quarta-feira, 19 de maio de 2010

Terra Vermelha...

  Obra do cineasta ítalo-chileno Marco Bechis, o filme-documentário retrata os conflitos pela posse de terras enfrentados por índios guarani kaiowá no Mato Grosso do Sul...

Olho no olho, o cacique e o fazendeiro duelam emocionalmente pela posse da terra. A cena do conflito é dramática e representa um ato que ocorreu na pequena Dourados (MS) anos atrás. Nela, o branco alto – ou caraí, como é chamado pelos índios – se agacha e recolhe um punhado de terra com a mão e diz em alto e bom som: “Essa terra meu avô conquistou!”. Diante da cena interpretada pelo ator Leonardo Medeiros, o cacique faz um gesto parecido, porém, um tanto mais humilde. Agarra o mesmo tanto de terra e o leva a boca, mastigando a mistura como se fosse farinha.

A tensão da cena exibida pelo filme “Terra Vermelha” (Birdwatchers), dirigido pelo ítalo-chileno Marco Bechis, retrata os conflitos de posse de terras enfrentados por índios guarani kaiowá, cuja maioria encontra-se no Mato Grosso do Sul e próximo à fronteira tríplice Paraguai/Argentina/Brasil.

A ocupação de terras por indígenas reportada pela mídia revela a situação deplorável em que vivem, o espaço é limitado e não comporta o seu modo de vida cultural, resultando em disputas com fazendeiros, assassinatos, desnutrição, alcoolismo, mortalidade infantil, e uma taxa assustadora de suicídios.

Em “Terra Vermelha”, Bechis usa esses elementos como pano de fundo e, por meio de belas imagens, boas atuações e um roteiro muito bem feito, preciso e dramático, consegue surpreender o espectador e levá-lo a uma realidade crua mesclada à fantasia ficcional.

Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza e exibido na abertura da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme conta com a co-produção brasileira da Gullane Filmes e participação do consagrado Matheus Nachtergale. Apesar de poucos atores conhecidos e falado, na maior parte, em tupi-guarani, Terra Vermelha é surpreendente e emocionante. Através da ficção, Bechis abre espaço para mostrar a dura realidade dos povos indígenas de modo peculiar e que, talvez, poucos documentários ou reportagens seriam capazes de conseguir.

Olho no olho, o cacique e o fazendeiro duelam emocionalmente pela posse da terra. A cena do conflito é dramática e representa um ato que ocorreu na pequena Dourados (MS) anos atrás. Nela, o branco alto – ou caraí, como é chamado pelos índios – se agacha e recolhe um punhado de terra com a mão e diz em alto e bom som: “Essa terra meu avô conquistou!”. Diante da cena interpretada pelo ator Leonardo Medeiros, o cacique faz um gesto parecido, porém, um tanto mais humilde. Agarra o mesmo tanto de terra e o leva a boca, mastigando a mistura como se fosse farinha.

A tensão da cena exibida pelo filme “Terra Vermelha” (Birdwatchers), dirigido pelo ítalo-chileno Marco Bechis, retrata os conflitos de posse de terras enfrentados por índios guarani kaiowá, cuja maioria encontra-se no Mato Grosso do Sul e próximo à fronteira tríplice Paraguai/Argentina/Brasil.

A ocupação de terras por indígenas reportada pela mídia revela a situação deplorável em que vivem, o espaço é limitado e não comporta o seu modo de vida cultural, resultando em disputas com fazendeiros, assassinatos, desnutrição, alcoolismo, mortalidade infantil, e uma taxa assustadora de suicídios.

Em “Terra Vermelha”, Bechis usa esses elementos como pano de fundo e, por meio de belas imagens, boas atuações e um roteiro muito bem feito, preciso e dramático, consegue surpreender o espectador e levá-lo a uma realidade crua mesclada à fantasia ficcional.

Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza e exibido na abertura da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme conta com a co-produção brasileira da Gullane Filmes e participação do consagrado Matheus Nachtergale. Apesar de poucos atores conhecidos e falado, na maior parte, em tupi-guarani, Terra Vermelha é surpreendente e emocionante. Através da ficção, Bechis abre espaço para mostrar a dura realidade dos povos indígenas de modo peculiar e que, talvez, poucos documentários ou reportagens seriam capazes de conseguir



Por Felipe Milanez e Mônica Pileggi

(FONTE: Planeta Sustentável - 12/2008)

terça-feira, 11 de maio de 2010

CONTO DE FADAS...

                                                           Ilustração Caixa de Pandora, net
Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa do conto: «Era uma vez...»

 
in [Sonetos], «charneca em flor»
 
(FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)

Reverbera o rio no translúcido

                                                                                            Antoni Guansé

                                          VII
Reverbera o rio no translúcido volume dos teus olhos
a água é uma canção de espaço num copo pequeno
e uma gota de leite desce do teu seio como um sopro cheio
instinto de destilar a seiva por qualquer poro mesmo alheio
o rio marginal decorre em teus olhos foz
um percurso de beijo a que os meus lábios compõem um sabor de
flor

nos teus lábios o sangue vibra muito de muito dentro de nós
e expande o doce mundo que o contém quente e para mim
és sempre a estrela fixa e descida a iluminura retida
o fluido que as idades antigas transpiraram hoje vertida
vestes molhadamente o que te capto solícito e bebo
e a tua pele é uma viagem por ninguém nunca antes concebida
num dedo

e em mim sinto-te vestida do que és de despida
cosmonauta homonauta que te preenche o teu hélio secreto
amor da vida que te habita o total calor completo
de insecto

muito mais que um rio o rio se te resume em piscina
olhos abertos erectos química composição que te fascina
e eu álamo de ti vegetal verde veia pulsada que te resina
e fez
a água é uma porção breve infinita na mulher síntese que és
minha mina.


(in Cynthia)
«O Surrealismo na Poesia Portuguesa», Série Antologias
Organiz., pref. e notas de Natália Correia
Lisboa: Publicações Europa-América, 1973


(FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)

Sucedem-se os dias húmidos por dentro da minha espera...

                                                            Alcides Baião, Contorcionistas, 1999
Sucedem-se os dias húmidos por dentro da minha espera
adio o arco-íris o salto montês da cabra que trago no peito
grande a náusea perfuma a dor dos verões suspensos cegos
se aquece a alma erguida na ponta dos pés do desassossego

arredondam-se as estações neste gesticular incerto de índio
largo coração galego esqueço-me com coisas livres minúsculas
vermes róseos longos braços barcos à deriva que tenho do mar
spreito a fundo as horas que me separam do jazigo ou berço
de boca amarga à gargalhada empreendo a lágrima lúcida
solar se verte o sangue no circo dos ágeis dedos de não voar

queria-me eu apto e louro com olhos de maçã cheios de amor
já pestanejo as emoções seguintes que se anunciam verdes
no chegar do veado friorento que vem comer as ervas litorais
dobro-me à mulher à página ao morto inesperado e para quê?


in «Paicina», (Poesia e Prosa),
Lisboa: Quadrante [Distrib.], 1977

(FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)

domingo, 9 de maio de 2010

Palavra de Mãe...

Nós poderíamos começar este post dizendo que mãe é isso, mãe é aquilo. Mas a verdade é que existem diferentes tipos de mãe, e que cada uma tem seu jeito de cuidar dos filhos e demonstrar seu amor por eles.

Dizem que o tipo de mãe que uma mulher se torna tem muito a ver com o estilo de mãe que ela mesma teve. E que uma avó é mãe duas vezes, exercendo na criação do neto um amor importante para a valorização dos laços de família, porém com um estilo bem diferente do que quando era só mãe!

De qualquer jeito, em qualquer geração, mães demonstram amor, cuidado com a educação, instinto materno, abertura para mudança e muita felicidade.

Confira abaixo a entrevista com a bancária Patrícia Fabiana Sales Figueiredo, filha de Fátima, com quem conversamos essa semana. Ela relembra como era sua mãe na infância e conta como isso influencia sua relação com Matheus, seu filho de 5 anos.

OMO - Qual é a maior diferença entre a infância do seu filho e a sua?

Patrícia - Eu acho que as brincadeiras são bem diferentes, pois na minha infância eu brincava muito na rua, no quintal. Hoje em dia as crianças brincam bastante no computador. O lado ruim é que eles perdem um pouco com essas limitações. Por outro lado, eles também têm muito mais acesso às informações do que eu na minha infância.

OMO - Sua mãe é diferente como avó?

Patrícia - Completamente diferente. Na minha infância, ela era muito rígida com a minha educação e também não brincava comigo. Acredito que seja pela responsabilidade de educar. Hoje em dia, como avó, ela brinca no chão, joga bola, futebol de botão, enfim, todas as brincadeiras que ele quiser. Realmente minha mãe nem parece a mesma mãe de quando eu era criança... Ela faz tudo o que ele quer... rs.

OMO - É verdade que avós estragam os netos?

Patrícia - Um pouco, pois minha mãe, deixa ele fazer muitas coisas que eu como mãe não deixaria. Mas, ao mesmo tempo, quando eu o coloco de castigo, ela não tira minha autoridade. Às vezes eu ameaço ela e meu pai em colocar eles de castigo...rs.

OMO - Em que momentos você age como a sua mãe?

Patrícia - Com relação à minha mãe na minha infância, eu quase não tenho o mesmo comportamento, pois a minha mãe não era muito de conversa. Mas eu converso bastante e coloco de castigo.

OMO - Quais são seus medos e sonhos em relação ao seu filho?

Patrícia - Meus medos com relação ao mundo das drogas, o que eu mais faço hoje é rezar e pedir a Deus que deixe meu filho longe. Estou dando muito amor, carinho e base em valores para que isso não ocorra.

Meus sonhos são para que ele seja um homem de bem, trabalhador e com valores sempre presentes em sua vida (fazer bem ao próximo, família, honestidade etc.).

OMO - Deixe uma declaração de amor para sua mãe e seu filho.

Patrícia - Mãe, antes da maternidade eu tinha um pensamento. Hoje sou mãe e compreendo todas suas preocupações com a minha educação, e meu amor por você aumentou mais ainda. Você para mim é a verdadeira mulher-maravilha. Te amo muito.

Filho, eu achava que era feliz, mas depois que você nasceu, descobri a verdadeira felicidade. Ser sua mãe é tão maravilhoso, tanto quanto respirar. Eu amo você tantão, você é a razão do meu viver.
E na sua casa? Como é a relação entre mãe, avó e neto?

Mãe, dedico esta mensagem a você
que esteve ao meu lado nas horas
que chorei e nas horas que sorri ,
nas horas que me lamentei
e nas horas e que de uma forma
ou de outra demonstrei total alegria...

Por estar perto de você.
Agradecer pelo sorriso diário,
sem mágoas nem rancores,

agradecer de peito aberto,
de alma explosiva...

Agradeço pelos meus dias de mau humor,
que você me acalmou em seu colo.

Hoje quero parar e agradecer,
porque você fez,
faz e fará sempre parte de minha história!

Você sempre foi  Maravilhosa.
Você foi uma mãe e tanto.
Obrigada pela vida!

(FONTE: Blog OMO)

sábado, 8 de maio de 2010

Autumn Leaves - Nat King Cole

                                                                                    Thomas_Kinkade
Assim, como nas folhas do outono, de Nat King Cole, que vão no vento sob a suave deriva, sinto no vermelho dessas folhas... os lábios dos beijos de verão queimando como o sol... e nessa leve sensação da insustentável deriva, os dias são longos e as noites prolongam a espera vã, mas o inverno traz o frio que aquece o coração que ama...

E mesmo que a vida nos aproxime na doce ilusão do início... O mar levou o que na areia ficou dos passos amantes que nunca se uniram... No suave vento de outono ouço a voz de quem ama...

The falling leaves drift by the window
The autumn leaves of red and gold
I see your lips, the summer kisses
The sun-burned hands I used to hold

Since you went away the days grow long
And soon I’ll hear old winter’s song
But I miss you most of all my darling
When autumn leaves start to fall

C’est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m’aimais et je t’aimais
Nous vivions tous, les deux ensemble
Toi que m’aimais moi qui t’aimais
Mais la vie sépare ceux qui s’aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable les pas des amants désunis

domingo, 2 de maio de 2010

Avatar: a caixa de Pandora...

                                                                                                             (Foto: Divulgação)
Avatar é um feito técnico de proporções colossais. Particularmente porque, da maneira como foi articulado por James Cameron, esse mutirão de avanços tecnológicos usados para imergir o espectador no 3D mais fotorrealista que se poderia conceber tem em vista um propósito lírico e até honrado: o de criar beleza, transportar, surpreender pela imaginação e compartilhar um deslumbramento pela natureza que o próprio diretor só descobriu por completo ao ter-se retirado de cena - era o que parecia ter acontecido - depois de Titanic.

Um avatar é uma versão de um ser existente; e é isso que o fuzileiro naval Jake Sully (Sam Worthington) ganha ao desembarcar no planeta Pandora: uma en carnação de si mesmo na forma de um Na’vi, como são chamados os habitantes indígenas desse mundo remoto. Jake ficou paraplégico em combate na Terra; em Pandora, tem mais de três metros de altura, pele azulada, cauda e fisionomia ligeiramente felinas e um físico tão forte e apto que, ao experimentá-lo pela primeira vez, ele se embriaga com tanta liberdade.
   
Embriagador também é o terreno que ele pode percorrer nesse corpo. De dia, Pandora é um espetáculo de cores tropicais, árvores que se esfumaçam de tão altas e montanhas que vagam pelo céu como nuvens sólidas. De noite, é um sonho espectral de luminescências azuladas e arroxeadas, ressaltadas por brancos opalescentes e verdes fantasmagóricos - como um recife de corais que tivesse subido à superfície. Cameron é um apaixonado pelas profundezas marinhas, e não poderia ter imaginado argumento mais convincente para justificar sua fixação do que essas imagens. Mais notável ainda é a delicadeza do diretor. Em vez de atirar objetos contra a plateia, como os filmes em três dimensões fizeram até aqui, ele põe de lado os golpes baixos, o fácil e o pedestre e mira em algo muito acima: mostrar que o 3D é percepção, sensação e profundidade. Conjura tanta perícia, enfim, para simplesmente pousar o espectador em Pandora e deixar que, assim como Jake, ele viva a ilusão de estar dentro dessa ilusão.

  
Essa é, de certa forma, a primeira história de amor de Avatar - a de Jake por uma natureza que, no futuro em que o filme se passa, na Terra já é só uma lembrança. A segunda história de amor, e a central, é a de Jake por Neytiri, uma amazona Na’vi que, apesar do seu rancor contra os seres humanos - Pandora está sob ameaça de devastação por uma corporação mineradora -, recebe um sinal de que esse homem é diferente. Neytiri (Zoë Saldana, a Tenente Uhura da recente versão cinematográfica de Star Trek) é encarregada de proteger Jake e de ensiná-lo a ser verdadeiramente um Na’vi. Entre domar uma montaria alada aqui, aprender a usar o arco ali e escorregar por folhagens acolá, o inevitável acontece. A paixão está nas cartas, claro, desde a primeira cena em que Neytiri e Jake se encontram, na qual ela previsivelmente o salva das feras que o rondam. Mas, pelo menos, Cameron introduz o romance por meio de uma camaradagem que diz muito sobre seu respeito pelas mulheres. Os Na’vi são também um povo da terra, e estão ligados a ela de maneiras bem literais - são parte efetiva dela, como descobrirá a botânica interpretada com excelentes humor e desembaraço por Sigourney Weaver.

Há uma boa margem para tomar como eco-sentimentalismo (ou como ecobaboseira, conforme o ponto de vista) essa mensagem verde de Avatar, que em geral vem sublinhada por coros de vozes genericamente "nativos". Mas Cameron a contrapesa com lances mais lúcidos, como a sensação cinza e opaca com que Jake volta para seu corpo humano e limitado após cada excursão por Pandora - e o australiano Sam Worthington, o acerto de Exterminador Salvação, dosa no personagem as medidas corretas de gravidade e intrepidez. (Aliás, que se comente o desempenho de um humanóide azul de três metros já é sinal do quanto a transposição das atuações reais para os personagens digitais é bem-sucedida.) No terço final, em que se desenrola a batalha da mineradora contra os Na’vi e sua selva, são inspiradas também as alusões a outras imagens icônicas sobre a insensatez da guerra, como a da floresta se inflamando com napalm em Apocalypse Now, ou a do sofrimento dos cavalos sob fogo em Kagemusha.

Esse contraponto entre uma civilização tão mecanizada e outra tão próxima de um estado natural é uma surpresa em Avatar - mas, considerado em retrospecto, é também um passo lógico na carreira de seu diretor. Cameron sempre foi o cineasta do equipamento pesado, do metal guinchando e triturando na forma de robôs, de estações submarinas, de transatlânticos. Executar visualmente o fascínio e o terror que as máquinas exercem foi, desde o início, o que o distinguiu. Ao contrário de mestres da estupidez como o Michael Bay de Transformers, Cameron entende que essa relação com o mundo físico não é um pretexto para a catarse, para a sublimação da violência ou para efeitos mais e mais estrepitosos.

   De uma forma instintiva, não intelectualizada, porém não menos filosófica, todo seu cinema tem sido um comentário sobre a imaginação simultaneamente artística e tecnológica da espécie humana - e sobre como, nessa ânsia biologicamente programada de multiplicar até o infinito suas capacidades, ela perde controle sobre o que cria na mesma medida em que o aumenta, e toca tanto o belo como o terrível. Imaginar, dizem os filmes de Cameron - todos eles -, é abrir uma caixa de Pandora. Se o cinema for tomado como tal, então dela podem sair um sem-fim de burrices, algumas inclusive velhacas, como as que o avanço dos efeitos já produziu. Ou pode sair algo como Avatar - em alguns momentos redundante, em outros até um pouco cafona. Mas, em todos os instantes, invariavelmente animado pelo desejo de se alçar, de ir além e de engrandecer.

(FONTE: Revista VEJA)

sábado, 1 de maio de 2010

SÓ A NATUREZA SALVA - Avatar!...

                                                                                                                    

O filme de James Cameron, Avatar, não é o primeiro de inspiração socioambientalista e seguramente não será o último. Não me parece que ele tenha reempacotado coisas que já foram ditas ou feitas no cinema, tanto quanto fez beber na mesma fonte que sempre nutriu as artes em geral: a contemporaneidade...

Parece impossível que alguém ou alguma coisa faça tanto sucesso sem provocar críticas ferrenhas na mesma proporção. Então vou começar pela crítica mais engraçada que pesquei no Twitter (e agora não consigo mais encontrar o autor): ‘Avatar não passa de uma versão futurística de Pocahontas’.

Isso porque ambos - o estrondo de James Cameron e o simpático filme da Disney - abordam a mesma relação conturbada entre humanidade e seu meio, combinada ao eterno conflito entre a civilização auto-intitulada e outras culturas. Mas não acho que isso seja um problema.
O que me fascinou mais foi a quantidade de conexões com a realidade que o SciFi de Avatar provocou em mim enquanto assistia. Pensei muito na Amazônia, nos conflitos entre populações tradicionais e grandes empresas. Por isso, não foi nenhuma surpresa quando indígenas da Amazônia equatoriana, mesmo indo ao cinema pela primeira vez a convite de uma ONG local, e com todo o aparato de experiência sensorial inovadora, avaliaram secamente: ‘É similar ao que vivemos, mas para nós não é algo novo’. No equador, o embate entre as populações indígenas e a indústria do petróleo já completa décadas, com desdobramentos monstruosos.

Lembrei imediatamente da guerra do Iraque, já que a busca por fontes de energia é o que motiva a cobiça da humanidade sobre a terra de Pandora. Quando um dos personagens exclama atônico, ‘mas são apenas árvores!’, pensei da reprecificação de ativos, tentativa atual de reposicionar o valor das coisas numa linguagem que a humanidade compreende bem: a monetária.

Teve gente que viu até uma referência clara ao atentado contra as torres gêmeas, embora eu já ache que qualquer ataque a uma população não militar na telona, agora e por muito tempo, sempre vai nos levar de volta a 11 de setembro…

E em meio a tantas referências políticas, culturais, econômicas e ambientais, acho que o filme provou refinamento ao traduzir a Teoria de Gaia, do ícone ambientalista James Lovelock, segundo a qual a Terra é um único organismo vivo com infinitas conexões. Mais do que isso, a vida conspiraria para sua perpetuidade, garantindo as condições no planeta para tanto.

Por isso, ao contrário dos filmes de aventura comuns, o trabalho de salvar a todos fica menos para o herói e mais para a própria natureza. Outra sinapse: seriam os eventos climáticos extremos alguma espécie de anticorpos destinados a varrer a nós, os vírus, do mapa da vida?

Muita gente considera que efeitos especiais são um tipo de maquiagem feita para encobrir um roteiro ruim e atuação sofrível. Eu, que não manjo quase nada do assunto, digo que cinema é emoção. A emoção que senti ao ver aqueles dinossauros de Jurassik Park (Spielberg, 1993) pela primeira vez no cinema, quando era menina, não fica devendo nada à comoção das conversas, por exemplo, em Antes do Pôr do Sol (Richard Linklater, 2004) – para citar um filme super singelo, tecnicamente. São apenas emoções diferentes.

Ainda assim me pergunto se eu sairia tão embasbacada do cinema se Avatar não tivesse o recurso 3D… Mas, enfim, talvez seja só mais uma reflexão interessante na conta de James Cameron.

* Este texto foi originalmente escrito para o site da revista Página 22, na qual Carolina Derivi é repórter. Aqui no Planeta Sustentável ela assina o blog Ecobalaio

Leia também:
Avatar: a caixa de Pandora

* Este texto foi originalmente escrito para o site da revista Página 22, na qual Carolina Derivi é repórter. Aqui no Planeta Sustentável ela assina o blog

(FONTE: Planeta Sustentável)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Cantiga...

                        Bartolomeo Manfredi, Lute Playing

Que de meus olhos partais,
em qualquer parte qu’esteis,
em meu coraçam ficais
e nêle vos converteis.


Est’é o vosso lugar,
em que mais certa vos vejo,
porque nam quer meu desejo
que vos d’i possais mudar.
E por isso, que partais,
em qualquer parte qu’esteis,
em meu coraçam ficais,
pois nêle vos converteis.


in «Os Dias do Amor», por Inês Ramos,
Ver Ref.s em Livros de Apoio

    (FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)                   


Primeiro Poema do Amor Difícil...

                                                                                                  Alcides Beirão, Jarros II, 1999


 Devolveste-me o sem sentido original
das coisas
Devolveste-me as ruas ao natural
as ruas só por si
as ruas estoirando liberdade por todas as frestas
das pedras
as ruas em que dantes pesavas
me oprimias
as ruas que dantes eram tu
tu apenas tu em todas as esquinas
de lado a lado nas paredes
que me estreitavam até gritar
o teu nome

Devolveste-me as ruas livres
descomprometidas
as ruas sem nome sem encontros sem sentido
as ruas que se despem às estrelas
para ninguém
Devolveste-me as árvores
as árvores apenas elas mesmas
no impulso lenhoso dos seus ramos
na sua casca áspera
nas suas casuais flores
para ninguém colher

Devolveste-me o tempo fluindo sem margens
sem fronteiras
as madrugadas espantadas de existirem
as madrugadas sem ninguém à espera

Devolveste-me as noites fruto fechado sobre si
o céu sozinho

As estrelas já não se juntam
para escrever o teu nome
existem
resistem em seu lugar
de olhos muito abertos e brilhantes
sem lágrimas

Devolveste-me os Cafés
cheios de gente que afinal
existe

Devolveste-me o tampo liso das mesas
sua lúcida certeza
de estar só

Devolveste-me as algibeiras sem nada
corajosamente sem nada
só para meter as mãos

Devolveste-me o deslizar dos barcos no rio
sua orgulhosa serenidade
Não mais terás que ver
com barcos e comboios chegando
e partindo

Todos os comboios e barcos partem
e chegam
sem ti
Todos são iguais
e livres
e inúteis

Me encontro
de novo
a sós com as coisas
As mãos sem nada nas algibeiras vazias

me lanço nas ruas com furor
acamarado com sua brutal nudez
sem disfarce
 Sabemos que nada temos para trocar
que existimos cada um em seu lugar
sabemos

que apenas nos podemos dar
inteiros
sem paixão
distintos

Ruas paredes pedras
árvores ruas
luas barcos mastros
te devemos
nossa solidão recuperada


In"Os dedos os dias as palavras", Porto: Editora Figueirinhas, 198

(FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)

sábado, 10 de abril de 2010

A Particula da Vida...

Lemos um poema escrito por Pierre Weil, em seu livro A Revolução Silenciosa, no qual ele resume o que entende como sendo as sucessivas reencarnações da divindade, que é parte e é todo:

"Sou desprovido de Nome, porque todo nome me limita
Porém, muitos nomes me deram.
Sou Brahman. Sou Brahma, Vishnu e Shiva,
O que cria, mantém e dissolve. Sou Jahve. Sou Buda.
Sou Cristo. Sou o Pai, com ou sem barba. Sou o Filho.
Sou o Espírito Santo. Sou Allah, Sou Alfa e ômega, o começo e o fim. (...)
Sou energia. Sou a natureza. Sou o Verbo. (...)
Sou consciência. Sou Deus. Sou o Eterno. Sou Universo. (...)
Sou você dentro do teu corpo. Sou também o teu próprio corpo.
Sou a vida que me torna eterno. (...)
Sou as partes que estão no todo. Sou o todo que está em todas as partes.
(...) Sou o homem. Sou a mulher. (...)
Sou sujeito, sou objeto, sou espaço entre os dois. (...)
Sou o autor. Sou o ator. Sou o papel. Sou a peça. Sou o espectador. (...)
Sou zero. Sou um (...)
Como infinito eu permeio todo finito.
Como finito volto sempre a ser o infinito.
Como eterno desfruto do tempo.
Como tempo me dissolvo no eterno. (...)
Enfim sou a tua alma
através da qual desfruto da imensa bem-aventurança
de ser consciente da própria bem-aventurança."

Autor: Frederico Viotti (Parte IV de sua tese)

O Movimento "New Age" e a Mística Panteísta da Criação


"O que será aqui escrito é fruto de uma vasta pesquisa junto a várias organizações que se dizem explicitamente gnósticas e da leitura de diversos livros que tratam deste assunto. Um dos livros mais importantes, e que será citado várias vezes, é A Conspiração Aquariana, de Merilyn Ferguson, considerado um dos principais documentos sobre a "Nova Era".

Capítulo 1

O Movimento "New Age"

Como demonstrado na parte anterior deste trabalho, a Renascença representou um início de ruptura com o teocentrismo. Essa ruptura pode ser percebida em diversos autores renascentistas, como Giordano Bruno, M. Ficino, Pinponaze, Pico della Mirandola, etc.

Giordano Bruno, nasceu em Nola (Nápoles), em 1548 e morreu em Roma a 17 de fevereiro de 1600. Fascinado, como ele mesmo dizia, pelos ensinamentos de Heráclito, Parmênides, Demócrito, Lucrécio e Plotino. "(...) De volta a Paris, o seu violento antiaristotelismo provocou tumultos entre os estudantes... passando à Alemanha, primeiro a Wittenberg, onde se inscreveu na igreja luterana, mas onde permaneceu pouco tempo, despedindo-se com ‘oratio valedictoria’, cheia de exaltação de Lutero. (...) Nem toda a sua doutrina teve igual sorte; mas a imanência da Divindade no

Universo foi tese muito estimada pelos espinosistas, hegelianos e respectivos sequazes, próximos ou longínquos; e o conceito de mónada, como mínimo e máximo ao mesmo tempo, encontrou boa aceitação junto dos leibnizianos" .

A doutrina de fundo de Giordano Bruno, assim como a do movimento "Nova Era", é a gnose. O termo ‘gnose’ foi inicialmente utilizado, na tradição helenística, para designar o ‘saber’, o ‘conhecimento’, etc. Com o advento do Renascimento, a palavra ‘gnose’ tomou uma conotação mística e religiosa, misturando-se com a magia e com seitas esotéricas propugnadoras

do panteísmo e do monismo. Pode-se também argumentar que o primeiro sentido da palavra ‘gnose’ (conhecimento), refere-se ao conhecimento da transcendência da verdade e, por efeito, da transcendência de Deus.

O segundo sentido da palavra ‘gnose’, empregado pelos esotéricos, ao invés de se referir ao conhecimento da transcendência de Deus, refere-se à imanência: auto-conhecimento. Nesse sentido, é possível dizer que o significado do termo ‘gnose’ não se alterou, pois em ambos os casos ele se refere ao ato de conhecer. O que houve foi uma alteração no objeto a ser conhecido, não mais exterior ao homem, mas imanente à natureza. Só há duas possibilidades lógicas de se conceber Deus, ou se imagina um Deus transcendente e superior; ou se considera a Deus - ou a divindade - como um ser imanente e, por conseqüência, igual aos homens.

O movimento ‘Nova Era’, na realidade, não passa de uma reedição das doutrinas que influenciaram a Renascença, tanto a defendida por Parmênides e por Heráclito, quanto a que os Estóicos propugnaram na sua concepção de que o fogo (divindade) se mistura em toda a matéria. Ao mesmo tempo, existe um caminhar seguro rumo a uma mística de origem oriental, budista e hinduísta. O texto, transcrito em seguida, é de Pico della Mirandola, extraído do livro A Conspiração Aquariana:

"Com liberdade de opção e com dignidade, como criador e modelador de si mesmo o homem pode assumir a forma que preferir. Terá a força para gerar nas formas inferiores de vida, que são irracionais. Terá a força partindo do julgamento da alma, para renascer em formas superiores".

É interessante comparar o texto seguinte, de Marilyn Ferguson, com a escola de Eléia (Parmênides):

"(...)E traímos a integridade, a não-distinção, separando tudo que vemos, de modo que nos escapa a conexão latente entre todas as coisas do universo."

No final do mesmo livro, escreve a autora:

"O mundo novo é o Antigo - Transformado".

Pierre Weil, em seu livro Nova Linguagem Holística - Um guia alfabético, define a Nova Era: "Movimento holístico de renovação dos valores fundamentais de nossa sociedade, através de uma mudança de paradigma.

Traduz-se por:
- Um aspecto ecológico, o respeito à harmonia da natureza.

- Um retorno à simplicidade da existência.

- Uma seleção criteriosa e consciente dos verdadeiros aspectos positivos do progresso técnico em relação a estes valores holísticos.

- O desenvolvimento interior, através dos diferentes métodos de holopraxia [meditação que leva à iluminação].

- O desenvolvimento de comunidades que apresentem as condições favoráveis a esta evolução e estimulem-na.

- A não violência.

- Uma Economia, Educação e Medicina Holística.

- Uma política holística

Em todos os países do mundo, encontramos pessoas e grupos chamados por Roger Garaudy de ‘Mutantes’, sujeitos a uma mudança profunda e radical de características Holocêntricas [perceber que formam parte do ‘holos’, de uma mesma realidade panteísta]; trata-se de uma metamorfose, de uma revolução silenciosa que se inscreve no cicloevolução-involução do Cosmo, da Humanidade e dos seres humanos."

Esse movimento holístico culminaria com a chamada ‘Era de Aquários’, onde o ser humano perceberia a sua íntima união com o holos (todo), formando uma só realidade, uma só energia. Ou, em outras palavras, o homem perceberia a sua identidade com o ‘pan’, de onde todos vieram e para onde todos vão.

Eis o homem do terceiro milênio, como defendem os adeptos da ‘Nova Era’, um ser evoluído e superior, que percebe a sua natureza divina. A ‘Era de Aquários’ surgiria com o fim da ‘Era de Peixes’, que segundo dizem, simboliza o Cristianismo.

A) Panteísmo, Monismo e Evolucionismo Reencarnacionista

A filosofia básica da Nova Era é o Monismo e o Panteísmo, de origem hinduísta e budista. Segundo essas doutrinas, existe apenas uma realidade, que é a energia cósmica, o resto é o "maya" (ilusão) (Monismo). Toda a diversidade de seres é uma ilusão dos sentidos, que tende a ver diferenças onde só existe igualdade. Tudo é uma manifestação de uma mesma energia cósmica. Energia esta que é divina e espalhada em todas as coisas (Panteísmo).

Escreve Marilyn Ferguson sobre a imanência de Deus:

"Todos os espíritos são um só. Cada um é uma centelha do espírito original, e este espírito é inerente a todos os espíritos. O budismo afirma que todos os seres humanos são Budas, mas nem todos despertam para sua verdadeira natureza. Ioga, literalmente, significa ‘união’. A iluminação plena é um voto para salvar ‘todos os seres sencientes’. (...) Você está ligado a um grande Eu: ‘Tat tvam assi’. ‘Tu és Aquilo’. E como o Eu é inclusivo, você está ligado a todos os outros. (...)

No conto de J. D. Salinger, "Teddy", um jovem espiritualmente precoce recorda a experiência com o Deus imanente vivida ao observar sua irmãzinha tomar leite. ‘...De repente percebi que ela era Deus e o leite era Deus. Isto é, o que ela fazia era despejar Deus dentro de Deus... (...).

Uma vez que se tenha chegado à essência da experiência religiosa, perguntou Meister Eckhart, para que se necessitará da forma? ‘Ninguém pode conhecer Deus antes de conhecer a si mesmo’, disse Eckhart a seus seguidores medievais. ‘Vá às profundezas do espírito, o lugar secreto ... às raízes, às alturas; tudo que Deus pode fazer está ali centrado."

De forma resumida, podemos descrever o evolucionismo da Nova Era da seguinte forma: Do Absoluto (energia primeira que alguns chamam de Deus) emanaria uma faísca (mônada ) que chega na terra primeiro em estado mineral. Essa faísca seria a essência da vida, ou, em outras palavras, a própria vida, é a partícula divina espalhada em todas as coisas. Esta partícula como que ‘vive’ em forma de mineral. Essa essência passa do reino inferior para o superior (aqui eles acabam implicitamente admitindo a hierarquia), do mineral para o vegetal. Após milhares de anos aquela essência primeira se torna um vegetal. Após mais alguns milhares de anos, essa partícula divina entra no reino animal. Dependendo da corrente gnóstica, o gato seria o animal mais evoluído, especialmente o gato preto, último estágio anterior ao homem.

Por fim, essa partícula divina entra no estado humano, em que existem, também dependendo da corrente gnóstica, 108 encarnações, onde o homem deve buscar se auto-conhecer, chegar à iluminação (budismo). Se durante 108 reencarnações esse infeliz não conseguiu se iluminar, ele regride do estado humano para o animal, deste para o vegetal, até chegar, novamente, ao estado mineral. Em chegando ao mineral, começa de novo as encarnações evolutivas da partícula divina até o homem e, assim mais 108 reencarnações na fase humana, isso durante 3.000 vezes, ou, como chamam, 3.000 ciclos. Ou seja, a evolução do estado mineral até o homem e a involução do homem ao mineral, se ele não consegue se iluminar, pode ocorrer até 3.000 vezes.

Quem se iluminou sobe de volta à energia cósmica primeira, ao Absoluto, onde ficará em uma espécie de nirvana eterno, dentro de uma consciência coletiva, sem individualidade, pois percebeu, através da iluminação, que ele faz parte de um todo (holos) energético, sem diferenciações, onde todos são um e um são todos.

Com efeito, assinala Pierre Weil:

"Holos significa a Totalidade do Ser com sua característica holonômica [não haver dualidade entre sujeito e objeto, todos formam uma mesma realidade cósmica] essencial de um Todo aberto que compõe todos os fenômenos que são inseparáveis dele e o são ao mesmo tempo.

Holos é, pois, a característica do Ser de não poder ser de maneira alguma definido em razão de sua Não-Dualidade: Nem Um, nem Dois, nem Vários, sendo Um e Dois e Vários. É uma palavra que se pretende não-dual, contrariamente às características da linguagem. Ou, ainda, o Todo se encontra em todas as partes."

Após a iluminação o homem poderia escolher entre voltar à energia pura, ir para outros planetas ou ficar aqui mesmo, na terra, em forma de ‘Devas’. Devas são guias mestres, pessoas iluminadas que resolvem ficar para iluminar outras.

No livro A Conspiração Aquariana, temos a seguinte narração da evolução espiritual: "O caminho para o conhecimento direto é ilustrado poeticamente em uma série de gravuras da China do século XII, conhecida como as dez gravuras do arrebanhamento do boi. O boi representa a ‘natureza suprema’ [a energia cósmica divina]. De início (Procurando o Boi), a pessoa que procura se põe a buscar alguma coisa de que tem apenas uma vaga idéia. Depois (Encontrando os Rastros), percebe nos traços de sua própria consciência que na realidade existe um boi. Após algum tempo (O Primeiro Vislumbre), passa pela primeira experiência direta e sabe então que o boi é onipresente. A seguir (Agarrando o Boi), entrega-se a práticas espirituais avançadas que a ajudarão a lidar com a força selvagem do boi. Gradualmente (Domando o Boi), chega a um relacionamento mais íntimo, mais sutil, com a natureza suprema. Nessa fase, a pessoa empreendendo a busca desaprende muitas das diferenças úteis em estágios anteriores. "O boi é agora um companheiro livre, não um instrumento para arar o campo do esclarecimento", escreve Lex Hixo, mestre de meditação, em seu sensível comentário sobre os quadros. No estágio da iluminação (Levando o Boi para Casa), o ex-discípulo, agora um sábio, percebe que as disciplinas não eram necessárias - o esclarecimento esteve sempre ao alcance. Em seguida (O Boi Esquecido, Eu Só e O Boi e o Eu Esquecidos), chega ainda mais perto da consciência pura e descobre que não existe um sábio iluminado. Não há esclarecimento. Não há santidade porque tudo é sagrado. O profano é sagrado. Todos são sábios à espera de uma oportunidade. Na penúltima fase (Retorno à Fonte), o sábio em sua busca se amalgama com o reino que gera o mundo dos fenômenos. Surge um cenário de montanha, pinheiros, nuvens e ondas. ‘Este crescimento e declínio da vida não é um fantasma, mas uma manifestação da fonte’, diz a legenda. Mas há um outro estágio além desse idílio. O quadro final (Entrando no Mercado com Mãos Prestimosas) evoca a ação e a compaixão humanas. A pessoa que busca é vista agora como um camponês que vaga de aldeia em aldeia. ‘O portão de sua casa está fechado, e mesmo o mais sábio não poderá encontrá-lo.’ Ele terá penetrado tão profundamente na experiência humana que sua pista não pode ser seguida.

Sabendo agora que todos os sábios são um único, ele não segue grandes mestres. Encontrando a intrínseca natureza de Buda em todos os seres humanos, mesmo estalajadeiros e peixeiros, ele os faz florescer. Essas idéias fazem parte de todas as tradições do conhecimento direto: o vislumbre da verdadeira natureza da realidade, os perigos das experiências iniciais, a necessidade de treinar a atenção, a eventual dissociação do ego ou do eu individual, a iluminação, a descoberta de que a luz esteve sempre presente, a conexão com a fonte que gera o mundo das aparências, a reunião com todas as coisas vivas."

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX(substituir para o primeiro)

B) Auto-Conhecimento e Redenção

A Nova Era afirma que o problema do homem não é o pecado, como diziam a tradição medieval e as religiões transcendentalistas, mas, assim como os Renascentistas, a ignorância. Conhecer-se a si mesmo e desenvolver-se, eis o lema da Nova Era. Através do auto-conhecimento, feito através da meditação, o homem se "auto-salva", não precisa de um salvador. Cada um tem a chama divina dentro de si (como aliás diziam os estóicos), deve perceber essa divindade, descobrir-se, iluminar-se. Seu erro (pecado) refletirá não em um inferno, mas numa encarnação menos evoluída ou mais sofrida (Lei do Carma), onde aqui se faz, aqui se paga. O auto-conhecimento leva o homem à iluminação, percebendo a divindade imanente que existe dentro dele. Não é no exterior que se encontra a verdade, mas no interior de cada homem, ali reside a partícula divina, o microcosmo que é, ao mesmo tempo é parte e é todo. Segundo a gnose, a parte e o todo formam a mesma realidade, são ambas divinas e, por divinas, iguais.

C) Dualismo

Do dualismo platônico, em que existem dois mundos, um mundo das idéias e outro da matéria, onde o mundo espiritual, das idéias, é o bem e o mundo da matéria é o mal, a filosofia da Nova Era vai além, pois afirma que a matéria é uma ilusão. Assinala Pierre Weil: "A dualidade é o produto de uma separação artificialmente criada...". Todos devem pensar holisticamente, não há diferenciação, tudo forma uma só realidade (holos). Ainda segundo Pierre Weil, no seu Dicionário Holístico, encontramos a seguinte definição de Deus: "Uma projeção antropormófica [uma maneira ilusória de ver a Deus como se este fosse um espelho do homem, tendo a sua forma e características] popular e primitiva deformou seu sentido, dando ao Ser uma forma e características que constituem uma limitação; isto criou uma dualidade que discrimina e separa o Ser do ‘ser humano’. Na visão holística do mundo, esta separação é essencialmente ilusória...".

D) Meditação

Para chegar ao ‘nirvana’ ou à iluminação, o caminho mais usado é o da "Meditação Transcendental ", criada pelo guru Maharishi Mahesh Yogi. Segundo seus propulsores, essa técnica serve para levar o ser humano a parar de pensar da forma costumeira e, ainda que lentamente, começar a experimentar a realidade de uma outra forma. O guru Maharishi Mahesh Yogi já esteve no Brasil algumas vezes e disse que o problema do Brasil é um desequilíbrio das energias cósmicas. Se 1% dos brasileiros adotassem a ‘meditação transcendental’, os outros 99% seriam afetados, juntamente com a própria natureza (também parte da energia cósmica). Ou seja, a seca do Nordeste desapareceria porque é fruto de um desequilíbrio da energia. Esse desequilíbrio seria solucionado através da meditação.

De acordo com seus propagandistas, a ‘meditação transcendental’ seria uma ciência com mais de cinco milhões de adeptos em todo o mundo, inclusive contanto com universidades. Um exemplo é a Universidade Holística de Brasília, Fundação Cidade da Paz, cujo Reitor, Pierre Weil, é um dos expoentes do movimento ‘Holístico’. A prática dessa meditação, feita de forma individual e guiada por um guru destinado a cada interessado, chegaria a alterar as leis naturais, como é o caso da levitação, e melhoraria em tudo a vida de cada um dos praticantes. Aquele que desejar fazer a ‘meditação’, deve cumprir algumas normas e rituais. Primeiramente ornar, com alguns adereços, o altar que foi preparado para a ‘meditação transcendental’. Ao lado do altar consta a foto do guru mestre de Maharishi Maheshi Yogi. Durante a ‘meditação’, o guru que a dirige começa a recitar versos em uma língua que não se entende (onde ele dedica a sua vida a um dos milhões de deuses hindus), ao mesmo tempo em que sopra, em seu ouvido, o ‘mantra’ (conjunto de sons repetitivos, que objetivam fazer com que o ‘paciente’ vibre no mesmo ritmo das vibrações universais da energia cósmica). Cada pessoa tem um som específico, escolhido pelo guru em função das particularidades individuais. Não se pode falar esse som para ninguém, sob pena de que ele perca a magia. Como um remédio homeopático, esse ‘mantra’ deve ser recitado 20 (vinte) minutos durante a manhã e 20 (vinte) minutos durante a noite, mas sem pronunciá-los, apenas pensando neles. Deve-se parar de raciocinar, apenas concentre-se no som e deixe-se vibrar com ele, colocando sua mente no ‘ponto morto’. Com o passar do tempo, esse praticante da meditação transcendental chegará à ‘iluminação’. A sensação seria como que a de uma droga, em que cada um se sinta dentro de uma energia única, igual ao cachorro ou à pedra.

Segundo Pierre Weil, em seu livro A Revolução Silenciosa, o que se busca, através da meditação, "é um estado alterado de consciência, uma nova maneira de perceber a realidade." Ou então: A meditação "Poderia ser definida como sendo um retorno a si. É o ser que realiza que é e nunca deixou de ser o Ser. Consiste em sentar-se e não fazer nada. Não fazer nada significa, neste caso, não fazer nada para chegar a alguma coisa, sabendo que este alguma coisa sempre esteve aí e que não há lugar algum a alcançar. (...) Se a onda parasse de procurar o mar, terminaria sendo o que sempre foi: o mar. Igualmente, se o ser humano se sentasse e parasse de procurar qualquer coisa, acabaria sendo o que sempre foi: o Ser. (...) Aquilo que se chama meditação é um conjunto de condições imaginadas pelos grandes sábios da humanidade, para facilitar a realização ou a iluminação".

E) Cristais, Pirâmides e Canalização da Energia Cósmica

Não é pensando que se ilumina, é mediante a meditação por dentro de si, mediante a canalização da energia por dentro do próprio corpo. Para esse fim nos levariam o tarô, os búzios, quiromancia, astrologia, numerologia, cristais, medicina alternativa, acupuntura, homeopatia, etc. Tudo é usado para dar uma nova "visão" ao ser humano, uma nova maneira de experimentar a realidade. Os cristais são muito usados, pois seriam uma maneira de canalizar as energias e as vibrações cósmicas. Serviriam para curar doenças, atrair prosperidade, levar à um grau de ‘consciência superior’, etc. Por exemplo, o templo da LBV em Brasília, que é uma construção piramidal, possui um cristal no seu centro geométrico (que serviria para atrair bons ‘fluídos’ para aqueles que recebessem a sua influência).

As pirâmides, preceitua a norma, devem ter um dos lados voltados para o Norte/Sul, para produzirem melhores efeitos. O ser humano, por sua vez, teria sete ‘Chakras’, centros de energia, mais ou menos como diz o Espiritismo. As doenças seriam apenas manifestações de um desequilíbrio energético no homem, de energias estagnadas. Para liberar as energias, seria necessário ‘rodar’ esses chakras. Tudo deve estar em equilíbrio (Taoísmo). O médico, passando a mão sobre o paciente, 15 cm. afastado do contato, sentindo calor ou frio, descobre onde está o desequilíbrio, onde está a energia estagnada. O médico terapeuta, por ter a energia cósmica equilibrada, impõe, durante algum tempo, as mãos sobre esses lugares desequilibrados e transmite a energia equilibrada ao paciente.

Segundo Pierre Weil: "O corpo e o espírito formam um conjunto com o meio e a doença é vista como resultado de uma falta de harmonia entre estes três fatores. A dor é um sinal de alarme desta falta de harmonia e o sofrimento provém da ignorância da inexistência de um eu separado de um mundo dito exterior, ou de um ser do Ser. [O médico] ... considera o doente como agente capaz de restabelecer seu próprio equilíbrio."

Capítulo 2

Network - A Rede de Transformação

Podemos caracterizar o Movimento Nova Era (MNE), como uma grande mobilização de pequenos grupos, dispersos em diversos locais, mas unidos no mesmo pensamento e objetivo, que forma uma enorme rede de ação. O MNE abrange centenas de entidades, instituições e grupos, sem que todos necessitem estar em contato ou mesmo se conhecerem. Essa mega-rede é descrita por Merilyn Ferguson: "Enquanto a maioria de nossas instituições vem falhando, surge uma versão contemporânea da velha relação tribal ou familiar; a REDE, um instrumento para o próximo passo na evolução humana. (...) Este modelo sistemático de organização social presta-se a uma melhor adaptação biológica, é mais eficiente e mais ‘consciente’ do que as estruturas hierárquicas da civilização moderna. A Rede é moldável, flexível. Para todos os eleitos, cada membro é o centro da rede. As redes são cooperativas, não competitivas. São como as raízes da grama: autogeradoras, auto-organizadoras, por vezes até autodestruidoras. Representam um processo, uma jornada, não uma estrutura organizada. (...) As redes são a estratégia através da qual pequenos grupos podem transformar uma sociedade inteira. Gandhi se valeu de coalizões para levar a Índia à independência. Denominava ‘agrupamento de unidades’ a essas coalizões, e as considerava essenciais ao êxito. (...) O poder está mudando de mãos, passando de hierarquias agonizantes para redes cheias de vida. (...) Luther Gerlach e Virginia Hine, antropólogos que vêm estudando as redes de protesto social desde os anos 60, batizaram as redes contemporâneas de SPINs (Redes Integradas Policêntricas Segmentadas; em inglês: ‘Segmented Polycentric Integrated Network’). Uma SPIN tira sua energia de coalizões, de combinações e recombinações de talentos, instrumentos, estratégias, números, contatos. É o agrupamento de unidade de Gandhi. (...) Cada segmento de uma SPIN é auto-suficiente. Não se pode destruir a rede pela destruição de um dos líderes ou de algum órgão vital. O centro - o coração - da rede se encontra em todos os lugares. A Conspiração Aquariana é, na verdade, uma SPIN de SPIN, uma rede de muitas redes, destinadas à transformação social. ... Seu centro está em toda a parte. A Conspiração não pode ser detida, porque é uma manifestação da mudança nas pessoas." Não existe uma sede mundial para o movimento, como é a cidade de Roma para os católicos. Entretanto, Brasília tem sido considerada como a capital do 3º milênio, da Era de Aquários (que se iniciaria na nova era). O jornalista Dioclécio Luz, em seu livro Roteiro Mágico de Brasília, escreve sobre a enormidade de movimentos gnósticos existentes nesta cidade; todos, ainda que divergindo em questões acidentais, convergem para a mesma cosmo-visão. Podemos citar, por exemplo: "Renascer, Grande Fraternidade Universal, Augusta Grande Fraternidade Universal, Nova Acrópole, Universidade Holística, Sociedade Internacional de Meditação, Centro de Estudos de Antropologia Gnóstica, Eubiose, Sociedade Teosófica, A Grande Pirâmide do Lago, Rosa Cruz Aúrea, Perfeita Liberdade, Cidade da Paz, Movimento para Consciência de Krishna, Cadeia Mental Universal, Ordem dos 49, Clube Naturalista de Preservação da Vida, Himalaya Consultoria Vivencial, Abrasca (Associação Brasileira de Comunidades Alternativas), Centro de Pesquisas de Discos Voadores, Amorc, Fraternidade da Cruz e do Lótus, etc, etc, etc. Esse MNE tem muitas ramificações. Uns se interessam pela saúde, outros pela ecologia, outros pela educação, todavia, todos estão unidos na filosofia panteísta da criação.

Autor: Frederico Viotti (Parte IV de sua tese)
FONTE: Internet

Continuação da Parte IV - O Movimento New Age e a Mística Panteísta da Criação


                                                                                 Capítulo 3

Influências do Movimento Nova Era

Na introdução à sua obra, diz Marilyn Ferguson: "O ativismo social dos anos 60 e a ‘revolução da consciência’ do início dos 70 pareciam mover-se na direção de uma síntese histórica: a transformação social como resultante da transformação pessoal - a mudança de dentro para fora." Com efeito, a transformação da sociedade atual parte de uma transformação na própria pessoa. São inúmeros grupos espalhados pelo mundo, alguns até inconscientes da transformação que estão operando, mas que aderem, explicita ou implicitamente, a um movimento muito mais amplo de transformação axiológica. Há uma verdadeira Revolução Silenciosa se operando na sociedade. Dificilmente alguém ainda não ouviu falar em yoga, acupuntura, cristais, pirâmides, energia, meditação, iluminação, nirvana, auto-conhecimento, gnose, etc.

Estes termos estão espalhados por todo o mundo. Os relatos seguintes, extraídos do livro de Merilyn Ferguson, apesar de não indicarem a fonte, servem como um indicador de algo que, mais ou menos, todos percebem: "Um Conspirador Aquariano em uma equipe de planejamento disse uma vez: ‘Há uma nova tolerância com a busca da transcendência. Estou cercado por colegas que seguem na mesma direção, que valorizam o mesmo tipo de experiência... Uma pessoa não é mais considerada excêntrica só porque empreende uma busca espiritual. Ela chega até mesmo a ser um pouco invejada, o que é uma mudança significativa nesses últimos quinze anos. Um membro de um grupo de lobistas de uma organização voltada para o estabelecimento da paz internacional, em Washington, denominou de ‘o pequeno misticismo’ o reconhecimento mútuo dessas pessoas: ‘Não foi buscado nem desejado, mas se instalou em minha vida... algo estava crescendo, emergindo.

Esses pequenos fatos somaram-se uns aos outros, começaram a se encaixar. Comecei a encontrar Deus nos outros, depois uma consciência de Deus em mim mesmo, em seguida um pouco de mim em outras pessoas com uma consciência de Deus, logo outros e eu mesmo em Deus - uma seqüência misteriosa e complexa de operações. O curioso efeito colateral é que há reconhecimento dessa espécie de unitarismo entre os pequenos místicos. Nós percebemos uns nos outros. ‘Até mesmo meu trabalho político... foi beneficiado. Os pequenos místicos na política ‘farejam’ minha postura secreta, e se produz uma certa camaradagem, dificilmente explícita, porém eficaz. Não sei ainda o quanto essa espécie de pequeno místicismo secreto é comum, mas me parece mais fácil nos últimos cinco anos confessá-lo com algumas expectativas de reconhecimento...’ ".

Não é desconhecido o grande misticismo que envolve a política no Brasil. Geralmente vários dos candidatos a cargos políticos consultam videntes, astrólogos, cartomantes, etc. Mesmo no meio judiciário, conhecido como o mais conservador, tendências ao ocultismo não passam desapercebidas, como relata a repórter da Folha de S. Paulo, Flávia de Leon, na matéria Guru ‘energiza’ jantar do Supremo: "A presença do paranormal Thomaz Green Morton no jantar em homenagem ao novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Sepúlveda Pertence, agitou políticos, advogados e até juízes anteontem. (...) O primeiro ‘Rá!’ - grito criado por Morton e que simboliza a energização, foi para o diretor-geral do STF, Alvesson Mitraud. (...) O sisudo ministro José Serra (Planejamento) não pôde ser energizado, mas não deixou por menos. (...) ... anotou todos os seus telefones. ‘Este é da minha casa e este do gabinete’. (...) O não menos sério ministro da justiça, Nelson Jobim, também foi cumprimentar o guru. (...) ‘Quando ele me abraçou, senti uma descarga elétrica’ (...) contou o deputado baiano Benedito Gama (PFL - BA). (...) Ilmar Galvão não foi o único ministro a conferir os poderes energéticos de Morton. Logo atrás de Galvão, o ministro aposentado do STF, Paulo Brossard, esperava por um ‘Rá!’ energético. (...) Provocado por estar bebendo e fumando, o guru comentou: ‘Minhas drogas são lícitas. Este cigarro (de palha) é maconha cósmica, fabricado em Palmeira das Missões (RS) e o uísque é sem gelo porque o corpo já tem muita água’. (...) Morton foi convidado para a posse e o jantar pelo próprio Pertence, que carrega no chaveiro uma moeda amassada por Morton como amuleto. Depois de energizar o prédio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na gestão de Pertence, Morton deverá fazer o mesmo no prédio do STF".

No meio artístico e cultural, diversos atores, cantores e cineastas declararam sua simpatia pelo MNE. Dentre eles podemos citar Shirley MacLaine, John Denver, Tina Turner, George Lucas e Steven Spielberg. Uma grande parte das novelas brasileiras trazem conceitos de reencarnação, espiritismo, magia, ocultismo, etc, acostumando a opinião pública a uma radical mudança em suas concepções religiosas. Diversos são os livros que inundam as livrarias do Brasil e do mundo sobre esse tema. Em relação à saúde, não é menos difundido a chamada ‘medicina alternativa’, que promove a cura mediante a energização, o pensamento positivo, a imposição das mãos, florais, acupuntura, etc. Mesmo na Igreja Católica, a influência do movimento ‘New Age’ é grande. Tanto o movimento de Renovação Carismática, que tem sua origem nos movimentos pentecostalistas norte-americanos, como o chamado movimento de "Espiritualidade da Criação", são de tendência panteísta. De forma geral, todos os movimentos pentecostalistas assimilam a idéia da imanência de Deus na criação. A tal ponto a crise na hierarquia eclesiástica católica é sensível, que Merilyn Ferguson escreve: "A mais autoritária das instituições religiosas (sic), a Igreja Católica, sofre o que o historiador John Tracy Ellis chamou ‘um esfacelamento de sua fixidez’, um trauma aparente na nova variedade de doutrinas e disciplinas entre os católicos americanos. ‘Grupo nenhum dispõe de plena autoridade ou capacidade de impor-se a outros grupos’, observou Ellis.

A Igreja americana está ‘abalada e insegura em uma época inquietante e incerta’. Leigos estão exigindo reformas, evangelizando e participando de movimentos pentecostais e carismáticos; por volta de 1979, estimava-se que meio milhão de católicos haviam se tornado carismáticos, falando sua terminologia e se engajando em práticas de cura. O número de freiras e padres sofreu uma sensível queda durante os anos 70, teólogos discordavam da autoridade papal, a freqüência às escolas paroquiais declinava. Rebeliões similares vinham acontecendo em quase todas as religiões organizadas do país." De forma geral, toda a concepção igualitária de mundo tem sua origem em uma cosmo-visão que, se não explicitamente gnóstica, levará, mais cedo ou mais tarde, à explicitação da imanência de Deus na criação. O mundo Pós-moderno, como veremos na próxima parte deste trabalho, é carregado de tendências gnósticas e panteístas, apesar de não terem sido, na sua maioria, explicitadas em fatos. Há como que uma preparação, ou como diz Marilyn Ferguson, uma conspiração silenciosa a mudar todos os referenciais ontológicos do homem e, desta forma, transformar a sociedade em comunidades alternativas e ocultistas. Assim se exprime a repórter Thaís de Mendonça, em matéria no Correio Braziliense: "Veadeiros, ou melhor, Alto Paraíso (GO), é mais conhecida pelas cúpulas coloridas da Morada da Paz - uma espécie de cartão postal da cidade -, que pela atividade desenvolvida nos seus muitos centros de meditação. Coração do planeta ou mesmo centro do universo, localizado no Paralelo 14, a rua principal conduzindo aos sítios e fazendas dos esotéricos, o lugarejo de 8 mil almas mal comporta a concentração de tantos grupos religiosos. (...)

O ecumenismo adotado por algumas ‘ordens’, como o Centro Terapêutico Metatron, pode colocar lado a lado Jesus Cristo, Maomé e Buda, ao mesmo tempo em que oferece cursos sobre ciências exóticas: cristais, colorpuntura (acupuntura com cores) e reiki (arte tibetana de cura pelas mãos). (...) Com fé na idéia de que deste lugar especial sairá alguma solução para a Humanidade, a cada dia chegam mais grupos a Alto Paraíso. O fato de assentar-se sobre uma jazida de quartzo lhe dá uma aura de mistério da natureza. No dia a dia, porém, a antiga Veadeiros cada vez mais abandona sua ligação com o natural, para assumir o sobrenatural". Inúmeras realizam seus rituais em Alto Paraíso de Goiás. Geralmente vivendo em comunidades , seus seguidores cultuam a natureza e a divindade, dispersa em todas as coisas. ‘Ergam’, líder de várias dessas seitas, teria sido avisado por extraterrestres para sair de Campinas, sua antiga cidade, e fundar essas comunidades. Ergam diz ter contatos periódicos com os extraterrestres. Mesmo em adesivos de carros, pode-se encontrar: Eu acredito em Duendes, ou Eu acredito em Fadas, etc. Cada um desses ‘seres’ refletiria um estágio da evolução divina. Os Duendes e Gnomos, por exemplo, referem-se ao estágio mineral. Já a Fada, é relacionada com o estágio vegetal.

A tal ponto está difundido o esoterismo, que não é difícil encontrar recortes de jornais sobre esse tema. Aliás, é interessante notar que todas as segundas feiras o Correio Braziliense traz uma página de seu ‘Caderno Dois’ dedicado ao tema esotérico, e isso já há quase dois anos. Em uma dessas matérias, lê-se: Energia diferente na cidade: "Quem duvida que Brasília é mística tem mais uma razão para acreditar nos que vêm ao Planalto Central em busca de esoterismo. Pelo menos três locais da cidade concentram uma energia diferente. Essas interferências têm os seus pontos de origem perfeitamente detectados: a Ermida D. Bosco, o Memorial JK e a estátua de S. João que fica na entrada da Catedral. A notícia foi transmitida pela secretária de Turismo do DF, Maria de Lourdes Abadia, a dezenas de sisudos empresários reunidos na sede da Federação do Comércio do DF. (...) Além do turismo esotérico, a secretária quer investir também no chamado ecoturismo...". Em um cartaz, afixado na UnB, lia-se: "Maharishi Mahesh Yogi, fundador da Meditação Transcendental e do MT-Sidhis; Fundador da Ciência Védica e das Universidades Védicas Maharishi; Fundador dos programas para criar uma sociedade livre de problemas, doenças e conflitos. Procura-se [sic] 200 Pioneiros para criar o Governo da Natureza - Meditação Transcendental... Vamos dar uma chance ao DF e ao Brasil! 5º-feira, 27/10 [94], às 12:00h. - anfiteatro 10 (Ala Sul)".

Em todos os campos da atividade humana a Nova Era parece já ter penetrado, ainda que de forma quase imperceptível. Espalhando-se como um câncer em um moribundo (a sociedade nascida na Revolução Francesa), o movimento Nova Era junta fiéis e levanta altares. Desde a filosofia, até a medicina; desde a metafísica, até a física, parece que a influência da Nova Era se faz sentir. A tal ponto essa influência é sensível que a chamada Pós-modernidade não pode ser analisada sem se mencionar o seu lado esotérico, como será visto na próxima parte deste trabalho. Capítulo 4 O Ressurgimento do Satanismo Há uma outra realidade, paralela e colateral ao Movimento Nova Era, que é a volta do antigo satanismo. A tal ponto o satanismo é uma realidade na civilização moderna, e Pós-moderna, que muitos pesquisadores passaram a estudá-lo.


Autor: Frederico Viotti (Parte IV de sua tese)
FONTE: Internet - doc PDF

sábado, 3 de abril de 2010

Desculpe por não falar em rosas!

O poeta hoje em dia
se esquece
de fazer poesia,
mas se aquece
c’a melodia
que a Vida lhe oferecer!
Não sofre nem uma ansiedade,
enxerga o que outro não vê,
ah, seu poeta maluco,
escuto
o que tens a dizer,
me diga o que há de ser:

“-A Vida,
minha amiga,
quando parece escurecer,
é que tá chegando um dia
pra tudo de novo ocorrer!
Já pensou como é que seria
tão fria a ilusão,
se o que a gente quisesse,
viesse
na nossa mão?
Desculpe toda essa pressa,
perdoe o que acontece,
é que na Igreja em que eu moro
não oro
bem uma prece...
Nem sempre o que digo interessa,
não ache que eu gosto disso.

Pior que um mago sem feitiço
é um poeta sem prosa.

Desculpe por não falar em rosas!

(© MCMLXXXVI by alcanu)

(FONTE: Overmundo)