismo entre o invejoso e o invejado: o sucesso do segundo é o fracasso do primeiro, porque a inveja é inimiga da paz de espírito e comparsa da solidão”... Concordo que a inveja cria um vazio e submete o invejoso ao isolamento, mas a própria inveja pode construir uma ponte  entre o invejoso e aquilo o qual ele almeja alcançar com sua inveja.... 

Por conseguinte, não acredito que o sucesso do invejado seja o fracasso do invejoso; pelo contrario: o invejoso, através do sucesso do invejado, constrói seus degraus em busca do sucesso também; sobretudo quando esse sentimento foi o instrumento impulsionador para o movimento natural de recriação da persona humana; ou até mesmo foi parâmetro para o aperfeiçoamento profissional, para uma mudança de hábitos ou comportamento, assim pode ser que: o fracasso do invejado transforma-se no sucesso do invejoso... Deu pra perceber que uma pitada de inveja não faz mal a ninguém?... 


Felizmente ou infelizmente, não existe uma resposta única à questão benévola da inveja, porque são várias as propostas de identificação da ponte benéfica entre invejado e invejoso... A seguir destacarei mais um exemplo; para, finalmente, concluir esta exposição de ideia apresentando minha inveja, ou um pouco daquilo que sinto inveja em ti; e como essa inveja vem proporcionando uma mudança de atitude em nós... Acima de tudo, te proponho uma viagem sobre a forma que nós tecemos nossos textos, sinto-me na obrigação de esclarecer mais uma vez essa diferença, pois o modo que tu expõe tuas críticas levam-me a crer que sejam os resquícios de tua inveja... 

Amiúde, toda escrita se concretiza através de um texto, do latim textum que significa entrelaçamento; esse entrelaçamento pode ser tecido através da linguagem simbólica e conotativa ou da linguagem conceitual e denotativa... Costumo optar pela primeira linguagem, pois é um desejo meu de aprender expressar emoção, amabilidade e afeto, isto por meio de metáforas, onde todo significado fica implícito; logo a segunda linguagem, esta que está te levando ao sucesso, parece mais um enumerado de frases ou uma sequência de orações, com ausência de analogia, sem sentimento, sem emoção... É por meio desse entrelaçamento que explicitamos nossas experiências, forjamos sentimentos, trilhamos longas estradas, construimos mundo, expomos o aroma da flora e damos voz à fauna; e o olho do leitor só avista o horizonte que limita suas experiências: sua interpretação é do tamanho de sua imaginação... Enfim, invejo essa tua capacidade de ser tão explícita, tão realista e positivista através da tua icástica escrita, no entanto teu óbvio não me seduz... Afinal, uma parte de ti sempre foi sucesso, a tua outra parte toda inveja... E eu cá querendo aprender a dominar a linguagem conceitual, para ver se faço sucesso também... Fundamentalmente, nossas linguagens agregam os termos que nos distinguem: será arte?...

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A Ponte - Pintura de J. Fernando

domingo, 2 de julho de 2017

Tratado sobre Inveja III: Uma Luz na Alma...

No texto anterior, apenas tentei demonstrar que a intolerância, enquanto reflexo do acerbado etnocentrismo, sempre foi um grande mal; diferente da inveja um mal individual e subjetivo, que pode ser transformado em benefício próprio quando se tem consciência daquilo que invejo no Outro (logo direi como se transforma a inveja em algo benévolo)...

Portanto sejamos tolerante com a inveja do Outro; ou sejamos etnocêntrico, mas com aquele grupo ou pessoa que causa a desordem pública, violência ao Outro, porém não sejamos intolerantes de modo a não merecer a tolerância... Perdoa-me por tanta conotação, que demarca a minha linguagem coloquial e simbólica, pois eu tenho inveja de tua capacidade denotativa e descritiva, que deixam tua linguagem tão realista... Bem, a seguir veremos a inveja ser transformada num Bem maior... E o que eu sinto inveja em ti?... Logo direi!... 

Sim, a inveja desfaz amizades, condiciona comportamento, proporciona angústia naquele que inveja, deixa perplexo àquele que é invejado; acredito também que existe um vazio muito grande no invejoso; porém, vazio este que pode ser preenchido, por isso vou concordar e discordar de alguns trechos do texto que me inspirou no Tratado sobre a Inveja... 

Ao contrário do texto inspirador -, onde diz: “Inveja branca?... Nunca entendi direito o que é isso, apesar de dizerem que é uma inveja do bem, não consigo ver nenhuma benevolência nesse sentimento” – eu consigo ver benevolência na inveja... Isto quando esse sentimento cria mecanismos e ferramentas efetivas para a resolução de questões que o invejado e nem o invejoso conheciam até o momento do ato da inveja... E quais seriam tais mecanismos impulsionadores da benevolência?... 

A própria autora do texto inspirador responde, quando relata que a felicidade alheia lhe causava inveja e o sofrimento causado por tal sentimento foi necessário para uma profunda transformação: “Após tropeções, choros e ressacas, finalmente percebi que o problema não era a felicidade alheia (...) 'as repostas para suas perguntas sempre estiveram perto de seus olhos internos, à espera da sua coragem de mudar'... Quando aprendemos a olhar com mais atenção o vazio que surge, indiferente à nossa vontade, compreendemos o que nos falta e suportamos a dor que nos distancia dos outros e de nós mesmos... Também perdoamos mágoas e culpas que nos prendem aos sentimentos mais lúgubres da alma... De encontro à nossa própria luz, deixamos de viver na escuridão da inveja"... Penso que os critérios que estabelecem a benevolência da inveja ficarão mais explícitos no próximo texto... 

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Mulher lendo - Pintura de Gabriel Picart

sábado, 1 de julho de 2017

Tratado sobre Inveja II: Tolerar é Necessário!

Creio que já esbocei no texto anterior em relação nossa necessidade de conhecimento sobre a verdade para sermos tolerantes... E quem vai nos ensinar a urgência da tolerância é o grande Iluminista Voltaire... 

No capítulo X, "Do Perigo das Falsas Lendas e da Perseguição”, ele inicia falando sobre a necessidade de se conhecer a verdade para desconstruir nossas falsas crenças: “A mentira já dominou demasiado tempo os homens; é tempo que se conheça o pouco de verdades que podemos deslindar através dessas nuvens de fábulas que pairam (...) sobre a História Romana e que quase sempre envolveram os anais das outras nações antigas... Por exemplo, como é que se pode acreditar que os romanos, esse povo grave e severo, de quem herdamos as nossas leis, tenham condenado virgens cristãs, raparigas de qualidade, à prostituição?... É conhecer bem mal a austera dignidade dos nossos legisladores que puniam com tanta severidade as fraquezas das vestais"... 

Aí ele nos chamou atenção para uma possibilidade de convivência pacífica entre seres humanos diferentes e divergentes, mas que se relacionam entre si... Esse foi um tempo de extremo etnocentrismo, onde a intolerância era a promotora de guerras e perseguições... E quais seriam os princípios legais ao que levou Nero perseguir os cristãos?, não acredito que seria por pura inveja... A parti daqui seguirei a ideia de tolerância descrita por Voltaire: “Proponho, assim, que todo cidadão seja livre para seguir sua própria razão e para acreditar no que quer sua razão iluminada ou iludida acredita... Certamente, desde que não perturbe a ordem pública… Assim, os homens devem evitar o fanatismo de modo a merecer a tolerância”... Mais detalhes no próximo texto...

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À luz de velas – Pintura de Mathias Stomer...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Tratado sobre a Inveja...

Depois de ler um texto sobre uma tal “inveja branca”, senti um imenso desejo de esboçar minha opinião sobre a Inveja, que pode ser considerada “branca e preta, sem preconceito de raça ou religião; mas claro que será para contrariar a autora do texto citado... E por que seria uma ideia contrária àquela que li?... 

Primeiramente, porque, assim como a autora do texto que considerou ter sido um dia invejosa, eu fui, sou e sempre serei uma invejosa; segundo, porque não considero a inveja um mal nocivo à saúde do invejado nem do invejoso, muito menos um mal que cause uma desordem nas sociedades humanas... Pelo contrário, uma pitada de inveja é necessária para que possamos superar nossos limites... Ao logo do texto, esclarecerei os motivos pelos quais me fizeram pensar que a inveja é o mal necessário... 

A delonga cá será necessária, pois, ao esboçar uma opinião sobre os benefícios da inveja, terei que falar sobre a inveja que sinto; também terei que expressar nossa necessidade de ser tolerantes em todas as circunstâncias nos caminhos da vida... E para falar de intolerância lembrei do “Tratado sobre a Tolerância”, de Voltaire... De acordo com os estudiosos deste Pensador, obra esta onde ele trava um combate pela liberdade e sobre a intolerância fanática religiosa, e dada a nossa realidade, é uma lição universal do século XVII que vale para os nossos dias atuais... Vamos aos ensinamentos dos iluministas?, vamos "mermo"!, mas somente na próxima semana, pois um tempo será importante para te entender ou interpretar os 3 parágrafos acima...

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Alice in Wonderland - Pintura de George Dunlop Leslie...

domingo, 18 de junho de 2017

sábado, 10 de junho de 2017

Crônica duma Breve Viagem: Adorável Lisboa

Na busca da fecunda subjetividade humana, expressa o belo na simplicidade da criação e da realização: a arte... Não, não é uma consciência transcendental... Sim, pode ser uma representação contemplativa... Evito designar uma projeção da verdade; cá o bailado é a presentificação da ideia na consciência de si...

Adiante, com a necessidade de reflexão, a cabeça nas nuvens, o coração sugando o brilho das estrelas, porém com os olhos fixos nos pés firmes nesse chão da mãe-terra que sustenta nossas realizações: é uma saudação à mãe-amada que nos pariu; solo fértil de inesgotável bonança... 

Adorável é a visão da estética que não busca a qualidade do meu desejo... Breve foram os dias gris no teu sagrado chão, do vento suave da tua Torre de Belém, do horizonte melancólico do teu Castelo de São Jorge... Sob o império do Sol, continuei a caminhar, para te conhecer, envolvida num universo de sensações que conduziram a expressão do meu sentir: não ousei invocar as ninfas Tágides do teu rio Tejo; no entanto consegui lembrar do tempo de Camões: ó Lusíadas, da heróica epopéia do Vasco da Gama... Foram gloriosos teus heróis, Don Sebastião... 

Agora, passado e presente se entrelaçam, sobre tua gente contemplativa, relembro o Hino de tantas vitórias: “Sobre a terra, sobre o mar... Desfralda a invicta Bandeira... À luz viva do teu céu! Heróis do mar, nobre povo... Nação valente e imortal, Levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal!”... O hoje - tempo que já designava a percepção de tanta saudade do belo - da tua gótica tardia arquitetura manuelina, dos bancos na praça do chiado ou da praça Luís de Camões, dos históricos monumentos, do intimista sotaque que deu sabor à minha audição; folhas soltas ao vento, leve brisas de tantas sensações... No museu do fado, não consegui ouvi, com Amália Rodrigues, 'o povo que lava no rio', mas, no Mosteiro dos Jerónimos, li o Fernando Pessoa e me senti "Sê toda em cada coisa", entendi o que é pôr quanto és no mínimo que fazes... Assim compreendi a Lua do teu céu, “que em cada lago ela toda brilha, porque alta vive”... 

Subi ao Distrito de Castelo Branco, foi em Covilhã que conheci o cinza do inverno português, mesmo sem conseguir quebrar o gelo, na Serra das Estrelas, me envolvi plenamente com a intensa neve; o clima de lá me fez relembrar o ditado que diz: “o que cá se faz, cá se paga”... Não fui surpreendida por mistérios, no auge do improviso a chuva caiu pra pulverizar todo encanto, na auto estrada, de volta a Lisboa, a 120 por hora, o rádio do automóvel tocou:

“Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade”...

Dois meses passaram-se e tudo isso já continha o panorama generoso das saudosas lembranças das luzes de Lisboa... Etimologicamente a palavra adorável vem do latim: adorabillis, esqueço quem abrilhantou seu poder de seduzir; talvez tenha sido Diderot Lessing, em algum trecho sobre o iluminismo francês, na sua Obras Completas III, isso não importa, ela também se encaixa em mim... Adoravelmente, também esqueço a realidade, em um acordo entre o pensamento e a disposição das recordações, onde a inclinação natural invoca a magia das origens lusitana, e por não saber nominar a especialidade das minhas sensações, repito: a ti, Lisboa, a impressão sempre será adorável... Adorável é a tua expressão de pura arte... Volto pra casa sentindo a ausência da voz do fado, ouço este: 

“É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra...

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi...

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar”...

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Viajante sem Direção...

São olhares sem horizontes, presos ao  deserto das desconstruções, que ferem o prazer de reviver... Mas não existem desespero, não... quando a poesia encontrou um lugar na minha vida, do vazio desabrochou sonhos que sinalizaram um lugar feliz pra viver em paz...

Enfim, nas estradas da liberdade, não existem becos sem saídas, ali a dor não faz morada... Também, ali não precisa dominar as emoções, grito ao vento e sinto a direção de outras pegadas, com a paciência na mente e a gratidão no coração, a alma não segue em vão, não é necessário mudar os ideais pra encontrar outra direção...

Penso que aquilo que não funciona é o medo de perder, e para sempre tentar mais uma vez até fazer tudo acontecer, mas vale lembrar que só aprende o caminho para o futuro quem se perde nas veredas do hoje, assim viver cada segundo para não desperdiçar o que pode ser proveitoso...pois é o movimento quem determina a vitória... 

Aprendi com as canções
que as pedras do caminho
devem ficar sempre para trás,
e que é na certeza das crianças
que os sonhos se concretizam... 

Escapando da incerteza
do desconhecido,
ouço o sol cantar
em todo alvorecer, 
mas se um dia
o sentimento me surpreender, 
viajante me torno
do teu nobre prazer...

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Imagem google
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sem Escolha...

Depois de ficar calada
Por não saber escolher
A delicada palavra 
Onde tudo pode acontecer
Ou talvez onde nada pode preceder...

Girei em torno de ti...

Não consegui deixar fluir 
Quando em seguida te despertaram
Para interromper a palavra
Onde o silêncio se fortaleceu
Com o que foi possível aprender
Para te esquecer...

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Imagem Google

terça-feira, 6 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Sem Diálogo...

Não permita que a vida normal
Decida o sentimento
De uma verdade sem conversação...

Mergulha no universo da sensação
Na qual o coração tem o dom
De revelar...

Aproxima-te dos caminhos
Que nos fazem olvidar
A prisão do reviver...

Eu não posso
Mas você vai saber entender...

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