segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Fim da História e o Último Homem...

Em 1989, Francis Fukuyama publicou um artigo em que afirmava que o surgimento dos movimentos reformistas na então União Soviética e na Europa Oriental, além da propagação da cultura do consumo em escala mundial, marcava a vitória do Ocidente, do mundo capitalista. Os resultados daquilo que Fukuyama tão habilmente percebera nos movimentos emergentes começaram a se mostrar corretos. Algo como a realidade dando munição para uma teoria de natureza explosiva.

A partir daquele artigo, publicado em uma revista especializada e de circulação restrita, acendeu-se o estopim de uma acirrada discussão, que se propagou em todos os meios após a publicação do livro. Afinal, entrou em debate o rumo da História ou, mais sísmico, o fim, no sentido hegeliano, do que se entende por História.

Em seu estudo, Fukuyama toma como referência não só a noção de Hegel, mas também a de Marx. Para ambos, diz o autor, a evolução das sociedades humanas não era ilimitada, mas terminaria quando a humanidade alcançasse uma forma de sociedade que pudesse satisfazer suas aspirações mais profundas e fundamentais. Neste sentido, os dois pensadores previram um "fim da história". Para Hegel, tal fim seria o Estado liberal; para Marx e sociedade comunista.

No centro da argumentação de Francis Fukuyama o que vamos encontrar é, antes de tudo, a observação de que existe atualmente, no mundo todo, um consenso ideológico quanto à legitimidade e à viabilidade da democracia liberal. O fracasso das forças comunistas no Ocidente dá a Fukuyama fios resistentes para a confecção da trama de suas idéias. A partir daí, instala-se a inevitável e essencial discussão, calorosa, sem dúvida, e que demonstra a importância da reflexão de Francis Fukuyama sobre o destino do homem e da sociedade.

Esta sinopse é daqui...

domingo, 21 de agosto de 2011

Desenha-me uma Canção...

Com o projecto Draw me a song™ (Desenha-me uma canção), vencedor do Prémio de Criatividade promovido pelo Deutsche Bank em 2011, Nour dá vida a conhecidas músicas. Faz-nos entrar num universo paralelo e fantasioso onde letras, histórias e cor se fundem na materialização de um mundo sensorial de onde não apetece sair.

Ao desenhar as canções que nos dançam nos lábios, Nour dá o mote para o complemento perfeito: imagem e som juntos estimulam os sentidos.

sábado, 20 de agosto de 2011

Cronópio Ciclope...


Estigmatizando o viver
Transvestindo as hipocrisias
Dilacerando as máscaras
De tantas falsas aparências

Encontro a essência dum Mundo
Delirando na poeira do caos

Mundo gira...

Traz-me
O essencial do ser
Que sempre quis: Ser

Palavras... Poesias...

Apenas uma lírica
Que pudesse, como uma fecha,
Atingir um Coração

Mundo roda – vem

Como numa canção
E toca em nossos corações
Todas amiúdes verdades
Dos devaneios que torturam
As cores indecifráveis
Na Vênus imaginação
Em Vênias solicitudes...

Rio Acre

                                                                                       Fotografia de Val Fernandes - rio Acre 
Quero rio do Rio...
De tanto rir
Do rio dessa Cidade

Sem o navegar
De Dantes...

Riso do meu Pranto
Dum manto não Preto...
Mas Branco
Do branco rio
De Rio Branco!...

Onde os marujos portugueses
Com suas Brancas Máscaras
Da Negra Colonização
Não conseguiram ultrapassar

E nem navegar...

Pois longas são suas Margens
Em correntezas
De tantas memórias
que chora...

Protegida pelo branco rio
De Rio Branco
És, nos doces lábios,
 denso fluxo ardente:

Meu belo Rio Acre!..

Já nem choro
Nem rio
So[(u]r)rio...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

l'important c'est la rose...

Saigon...

Mi eterno amor secreto...

Willy el Soñador...

Anthony Browne es considerado uno de los principales creadores de libros-álbum en el mundo y ha sido traducido a más de quince idiomas. En WILLY EL SOÑADOR, sus maravillosas ilustraciones parecen formar una galería de cuadros surrealistas donde cada detalle habla del mismo modo como nosotros relacionamos los objetos y sus significados en el mundo de los sueños.
En este libro, nos reencontramos con el simpático chimpancé que es uno de sus más queridos personajes y que ha protagonizado gran parte de su obra. A nuestro amigo Willy le encanta soñar y a través de cada página veremos cómo él se transforma en una estrella de cine, en un pintor, un bailarín de ballet, un monstruo feroz o un divertido superhéroe.
Puedes pasar horas mirando y riendo con cada una de estas imágenes, recordando clásicos personajes de los cuentos infantiles que se esconden en sus rincones y descifrando junto a tus hijos todo el humor y el ingenio de sus infinitos secretos... Confira neste link...

Anthony Browne...

Anthony Browne, nacido en Inglaterra hace 50 años, ha logrado con sus libros-álbum lo que pocos autores-ilustadores alcanzan: cautivar por igual al público adulto, al especialista y al infantil. Sus libros han sido merecedores de la medalla Kate Greenaway en dos ocasiones y la candidatura al premio Andersen. Además ha ganado la simpatía de muchos niños que le escriben con frecuencia con personajes como Willy.

En sus historias e ilustraciones conviven lo humorístico con el mundo íntimo de sus personajes, la técnica realista con elementos surrealistas para el lector atento, animales antropomórficos con seres humanos que se comportan como animales, gorilas con ruda apariencia pero de tiernos sentimientos, niños sumisos y miedosos con niños dominantes y buscapleitos...

La vida de José va a experimentar un gran cambio, según le cuenta su padre por la mañana. Todo comienza a cambiar: la zapatilla se convierte en una gaviota, el sofá es un cocodrilo… ¿Será el cambio al que se refiere su padre? No, porque el cambio que sufrirá será otro.

Este libro plantea como la llegada de un nuevo miembro a la familia produce cambios inesperados en el protagonista. Un álbum que plantea un extraño y divertido juego de imágenes.

“Esta mañana su papá había dicho a José que las cosas iban a cambiar.

Leer libros álbum con los hijos es una de las mejores maneras de compartir el tiempo”. Anthony Browe es uno de los más distinguidos referentes.
 
Eis aqui a fonte...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Woody Allen e Vicky Cristina Barcelona...

Outro dia, numa sala de aula (momento de intervalo), ouvir duas colegas comentando sobre o filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, pelo entusiasmo e a empolgação da conversa, cheguei a pensar que fosse o melhor filme dele; pois ainda não assisti, mas já está na lista para minha próxima sessão solitária, isso é, se a locadora de filmes cumprir com o que disse... Oh, mas que atraso de vida cinematográfica é essa cidade; além de faltar um bom cinema, as locadoras nunca renovam seus filmes...

A verdade mesmo (estou ansiosa para assistir a qualquer filme de Wood Allen) é que eu gostaria de ser, ao menos, uma medíocre crítica de cinema para fazer um extraordinário comentário sobre este gênio e suas produções, contudo uma reles cidadã comum, assim como eu, tem mesmo é que se contentar apenas com o encantamento proporcionado com a arte genial deste artista consagrado... Por isso, ficarei apenas com a vaga recordação do primeiro contato que tive com Woody Allen, na minha adolescência, através do livro de contos Cuca Fundida... A partir de então comecei a conhecer seus filmes, assistindo aos três primeiros: Tudo que você precisa saber sobre sexo, Noivo neurótico, noiva nervosa e Sonhos de um Sedutor... depois veio uma sequência indescritível...

Naquele momento da minha vida, sem cinema nessa cidade, perante o provincianismo que (impera) vivíamos em Rio Branco, com a total falta de informação, fui muito criticada e pouco compreendida pela aquisição daquele livro de contos, enfim: foi uma paixão à primeira leitura... Pouco me recordo sobre os contos (já faz tanto tempo que os li e não tenho tempo para fazer uma releitura), mas muito também me chamou a atenção foi à apresentação do tradutor Ruy Castro; em poucas palavras, ele descreve a dramática trajetória da vida pobre que Wood Allen teve em Booklyn...

Ele, o tradutor, inicia a apresentação falando sobre um grande escritor americano, chamado Nathanael West, que tinha um calo no dedo e que doía muito ao escrever... E, “o que tem isso a ver com Wood Allen?”, ao que parece nada tem a ver, mas Rui Castro responde: “Pensando bem, os dois têm uma coisa em comum: ambos se especializaram em vender neuroses”, logo eu penso: deve ser por conta da dor que sentem, na alma, ao escrever... E é exatamente a expressiva capacidade de brincar com a neurose, em toda sua produtividade, que Woody Allen tanto me fascina, como no filme Vicky Cristina Barcelona... 
 
 Vejamos o  que me disse este link:

“Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), Woody Allen lembra uma piada antiga. Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". À piada segue uma pequena, porém brilhante, reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".

Absolutamente coerente com a "filosofia dos ovos", depois de tantos anos esmiuçando os paradoxos do romance, Woody Allen ainda tem muito o que dizer sobre a irracionalidade, a maluquice, os absurdos de um relacionamento amoroso. Vicky Cristina Barcelona tem esse mesmo leitmotiv. Mas o tratamento aqui é outro. Há uma leveza maior sem, no entanto, banalizar ou simplificar as emoções dos personagens. Talvez o tempo tenha amenizado a angústia e o diretor e roteirista tenha compreendido que algumas coisas nem sempre podem ser analisadas de forma racional e cartesiana. Às vezes, nem um analista ajuda.”...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Um Militante contra a Hipocrisia...


Poucos escritores causaram tanto escândalo em seu tempo, e mesmo além dele, quanto o americano Henry Miller. Nascido em 1891, Miller escolheu Paris para viver, mas não como os bem sucedidos autores que residem na Cidade Luz, usufruindo da fama. Henry Miller tinha quase 50 anos quando publicou seu primeiro livro, Tropic of Cancer, uma narrativa confessional como as de Santo Agostinho ou Rousseau, mas baseada em suas experiências com as prostitutas francesas.

Nenhum escritor soube valorizar tanto a putaria como ele. Havia um rito sacro e mistérios cósmicos em cada trepada descrita. O sucesso foi imediato, e a censura também. O livro foi proibido em várias partes do mundo, e foi o que o promoveu, é claro. Na década de 30 a descrição crua do sexo, embora apaixonada e sincera, feria suscetibilidades. O livro passou a ser referência para masturbações adolescentes, e sua dimensão artística foi sufocada. Mas Miller chegara para ficar, e logo lançou "Tropic of Capricorn".

A sexualidade desenfreada

Para Henry Miller, descrever os homens em seu sexualismo extremo era uma obrigação da literatura moderna, conforme suas próprias palavras numa entrevista: "na realidade pouca revolta de qualquer espécie é permitida ao homem moderno. Ele já não age, ele reage. Ele é a vítima que, afinal, veio a ser apanhada na sua própria armadilha".

Em seus livros, Miller dá ao sexo uma dimensão sacra. Os personagens chafurdam na lama, são descritos com franqueza quase pornográfica, mas com tal naturalidade de estilo e humor que assumem uma grandeza indiscutível. A crítica literária européia saudou Miller como a culminância de uma corrente literária que remonta ao século XVIII.

A crucificação encarnada

Henry Miller tornou-se um clássico absoluto quando publicou a trilogia "Sexus, Plexus, Nexus"... Aqui, para continuar a leitura... 

domingo, 14 de agosto de 2011

Hay Milonga de Amor...

Com a escrita Presente: Sinto o Aroma Forte da tua Ausência...

Olha eu, novamente, cheia de saudades, às vezes, desistindo e resistindo, mas existo: eis a essência do meu ser que me impossibilita qualquer encontro consumista...

Aqui, na solidão e no silêncio da tua ausência; envolta dessa imensidão verde: fiquei pensando em ti (mais uma vez delirando com o cheiro forte das tuas palavras), e com o desejo que consome meu corpo, lembrei que as tramas do Tempo que nos aproximaram, se entrelaçaram, se fragmentaram e, secularmente, foram ignoradas; abarcaram todas as possibilidades dos encontros que constroem a vida.... Nós existimos na maioria desses tempos. Tempo que, em alguns momentos, existiram o Outro, tu e eu; eu em ti, e todos os outros em nós dois...

Assim, foi quando eu compreendi que a linguagem é uma pele, então esfreguei minha língua em ti e senti que a única palavra que exige a verdade é esta: a linguagem do teu corpo... Por isso, eu sinto: existo para me consumir em desejos e, na solidão de um mundo sem fim, embeber-me com o cheiro forte da saudade... Sofro com a dor da tua ausência e sentindo medo do teu corpo próximo ao meu: dissolvo-me de tanto prazer, por quê?:
Disseram-me, um dia...
Que o orgasmo é:
Um instante sem dor
De loucuras e desejos

Em sedentos movimentos

Mãos que seguram
E tudo escapam

Corpos que são...
A turbulência de dois rios
Quando se encontram

Introduzi meu desejo
Em teu corpo

Derramei minha carência
Por sobre ti

Escorri por entre
Tuas pernas

Essa foi minha única saída
Sob o teu líquido
Que me banhou

Curei-me no teu hálito
Que habitou
A pátria do meu desejo

E, embriaguei-me
Com teu cheiro forte de prazer

Nós saímos da Real...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mentiras...

Nossa Aquarela...

Tranque também o seu!...

                                                                                           A Imagem é daqui...
Meu Brasil, meu Brasil brasileiro: amo-te porque te amo, mas jamais saberei da onde vem tanto amor por ser brasileira (isto é uma desculpa para não falar sobre assuntos sérios)... Talvez conhecendo nossas origens portuguesas, quem sabe, hein?, eu encontre alguma explicação para tantas incompreensões...

Enquanto hoje uns comemoram os 50 anos do início duma  construção democrática no Muro de Cimento (Muro de Berlim), outros recordam a Queda deste Muro como início doutra democracia, e o Fim da Guerra Fria, porém meu medo foi de que tenha sido o início duma Guerra Quente: ai, ai!... Sempre imaginei que democracia fosse apenas uma palavra, que funciona como uma mola propulsora ou impulsionadora, no discurso daqueles seres que almejam o Poder, ao ler o artigo abaixo, de quem conhece a História do Brasil (nem foi necessário ir tão longe), acabei por esclarecer algumas dúvidas:

“Em russo, espanhol e inglês - para que todos pudessem compreender - havia, no aeroporto de Havana, a seguinte mensagem: "Cuba é uma nação livre, soberana e independente. O governo é democrático, revolucionário e comunista. Aqui não há fome, exploração ou injustiça social. Não admitimos prostituição, drogas ou qualquer outra forma de depravação inerente ao capitalismo. Numa sociedade em que todos são iguais, não ocorrem furtos, roubos ou corrupção".

Isso me foi contado por entusiasmados colegas de faculdade na década de 1970. No mundo universitário, então, o marxismo imperava. Pobre de quem não compartilhasse o seu credo: era discriminado e banido do convívio acadêmico. Perguntava-me eu: por que motivo aqueles que pregam a inclusão social são os primeiros a tentar excluir?

Quem exercia o poder no Brasil eram os militares e seus simpatizantes. E a nós, estudantes e mestres, restava defender ideias opostas. Para tanto o marxismo vinha muito a calhar. Até mesmo eu, na época, me considerava um socialista light. Sempre que afirmava isso, logo aparecia alguém para me desmentir: "Você não passa de um liberal". Mais de duas décadas e meia após a redemocratização do País, a antiga polarização acabou. O pessoal da faculdade tinha razão: eu sempre fui mesmo um liberal. O problema é que não me dava conta disso.

Agora, à luz da História, a gente percebe que nada daquilo fazia sentido. Nem os militares brasileiros se comportaram como radicais de direita, nem os irmãos Castro, em Cuba, dirigem um governo de esquerda. De um lado e de outro, as ditaduras não são mais do que isto: ditaduras.
(...)
Nos lugares onde foi implantado, o socialismo falhou. Depois da queda do Muro de Berlim, então, nem sequer a visão marxista da sociedade sobreviveu.
(...)
A culpa, como sempre, é atribuída aos outros. Perversa é a sociedade, não nós... Somos inocentes porque estamos denunciando e criticando tudo isso.
(...)
Os nossos bravos sindicalistas e intelectuais - nos quais o sangue socialista ainda ferve nas veias - se dispõem a tudo, desde que, ao final, prevaleça a "causa justa". Vale roubar, matar ou até morrer, se for necessário. Eles não ficam com a consciência pesada? Não. Acreditam piamente que moralidade "é coisa de pequeno burguês".

O nosso "ex-presidente proletário" ganhou fama, nos meios políticos, de transigente e negociador. Faz qualquer coisa para manter o poder. Para lograr tal intento e eleger a sua sucessora ele cedeu diversos órgãos governamentais ao comando dos demais partidos. E, pelo que se vê agora, o negócio foi feito de porteira fechada, ou seja, cada um cuida de si.
(...)
Enquanto isso, o que se ouve lá pelos lados do Planalto Central é que, dia desses, um indivíduo estacionou o seu veículo bem em frente da rampa de certo palácio. A o sentinela se aproximou: "O senhor não pode parar aí! É por aqui que passam as autoridades!".

"Não se preocupe, seu guarda. Eu tranquei o carro!". Para ler o artigo, de João Mellão Neto, em O Estado de S. Paulo

Ahahahahahahah!!!...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Con la Mano Levantá...

O Animal da Floresta...

De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.
Thiago de Mello 

O Clamor de um Poeta...

Conhecendo a determinação da historicidade dos Homens que, verdadeiramente, construíram a história brasileira, percebe-se que o Brasil ditatorial é bem semelhante ao Brasil atual com a ditadura da democracia:

"Thiago de Mello nasceu há 85 anos na pequena cidade de Barreirinha, no Amazonas. Cedo foi pro Rio de Janeiro, onde trabalhou como ajudante de cozinha em troca de comida e estudos. Sua atividade como poeta, que completou 55 anos, o projetou mundialmente. Uma poesia sempre combativa e humanista, marcada pela simplicidade, alheia a modismos e experimentação.

Em entrevista ao Dom Total, Thiago recorda o período de 1961 a 1964, quando trabalhou como adido cultural em Santiago do Chile, mas foi afastado do cargo por acolher refugiados políticos brasileiros em sua casa, contrariando a orientação dos militares. Foi preso na época em que as ditaduras militares se apoderaram de toda a América Latina, por participar ativamente na Organização Revolucionária do Chile, quando se tornou amigo íntimo do poeta Pablo Neruda, Prêmio Nobel de Literatura no ano de 1971.

De volta ao Brasil, Thiago retornou à sua Barreirinha para uma vida marcada pela simplicidade em contato com a natureza. Mas mesmo afastado dos grandes centros, sua poesia ainda ecoa em todo o planeta, principalmente sua obra-prima, Os Estatutos do Homem, uma ode à liberdade e aos direitos humanos.

Durante sua vida, Thiago ameaçou várias vezes abandonar a poesia, mas a poesia nunca o abandonou. E ele segue escrevendo uma obra que hoje, acima de tudo, traz o clamor dirigido aos quatro cantos do mundo, chamando a atenção do Brasil para a devastação do planeta, a começar pela floresta Amazônica. Confira em Dom Total a entrevista, realizada pelo jornalista Marco Lacerda e no áudio a entrevista completa...