terça-feira, 27 de abril de 2010

Cantiga...

                        Bartolomeo Manfredi, Lute Playing

Que de meus olhos partais,
em qualquer parte qu’esteis,
em meu coraçam ficais
e nêle vos converteis.


Est’é o vosso lugar,
em que mais certa vos vejo,
porque nam quer meu desejo
que vos d’i possais mudar.
E por isso, que partais,
em qualquer parte qu’esteis,
em meu coraçam ficais,
pois nêle vos converteis.


in «Os Dias do Amor», por Inês Ramos,
Ver Ref.s em Livros de Apoio

    (FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)                   


Primeiro Poema do Amor Difícil...

                                                                                                  Alcides Beirão, Jarros II, 1999


 Devolveste-me o sem sentido original
das coisas
Devolveste-me as ruas ao natural
as ruas só por si
as ruas estoirando liberdade por todas as frestas
das pedras
as ruas em que dantes pesavas
me oprimias
as ruas que dantes eram tu
tu apenas tu em todas as esquinas
de lado a lado nas paredes
que me estreitavam até gritar
o teu nome

Devolveste-me as ruas livres
descomprometidas
as ruas sem nome sem encontros sem sentido
as ruas que se despem às estrelas
para ninguém
Devolveste-me as árvores
as árvores apenas elas mesmas
no impulso lenhoso dos seus ramos
na sua casca áspera
nas suas casuais flores
para ninguém colher

Devolveste-me o tempo fluindo sem margens
sem fronteiras
as madrugadas espantadas de existirem
as madrugadas sem ninguém à espera

Devolveste-me as noites fruto fechado sobre si
o céu sozinho

As estrelas já não se juntam
para escrever o teu nome
existem
resistem em seu lugar
de olhos muito abertos e brilhantes
sem lágrimas

Devolveste-me os Cafés
cheios de gente que afinal
existe

Devolveste-me o tampo liso das mesas
sua lúcida certeza
de estar só

Devolveste-me as algibeiras sem nada
corajosamente sem nada
só para meter as mãos

Devolveste-me o deslizar dos barcos no rio
sua orgulhosa serenidade
Não mais terás que ver
com barcos e comboios chegando
e partindo

Todos os comboios e barcos partem
e chegam
sem ti
Todos são iguais
e livres
e inúteis

Me encontro
de novo
a sós com as coisas
As mãos sem nada nas algibeiras vazias

me lanço nas ruas com furor
acamarado com sua brutal nudez
sem disfarce
 Sabemos que nada temos para trocar
que existimos cada um em seu lugar
sabemos

que apenas nos podemos dar
inteiros
sem paixão
distintos

Ruas paredes pedras
árvores ruas
luas barcos mastros
te devemos
nossa solidão recuperada


In"Os dedos os dias as palavras", Porto: Editora Figueirinhas, 198

(FONTE: Poetas Apaixonados – Poesia de Amor de autores portugueses)

sábado, 10 de abril de 2010

A Particula da Vida...

Lemos um poema escrito por Pierre Weil, em seu livro A Revolução Silenciosa, no qual ele resume o que entende como sendo as sucessivas reencarnações da divindade, que é parte e é todo:

"Sou desprovido de Nome, porque todo nome me limita
Porém, muitos nomes me deram.
Sou Brahman. Sou Brahma, Vishnu e Shiva,
O que cria, mantém e dissolve. Sou Jahve. Sou Buda.
Sou Cristo. Sou o Pai, com ou sem barba. Sou o Filho.
Sou o Espírito Santo. Sou Allah, Sou Alfa e ômega, o começo e o fim. (...)
Sou energia. Sou a natureza. Sou o Verbo. (...)
Sou consciência. Sou Deus. Sou o Eterno. Sou Universo. (...)
Sou você dentro do teu corpo. Sou também o teu próprio corpo.
Sou a vida que me torna eterno. (...)
Sou as partes que estão no todo. Sou o todo que está em todas as partes.
(...) Sou o homem. Sou a mulher. (...)
Sou sujeito, sou objeto, sou espaço entre os dois. (...)
Sou o autor. Sou o ator. Sou o papel. Sou a peça. Sou o espectador. (...)
Sou zero. Sou um (...)
Como infinito eu permeio todo finito.
Como finito volto sempre a ser o infinito.
Como eterno desfruto do tempo.
Como tempo me dissolvo no eterno. (...)
Enfim sou a tua alma
através da qual desfruto da imensa bem-aventurança
de ser consciente da própria bem-aventurança."

Autor: Frederico Viotti (Parte IV de sua tese)

O Movimento "New Age" e a Mística Panteísta da Criação


"O que será aqui escrito é fruto de uma vasta pesquisa junto a várias organizações que se dizem explicitamente gnósticas e da leitura de diversos livros que tratam deste assunto. Um dos livros mais importantes, e que será citado várias vezes, é A Conspiração Aquariana, de Merilyn Ferguson, considerado um dos principais documentos sobre a "Nova Era".

Capítulo 1

O Movimento "New Age"

Como demonstrado na parte anterior deste trabalho, a Renascença representou um início de ruptura com o teocentrismo. Essa ruptura pode ser percebida em diversos autores renascentistas, como Giordano Bruno, M. Ficino, Pinponaze, Pico della Mirandola, etc.

Giordano Bruno, nasceu em Nola (Nápoles), em 1548 e morreu em Roma a 17 de fevereiro de 1600. Fascinado, como ele mesmo dizia, pelos ensinamentos de Heráclito, Parmênides, Demócrito, Lucrécio e Plotino. "(...) De volta a Paris, o seu violento antiaristotelismo provocou tumultos entre os estudantes... passando à Alemanha, primeiro a Wittenberg, onde se inscreveu na igreja luterana, mas onde permaneceu pouco tempo, despedindo-se com ‘oratio valedictoria’, cheia de exaltação de Lutero. (...) Nem toda a sua doutrina teve igual sorte; mas a imanência da Divindade no

Universo foi tese muito estimada pelos espinosistas, hegelianos e respectivos sequazes, próximos ou longínquos; e o conceito de mónada, como mínimo e máximo ao mesmo tempo, encontrou boa aceitação junto dos leibnizianos" .

A doutrina de fundo de Giordano Bruno, assim como a do movimento "Nova Era", é a gnose. O termo ‘gnose’ foi inicialmente utilizado, na tradição helenística, para designar o ‘saber’, o ‘conhecimento’, etc. Com o advento do Renascimento, a palavra ‘gnose’ tomou uma conotação mística e religiosa, misturando-se com a magia e com seitas esotéricas propugnadoras

do panteísmo e do monismo. Pode-se também argumentar que o primeiro sentido da palavra ‘gnose’ (conhecimento), refere-se ao conhecimento da transcendência da verdade e, por efeito, da transcendência de Deus.

O segundo sentido da palavra ‘gnose’, empregado pelos esotéricos, ao invés de se referir ao conhecimento da transcendência de Deus, refere-se à imanência: auto-conhecimento. Nesse sentido, é possível dizer que o significado do termo ‘gnose’ não se alterou, pois em ambos os casos ele se refere ao ato de conhecer. O que houve foi uma alteração no objeto a ser conhecido, não mais exterior ao homem, mas imanente à natureza. Só há duas possibilidades lógicas de se conceber Deus, ou se imagina um Deus transcendente e superior; ou se considera a Deus - ou a divindade - como um ser imanente e, por conseqüência, igual aos homens.

O movimento ‘Nova Era’, na realidade, não passa de uma reedição das doutrinas que influenciaram a Renascença, tanto a defendida por Parmênides e por Heráclito, quanto a que os Estóicos propugnaram na sua concepção de que o fogo (divindade) se mistura em toda a matéria. Ao mesmo tempo, existe um caminhar seguro rumo a uma mística de origem oriental, budista e hinduísta. O texto, transcrito em seguida, é de Pico della Mirandola, extraído do livro A Conspiração Aquariana:

"Com liberdade de opção e com dignidade, como criador e modelador de si mesmo o homem pode assumir a forma que preferir. Terá a força para gerar nas formas inferiores de vida, que são irracionais. Terá a força partindo do julgamento da alma, para renascer em formas superiores".

É interessante comparar o texto seguinte, de Marilyn Ferguson, com a escola de Eléia (Parmênides):

"(...)E traímos a integridade, a não-distinção, separando tudo que vemos, de modo que nos escapa a conexão latente entre todas as coisas do universo."

No final do mesmo livro, escreve a autora:

"O mundo novo é o Antigo - Transformado".

Pierre Weil, em seu livro Nova Linguagem Holística - Um guia alfabético, define a Nova Era: "Movimento holístico de renovação dos valores fundamentais de nossa sociedade, através de uma mudança de paradigma.

Traduz-se por:
- Um aspecto ecológico, o respeito à harmonia da natureza.

- Um retorno à simplicidade da existência.

- Uma seleção criteriosa e consciente dos verdadeiros aspectos positivos do progresso técnico em relação a estes valores holísticos.

- O desenvolvimento interior, através dos diferentes métodos de holopraxia [meditação que leva à iluminação].

- O desenvolvimento de comunidades que apresentem as condições favoráveis a esta evolução e estimulem-na.

- A não violência.

- Uma Economia, Educação e Medicina Holística.

- Uma política holística

Em todos os países do mundo, encontramos pessoas e grupos chamados por Roger Garaudy de ‘Mutantes’, sujeitos a uma mudança profunda e radical de características Holocêntricas [perceber que formam parte do ‘holos’, de uma mesma realidade panteísta]; trata-se de uma metamorfose, de uma revolução silenciosa que se inscreve no cicloevolução-involução do Cosmo, da Humanidade e dos seres humanos."

Esse movimento holístico culminaria com a chamada ‘Era de Aquários’, onde o ser humano perceberia a sua íntima união com o holos (todo), formando uma só realidade, uma só energia. Ou, em outras palavras, o homem perceberia a sua identidade com o ‘pan’, de onde todos vieram e para onde todos vão.

Eis o homem do terceiro milênio, como defendem os adeptos da ‘Nova Era’, um ser evoluído e superior, que percebe a sua natureza divina. A ‘Era de Aquários’ surgiria com o fim da ‘Era de Peixes’, que segundo dizem, simboliza o Cristianismo.

A) Panteísmo, Monismo e Evolucionismo Reencarnacionista

A filosofia básica da Nova Era é o Monismo e o Panteísmo, de origem hinduísta e budista. Segundo essas doutrinas, existe apenas uma realidade, que é a energia cósmica, o resto é o "maya" (ilusão) (Monismo). Toda a diversidade de seres é uma ilusão dos sentidos, que tende a ver diferenças onde só existe igualdade. Tudo é uma manifestação de uma mesma energia cósmica. Energia esta que é divina e espalhada em todas as coisas (Panteísmo).

Escreve Marilyn Ferguson sobre a imanência de Deus:

"Todos os espíritos são um só. Cada um é uma centelha do espírito original, e este espírito é inerente a todos os espíritos. O budismo afirma que todos os seres humanos são Budas, mas nem todos despertam para sua verdadeira natureza. Ioga, literalmente, significa ‘união’. A iluminação plena é um voto para salvar ‘todos os seres sencientes’. (...) Você está ligado a um grande Eu: ‘Tat tvam assi’. ‘Tu és Aquilo’. E como o Eu é inclusivo, você está ligado a todos os outros. (...)

No conto de J. D. Salinger, "Teddy", um jovem espiritualmente precoce recorda a experiência com o Deus imanente vivida ao observar sua irmãzinha tomar leite. ‘...De repente percebi que ela era Deus e o leite era Deus. Isto é, o que ela fazia era despejar Deus dentro de Deus... (...).

Uma vez que se tenha chegado à essência da experiência religiosa, perguntou Meister Eckhart, para que se necessitará da forma? ‘Ninguém pode conhecer Deus antes de conhecer a si mesmo’, disse Eckhart a seus seguidores medievais. ‘Vá às profundezas do espírito, o lugar secreto ... às raízes, às alturas; tudo que Deus pode fazer está ali centrado."

De forma resumida, podemos descrever o evolucionismo da Nova Era da seguinte forma: Do Absoluto (energia primeira que alguns chamam de Deus) emanaria uma faísca (mônada ) que chega na terra primeiro em estado mineral. Essa faísca seria a essência da vida, ou, em outras palavras, a própria vida, é a partícula divina espalhada em todas as coisas. Esta partícula como que ‘vive’ em forma de mineral. Essa essência passa do reino inferior para o superior (aqui eles acabam implicitamente admitindo a hierarquia), do mineral para o vegetal. Após milhares de anos aquela essência primeira se torna um vegetal. Após mais alguns milhares de anos, essa partícula divina entra no reino animal. Dependendo da corrente gnóstica, o gato seria o animal mais evoluído, especialmente o gato preto, último estágio anterior ao homem.

Por fim, essa partícula divina entra no estado humano, em que existem, também dependendo da corrente gnóstica, 108 encarnações, onde o homem deve buscar se auto-conhecer, chegar à iluminação (budismo). Se durante 108 reencarnações esse infeliz não conseguiu se iluminar, ele regride do estado humano para o animal, deste para o vegetal, até chegar, novamente, ao estado mineral. Em chegando ao mineral, começa de novo as encarnações evolutivas da partícula divina até o homem e, assim mais 108 reencarnações na fase humana, isso durante 3.000 vezes, ou, como chamam, 3.000 ciclos. Ou seja, a evolução do estado mineral até o homem e a involução do homem ao mineral, se ele não consegue se iluminar, pode ocorrer até 3.000 vezes.

Quem se iluminou sobe de volta à energia cósmica primeira, ao Absoluto, onde ficará em uma espécie de nirvana eterno, dentro de uma consciência coletiva, sem individualidade, pois percebeu, através da iluminação, que ele faz parte de um todo (holos) energético, sem diferenciações, onde todos são um e um são todos.

Com efeito, assinala Pierre Weil:

"Holos significa a Totalidade do Ser com sua característica holonômica [não haver dualidade entre sujeito e objeto, todos formam uma mesma realidade cósmica] essencial de um Todo aberto que compõe todos os fenômenos que são inseparáveis dele e o são ao mesmo tempo.

Holos é, pois, a característica do Ser de não poder ser de maneira alguma definido em razão de sua Não-Dualidade: Nem Um, nem Dois, nem Vários, sendo Um e Dois e Vários. É uma palavra que se pretende não-dual, contrariamente às características da linguagem. Ou, ainda, o Todo se encontra em todas as partes."

Após a iluminação o homem poderia escolher entre voltar à energia pura, ir para outros planetas ou ficar aqui mesmo, na terra, em forma de ‘Devas’. Devas são guias mestres, pessoas iluminadas que resolvem ficar para iluminar outras.

No livro A Conspiração Aquariana, temos a seguinte narração da evolução espiritual: "O caminho para o conhecimento direto é ilustrado poeticamente em uma série de gravuras da China do século XII, conhecida como as dez gravuras do arrebanhamento do boi. O boi representa a ‘natureza suprema’ [a energia cósmica divina]. De início (Procurando o Boi), a pessoa que procura se põe a buscar alguma coisa de que tem apenas uma vaga idéia. Depois (Encontrando os Rastros), percebe nos traços de sua própria consciência que na realidade existe um boi. Após algum tempo (O Primeiro Vislumbre), passa pela primeira experiência direta e sabe então que o boi é onipresente. A seguir (Agarrando o Boi), entrega-se a práticas espirituais avançadas que a ajudarão a lidar com a força selvagem do boi. Gradualmente (Domando o Boi), chega a um relacionamento mais íntimo, mais sutil, com a natureza suprema. Nessa fase, a pessoa empreendendo a busca desaprende muitas das diferenças úteis em estágios anteriores. "O boi é agora um companheiro livre, não um instrumento para arar o campo do esclarecimento", escreve Lex Hixo, mestre de meditação, em seu sensível comentário sobre os quadros. No estágio da iluminação (Levando o Boi para Casa), o ex-discípulo, agora um sábio, percebe que as disciplinas não eram necessárias - o esclarecimento esteve sempre ao alcance. Em seguida (O Boi Esquecido, Eu Só e O Boi e o Eu Esquecidos), chega ainda mais perto da consciência pura e descobre que não existe um sábio iluminado. Não há esclarecimento. Não há santidade porque tudo é sagrado. O profano é sagrado. Todos são sábios à espera de uma oportunidade. Na penúltima fase (Retorno à Fonte), o sábio em sua busca se amalgama com o reino que gera o mundo dos fenômenos. Surge um cenário de montanha, pinheiros, nuvens e ondas. ‘Este crescimento e declínio da vida não é um fantasma, mas uma manifestação da fonte’, diz a legenda. Mas há um outro estágio além desse idílio. O quadro final (Entrando no Mercado com Mãos Prestimosas) evoca a ação e a compaixão humanas. A pessoa que busca é vista agora como um camponês que vaga de aldeia em aldeia. ‘O portão de sua casa está fechado, e mesmo o mais sábio não poderá encontrá-lo.’ Ele terá penetrado tão profundamente na experiência humana que sua pista não pode ser seguida.

Sabendo agora que todos os sábios são um único, ele não segue grandes mestres. Encontrando a intrínseca natureza de Buda em todos os seres humanos, mesmo estalajadeiros e peixeiros, ele os faz florescer. Essas idéias fazem parte de todas as tradições do conhecimento direto: o vislumbre da verdadeira natureza da realidade, os perigos das experiências iniciais, a necessidade de treinar a atenção, a eventual dissociação do ego ou do eu individual, a iluminação, a descoberta de que a luz esteve sempre presente, a conexão com a fonte que gera o mundo das aparências, a reunião com todas as coisas vivas."

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX(substituir para o primeiro)

B) Auto-Conhecimento e Redenção

A Nova Era afirma que o problema do homem não é o pecado, como diziam a tradição medieval e as religiões transcendentalistas, mas, assim como os Renascentistas, a ignorância. Conhecer-se a si mesmo e desenvolver-se, eis o lema da Nova Era. Através do auto-conhecimento, feito através da meditação, o homem se "auto-salva", não precisa de um salvador. Cada um tem a chama divina dentro de si (como aliás diziam os estóicos), deve perceber essa divindade, descobrir-se, iluminar-se. Seu erro (pecado) refletirá não em um inferno, mas numa encarnação menos evoluída ou mais sofrida (Lei do Carma), onde aqui se faz, aqui se paga. O auto-conhecimento leva o homem à iluminação, percebendo a divindade imanente que existe dentro dele. Não é no exterior que se encontra a verdade, mas no interior de cada homem, ali reside a partícula divina, o microcosmo que é, ao mesmo tempo é parte e é todo. Segundo a gnose, a parte e o todo formam a mesma realidade, são ambas divinas e, por divinas, iguais.

C) Dualismo

Do dualismo platônico, em que existem dois mundos, um mundo das idéias e outro da matéria, onde o mundo espiritual, das idéias, é o bem e o mundo da matéria é o mal, a filosofia da Nova Era vai além, pois afirma que a matéria é uma ilusão. Assinala Pierre Weil: "A dualidade é o produto de uma separação artificialmente criada...". Todos devem pensar holisticamente, não há diferenciação, tudo forma uma só realidade (holos). Ainda segundo Pierre Weil, no seu Dicionário Holístico, encontramos a seguinte definição de Deus: "Uma projeção antropormófica [uma maneira ilusória de ver a Deus como se este fosse um espelho do homem, tendo a sua forma e características] popular e primitiva deformou seu sentido, dando ao Ser uma forma e características que constituem uma limitação; isto criou uma dualidade que discrimina e separa o Ser do ‘ser humano’. Na visão holística do mundo, esta separação é essencialmente ilusória...".

D) Meditação

Para chegar ao ‘nirvana’ ou à iluminação, o caminho mais usado é o da "Meditação Transcendental ", criada pelo guru Maharishi Mahesh Yogi. Segundo seus propulsores, essa técnica serve para levar o ser humano a parar de pensar da forma costumeira e, ainda que lentamente, começar a experimentar a realidade de uma outra forma. O guru Maharishi Mahesh Yogi já esteve no Brasil algumas vezes e disse que o problema do Brasil é um desequilíbrio das energias cósmicas. Se 1% dos brasileiros adotassem a ‘meditação transcendental’, os outros 99% seriam afetados, juntamente com a própria natureza (também parte da energia cósmica). Ou seja, a seca do Nordeste desapareceria porque é fruto de um desequilíbrio da energia. Esse desequilíbrio seria solucionado através da meditação.

De acordo com seus propagandistas, a ‘meditação transcendental’ seria uma ciência com mais de cinco milhões de adeptos em todo o mundo, inclusive contanto com universidades. Um exemplo é a Universidade Holística de Brasília, Fundação Cidade da Paz, cujo Reitor, Pierre Weil, é um dos expoentes do movimento ‘Holístico’. A prática dessa meditação, feita de forma individual e guiada por um guru destinado a cada interessado, chegaria a alterar as leis naturais, como é o caso da levitação, e melhoraria em tudo a vida de cada um dos praticantes. Aquele que desejar fazer a ‘meditação’, deve cumprir algumas normas e rituais. Primeiramente ornar, com alguns adereços, o altar que foi preparado para a ‘meditação transcendental’. Ao lado do altar consta a foto do guru mestre de Maharishi Maheshi Yogi. Durante a ‘meditação’, o guru que a dirige começa a recitar versos em uma língua que não se entende (onde ele dedica a sua vida a um dos milhões de deuses hindus), ao mesmo tempo em que sopra, em seu ouvido, o ‘mantra’ (conjunto de sons repetitivos, que objetivam fazer com que o ‘paciente’ vibre no mesmo ritmo das vibrações universais da energia cósmica). Cada pessoa tem um som específico, escolhido pelo guru em função das particularidades individuais. Não se pode falar esse som para ninguém, sob pena de que ele perca a magia. Como um remédio homeopático, esse ‘mantra’ deve ser recitado 20 (vinte) minutos durante a manhã e 20 (vinte) minutos durante a noite, mas sem pronunciá-los, apenas pensando neles. Deve-se parar de raciocinar, apenas concentre-se no som e deixe-se vibrar com ele, colocando sua mente no ‘ponto morto’. Com o passar do tempo, esse praticante da meditação transcendental chegará à ‘iluminação’. A sensação seria como que a de uma droga, em que cada um se sinta dentro de uma energia única, igual ao cachorro ou à pedra.

Segundo Pierre Weil, em seu livro A Revolução Silenciosa, o que se busca, através da meditação, "é um estado alterado de consciência, uma nova maneira de perceber a realidade." Ou então: A meditação "Poderia ser definida como sendo um retorno a si. É o ser que realiza que é e nunca deixou de ser o Ser. Consiste em sentar-se e não fazer nada. Não fazer nada significa, neste caso, não fazer nada para chegar a alguma coisa, sabendo que este alguma coisa sempre esteve aí e que não há lugar algum a alcançar. (...) Se a onda parasse de procurar o mar, terminaria sendo o que sempre foi: o mar. Igualmente, se o ser humano se sentasse e parasse de procurar qualquer coisa, acabaria sendo o que sempre foi: o Ser. (...) Aquilo que se chama meditação é um conjunto de condições imaginadas pelos grandes sábios da humanidade, para facilitar a realização ou a iluminação".

E) Cristais, Pirâmides e Canalização da Energia Cósmica

Não é pensando que se ilumina, é mediante a meditação por dentro de si, mediante a canalização da energia por dentro do próprio corpo. Para esse fim nos levariam o tarô, os búzios, quiromancia, astrologia, numerologia, cristais, medicina alternativa, acupuntura, homeopatia, etc. Tudo é usado para dar uma nova "visão" ao ser humano, uma nova maneira de experimentar a realidade. Os cristais são muito usados, pois seriam uma maneira de canalizar as energias e as vibrações cósmicas. Serviriam para curar doenças, atrair prosperidade, levar à um grau de ‘consciência superior’, etc. Por exemplo, o templo da LBV em Brasília, que é uma construção piramidal, possui um cristal no seu centro geométrico (que serviria para atrair bons ‘fluídos’ para aqueles que recebessem a sua influência).

As pirâmides, preceitua a norma, devem ter um dos lados voltados para o Norte/Sul, para produzirem melhores efeitos. O ser humano, por sua vez, teria sete ‘Chakras’, centros de energia, mais ou menos como diz o Espiritismo. As doenças seriam apenas manifestações de um desequilíbrio energético no homem, de energias estagnadas. Para liberar as energias, seria necessário ‘rodar’ esses chakras. Tudo deve estar em equilíbrio (Taoísmo). O médico, passando a mão sobre o paciente, 15 cm. afastado do contato, sentindo calor ou frio, descobre onde está o desequilíbrio, onde está a energia estagnada. O médico terapeuta, por ter a energia cósmica equilibrada, impõe, durante algum tempo, as mãos sobre esses lugares desequilibrados e transmite a energia equilibrada ao paciente.

Segundo Pierre Weil: "O corpo e o espírito formam um conjunto com o meio e a doença é vista como resultado de uma falta de harmonia entre estes três fatores. A dor é um sinal de alarme desta falta de harmonia e o sofrimento provém da ignorância da inexistência de um eu separado de um mundo dito exterior, ou de um ser do Ser. [O médico] ... considera o doente como agente capaz de restabelecer seu próprio equilíbrio."

Capítulo 2

Network - A Rede de Transformação

Podemos caracterizar o Movimento Nova Era (MNE), como uma grande mobilização de pequenos grupos, dispersos em diversos locais, mas unidos no mesmo pensamento e objetivo, que forma uma enorme rede de ação. O MNE abrange centenas de entidades, instituições e grupos, sem que todos necessitem estar em contato ou mesmo se conhecerem. Essa mega-rede é descrita por Merilyn Ferguson: "Enquanto a maioria de nossas instituições vem falhando, surge uma versão contemporânea da velha relação tribal ou familiar; a REDE, um instrumento para o próximo passo na evolução humana. (...) Este modelo sistemático de organização social presta-se a uma melhor adaptação biológica, é mais eficiente e mais ‘consciente’ do que as estruturas hierárquicas da civilização moderna. A Rede é moldável, flexível. Para todos os eleitos, cada membro é o centro da rede. As redes são cooperativas, não competitivas. São como as raízes da grama: autogeradoras, auto-organizadoras, por vezes até autodestruidoras. Representam um processo, uma jornada, não uma estrutura organizada. (...) As redes são a estratégia através da qual pequenos grupos podem transformar uma sociedade inteira. Gandhi se valeu de coalizões para levar a Índia à independência. Denominava ‘agrupamento de unidades’ a essas coalizões, e as considerava essenciais ao êxito. (...) O poder está mudando de mãos, passando de hierarquias agonizantes para redes cheias de vida. (...) Luther Gerlach e Virginia Hine, antropólogos que vêm estudando as redes de protesto social desde os anos 60, batizaram as redes contemporâneas de SPINs (Redes Integradas Policêntricas Segmentadas; em inglês: ‘Segmented Polycentric Integrated Network’). Uma SPIN tira sua energia de coalizões, de combinações e recombinações de talentos, instrumentos, estratégias, números, contatos. É o agrupamento de unidade de Gandhi. (...) Cada segmento de uma SPIN é auto-suficiente. Não se pode destruir a rede pela destruição de um dos líderes ou de algum órgão vital. O centro - o coração - da rede se encontra em todos os lugares. A Conspiração Aquariana é, na verdade, uma SPIN de SPIN, uma rede de muitas redes, destinadas à transformação social. ... Seu centro está em toda a parte. A Conspiração não pode ser detida, porque é uma manifestação da mudança nas pessoas." Não existe uma sede mundial para o movimento, como é a cidade de Roma para os católicos. Entretanto, Brasília tem sido considerada como a capital do 3º milênio, da Era de Aquários (que se iniciaria na nova era). O jornalista Dioclécio Luz, em seu livro Roteiro Mágico de Brasília, escreve sobre a enormidade de movimentos gnósticos existentes nesta cidade; todos, ainda que divergindo em questões acidentais, convergem para a mesma cosmo-visão. Podemos citar, por exemplo: "Renascer, Grande Fraternidade Universal, Augusta Grande Fraternidade Universal, Nova Acrópole, Universidade Holística, Sociedade Internacional de Meditação, Centro de Estudos de Antropologia Gnóstica, Eubiose, Sociedade Teosófica, A Grande Pirâmide do Lago, Rosa Cruz Aúrea, Perfeita Liberdade, Cidade da Paz, Movimento para Consciência de Krishna, Cadeia Mental Universal, Ordem dos 49, Clube Naturalista de Preservação da Vida, Himalaya Consultoria Vivencial, Abrasca (Associação Brasileira de Comunidades Alternativas), Centro de Pesquisas de Discos Voadores, Amorc, Fraternidade da Cruz e do Lótus, etc, etc, etc. Esse MNE tem muitas ramificações. Uns se interessam pela saúde, outros pela ecologia, outros pela educação, todavia, todos estão unidos na filosofia panteísta da criação.

Autor: Frederico Viotti (Parte IV de sua tese)
FONTE: Internet

Continuação da Parte IV - O Movimento New Age e a Mística Panteísta da Criação


                                                                                 Capítulo 3

Influências do Movimento Nova Era

Na introdução à sua obra, diz Marilyn Ferguson: "O ativismo social dos anos 60 e a ‘revolução da consciência’ do início dos 70 pareciam mover-se na direção de uma síntese histórica: a transformação social como resultante da transformação pessoal - a mudança de dentro para fora." Com efeito, a transformação da sociedade atual parte de uma transformação na própria pessoa. São inúmeros grupos espalhados pelo mundo, alguns até inconscientes da transformação que estão operando, mas que aderem, explicita ou implicitamente, a um movimento muito mais amplo de transformação axiológica. Há uma verdadeira Revolução Silenciosa se operando na sociedade. Dificilmente alguém ainda não ouviu falar em yoga, acupuntura, cristais, pirâmides, energia, meditação, iluminação, nirvana, auto-conhecimento, gnose, etc.

Estes termos estão espalhados por todo o mundo. Os relatos seguintes, extraídos do livro de Merilyn Ferguson, apesar de não indicarem a fonte, servem como um indicador de algo que, mais ou menos, todos percebem: "Um Conspirador Aquariano em uma equipe de planejamento disse uma vez: ‘Há uma nova tolerância com a busca da transcendência. Estou cercado por colegas que seguem na mesma direção, que valorizam o mesmo tipo de experiência... Uma pessoa não é mais considerada excêntrica só porque empreende uma busca espiritual. Ela chega até mesmo a ser um pouco invejada, o que é uma mudança significativa nesses últimos quinze anos. Um membro de um grupo de lobistas de uma organização voltada para o estabelecimento da paz internacional, em Washington, denominou de ‘o pequeno misticismo’ o reconhecimento mútuo dessas pessoas: ‘Não foi buscado nem desejado, mas se instalou em minha vida... algo estava crescendo, emergindo.

Esses pequenos fatos somaram-se uns aos outros, começaram a se encaixar. Comecei a encontrar Deus nos outros, depois uma consciência de Deus em mim mesmo, em seguida um pouco de mim em outras pessoas com uma consciência de Deus, logo outros e eu mesmo em Deus - uma seqüência misteriosa e complexa de operações. O curioso efeito colateral é que há reconhecimento dessa espécie de unitarismo entre os pequenos místicos. Nós percebemos uns nos outros. ‘Até mesmo meu trabalho político... foi beneficiado. Os pequenos místicos na política ‘farejam’ minha postura secreta, e se produz uma certa camaradagem, dificilmente explícita, porém eficaz. Não sei ainda o quanto essa espécie de pequeno místicismo secreto é comum, mas me parece mais fácil nos últimos cinco anos confessá-lo com algumas expectativas de reconhecimento...’ ".

Não é desconhecido o grande misticismo que envolve a política no Brasil. Geralmente vários dos candidatos a cargos políticos consultam videntes, astrólogos, cartomantes, etc. Mesmo no meio judiciário, conhecido como o mais conservador, tendências ao ocultismo não passam desapercebidas, como relata a repórter da Folha de S. Paulo, Flávia de Leon, na matéria Guru ‘energiza’ jantar do Supremo: "A presença do paranormal Thomaz Green Morton no jantar em homenagem ao novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Sepúlveda Pertence, agitou políticos, advogados e até juízes anteontem. (...) O primeiro ‘Rá!’ - grito criado por Morton e que simboliza a energização, foi para o diretor-geral do STF, Alvesson Mitraud. (...) O sisudo ministro José Serra (Planejamento) não pôde ser energizado, mas não deixou por menos. (...) ... anotou todos os seus telefones. ‘Este é da minha casa e este do gabinete’. (...) O não menos sério ministro da justiça, Nelson Jobim, também foi cumprimentar o guru. (...) ‘Quando ele me abraçou, senti uma descarga elétrica’ (...) contou o deputado baiano Benedito Gama (PFL - BA). (...) Ilmar Galvão não foi o único ministro a conferir os poderes energéticos de Morton. Logo atrás de Galvão, o ministro aposentado do STF, Paulo Brossard, esperava por um ‘Rá!’ energético. (...) Provocado por estar bebendo e fumando, o guru comentou: ‘Minhas drogas são lícitas. Este cigarro (de palha) é maconha cósmica, fabricado em Palmeira das Missões (RS) e o uísque é sem gelo porque o corpo já tem muita água’. (...) Morton foi convidado para a posse e o jantar pelo próprio Pertence, que carrega no chaveiro uma moeda amassada por Morton como amuleto. Depois de energizar o prédio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na gestão de Pertence, Morton deverá fazer o mesmo no prédio do STF".

No meio artístico e cultural, diversos atores, cantores e cineastas declararam sua simpatia pelo MNE. Dentre eles podemos citar Shirley MacLaine, John Denver, Tina Turner, George Lucas e Steven Spielberg. Uma grande parte das novelas brasileiras trazem conceitos de reencarnação, espiritismo, magia, ocultismo, etc, acostumando a opinião pública a uma radical mudança em suas concepções religiosas. Diversos são os livros que inundam as livrarias do Brasil e do mundo sobre esse tema. Em relação à saúde, não é menos difundido a chamada ‘medicina alternativa’, que promove a cura mediante a energização, o pensamento positivo, a imposição das mãos, florais, acupuntura, etc. Mesmo na Igreja Católica, a influência do movimento ‘New Age’ é grande. Tanto o movimento de Renovação Carismática, que tem sua origem nos movimentos pentecostalistas norte-americanos, como o chamado movimento de "Espiritualidade da Criação", são de tendência panteísta. De forma geral, todos os movimentos pentecostalistas assimilam a idéia da imanência de Deus na criação. A tal ponto a crise na hierarquia eclesiástica católica é sensível, que Merilyn Ferguson escreve: "A mais autoritária das instituições religiosas (sic), a Igreja Católica, sofre o que o historiador John Tracy Ellis chamou ‘um esfacelamento de sua fixidez’, um trauma aparente na nova variedade de doutrinas e disciplinas entre os católicos americanos. ‘Grupo nenhum dispõe de plena autoridade ou capacidade de impor-se a outros grupos’, observou Ellis.

A Igreja americana está ‘abalada e insegura em uma época inquietante e incerta’. Leigos estão exigindo reformas, evangelizando e participando de movimentos pentecostais e carismáticos; por volta de 1979, estimava-se que meio milhão de católicos haviam se tornado carismáticos, falando sua terminologia e se engajando em práticas de cura. O número de freiras e padres sofreu uma sensível queda durante os anos 70, teólogos discordavam da autoridade papal, a freqüência às escolas paroquiais declinava. Rebeliões similares vinham acontecendo em quase todas as religiões organizadas do país." De forma geral, toda a concepção igualitária de mundo tem sua origem em uma cosmo-visão que, se não explicitamente gnóstica, levará, mais cedo ou mais tarde, à explicitação da imanência de Deus na criação. O mundo Pós-moderno, como veremos na próxima parte deste trabalho, é carregado de tendências gnósticas e panteístas, apesar de não terem sido, na sua maioria, explicitadas em fatos. Há como que uma preparação, ou como diz Marilyn Ferguson, uma conspiração silenciosa a mudar todos os referenciais ontológicos do homem e, desta forma, transformar a sociedade em comunidades alternativas e ocultistas. Assim se exprime a repórter Thaís de Mendonça, em matéria no Correio Braziliense: "Veadeiros, ou melhor, Alto Paraíso (GO), é mais conhecida pelas cúpulas coloridas da Morada da Paz - uma espécie de cartão postal da cidade -, que pela atividade desenvolvida nos seus muitos centros de meditação. Coração do planeta ou mesmo centro do universo, localizado no Paralelo 14, a rua principal conduzindo aos sítios e fazendas dos esotéricos, o lugarejo de 8 mil almas mal comporta a concentração de tantos grupos religiosos. (...)

O ecumenismo adotado por algumas ‘ordens’, como o Centro Terapêutico Metatron, pode colocar lado a lado Jesus Cristo, Maomé e Buda, ao mesmo tempo em que oferece cursos sobre ciências exóticas: cristais, colorpuntura (acupuntura com cores) e reiki (arte tibetana de cura pelas mãos). (...) Com fé na idéia de que deste lugar especial sairá alguma solução para a Humanidade, a cada dia chegam mais grupos a Alto Paraíso. O fato de assentar-se sobre uma jazida de quartzo lhe dá uma aura de mistério da natureza. No dia a dia, porém, a antiga Veadeiros cada vez mais abandona sua ligação com o natural, para assumir o sobrenatural". Inúmeras realizam seus rituais em Alto Paraíso de Goiás. Geralmente vivendo em comunidades , seus seguidores cultuam a natureza e a divindade, dispersa em todas as coisas. ‘Ergam’, líder de várias dessas seitas, teria sido avisado por extraterrestres para sair de Campinas, sua antiga cidade, e fundar essas comunidades. Ergam diz ter contatos periódicos com os extraterrestres. Mesmo em adesivos de carros, pode-se encontrar: Eu acredito em Duendes, ou Eu acredito em Fadas, etc. Cada um desses ‘seres’ refletiria um estágio da evolução divina. Os Duendes e Gnomos, por exemplo, referem-se ao estágio mineral. Já a Fada, é relacionada com o estágio vegetal.

A tal ponto está difundido o esoterismo, que não é difícil encontrar recortes de jornais sobre esse tema. Aliás, é interessante notar que todas as segundas feiras o Correio Braziliense traz uma página de seu ‘Caderno Dois’ dedicado ao tema esotérico, e isso já há quase dois anos. Em uma dessas matérias, lê-se: Energia diferente na cidade: "Quem duvida que Brasília é mística tem mais uma razão para acreditar nos que vêm ao Planalto Central em busca de esoterismo. Pelo menos três locais da cidade concentram uma energia diferente. Essas interferências têm os seus pontos de origem perfeitamente detectados: a Ermida D. Bosco, o Memorial JK e a estátua de S. João que fica na entrada da Catedral. A notícia foi transmitida pela secretária de Turismo do DF, Maria de Lourdes Abadia, a dezenas de sisudos empresários reunidos na sede da Federação do Comércio do DF. (...) Além do turismo esotérico, a secretária quer investir também no chamado ecoturismo...". Em um cartaz, afixado na UnB, lia-se: "Maharishi Mahesh Yogi, fundador da Meditação Transcendental e do MT-Sidhis; Fundador da Ciência Védica e das Universidades Védicas Maharishi; Fundador dos programas para criar uma sociedade livre de problemas, doenças e conflitos. Procura-se [sic] 200 Pioneiros para criar o Governo da Natureza - Meditação Transcendental... Vamos dar uma chance ao DF e ao Brasil! 5º-feira, 27/10 [94], às 12:00h. - anfiteatro 10 (Ala Sul)".

Em todos os campos da atividade humana a Nova Era parece já ter penetrado, ainda que de forma quase imperceptível. Espalhando-se como um câncer em um moribundo (a sociedade nascida na Revolução Francesa), o movimento Nova Era junta fiéis e levanta altares. Desde a filosofia, até a medicina; desde a metafísica, até a física, parece que a influência da Nova Era se faz sentir. A tal ponto essa influência é sensível que a chamada Pós-modernidade não pode ser analisada sem se mencionar o seu lado esotérico, como será visto na próxima parte deste trabalho. Capítulo 4 O Ressurgimento do Satanismo Há uma outra realidade, paralela e colateral ao Movimento Nova Era, que é a volta do antigo satanismo. A tal ponto o satanismo é uma realidade na civilização moderna, e Pós-moderna, que muitos pesquisadores passaram a estudá-lo.


Autor: Frederico Viotti (Parte IV de sua tese)
FONTE: Internet - doc PDF

sábado, 3 de abril de 2010

Desculpe por não falar em rosas!

O poeta hoje em dia
se esquece
de fazer poesia,
mas se aquece
c’a melodia
que a Vida lhe oferecer!
Não sofre nem uma ansiedade,
enxerga o que outro não vê,
ah, seu poeta maluco,
escuto
o que tens a dizer,
me diga o que há de ser:

“-A Vida,
minha amiga,
quando parece escurecer,
é que tá chegando um dia
pra tudo de novo ocorrer!
Já pensou como é que seria
tão fria a ilusão,
se o que a gente quisesse,
viesse
na nossa mão?
Desculpe toda essa pressa,
perdoe o que acontece,
é que na Igreja em que eu moro
não oro
bem uma prece...
Nem sempre o que digo interessa,
não ache que eu gosto disso.

Pior que um mago sem feitiço
é um poeta sem prosa.

Desculpe por não falar em rosas!

(© MCMLXXXVI by alcanu)

(FONTE: Overmundo)

domingo, 28 de março de 2010

No Stimbum, stimbum, stimbum de nosso Coração...

 Bendito som que agita o peito sem parar.
Som que vem de dentro das entranhas do Ser.
Jardim secreto ainda tão desconhecido.
Onde muitas sementes já nasceram.
Mas a Rosa Sagrada ainda aguarda
o momento certo pra germinar.

Stimbum, stimbum, stimbum...
Tambor xamânico universal.
Templo da sublime intuição.
Ciência de onde a vida brota renovada,
num gesto de Amor além das palavras.

Stimbum, stimbum, stimbum...

Canal que permite nossa comunhão,
com o nosso Divino Criador.
Poesia que arrebata nosso caminhar.
Nos envolve e faz acreditar
que neste mundo de desafios,
não somos qualquer coisa.
Cada um tem o seu lugar.

Stimbum, stimbum, stimbum...

Bate fiel coração abnegado.
Com seu batido cadencioso,
Nos dá equilíbrio e força para viver.
Enquanto pulsas revitaliza nossa casa
e faz a Alma suave como o orvalho da manhã.



(jbconrado*)

FONTE: Overmundo

Quem Me Roubou de Mim?... Seqüestro do Corpo: a trama do esquecimento dos significados...

"Esta obra aborda algumas questões sobre as dificuldades das relações humanas. É um livro bastante profundo, que apresenta uma linguagem poética e leve para falar de coisas tão importantes em nossa vida. por meio de reflexões filosóficas, textos poéticos e histórias reais, o autor toca nosso entendimento e nossas emoções, convidando-nos a um mergulho em nossa subjetividade, afim de nos fazer conhecer a nós mesmos e a descobrir como viver e conviver melhor não só com as pessoas que nos cercam, mas com todos que passam pelo nosso caminho"....

O seqüestro do corpo é uma das mais cruéis modalidades contemporâneas da violência. Ritual de profundo desrespeito à condição humana, esta forma de seqüestro consiste em retirar uma pessoa do local de sua identificação, de seus significados, subordinando-a a um tratamento que tem por finalidade estabelecer uma fragilização, que resultará num estado de total dependência e rendição, em que o seqüestrador torna-se um legítimo proprietário da existência do seqüestrado.

O seqüestro do corpo é uma privação total e absoluta daquilo que chamamos de "horizonte de sentido". O nosso mundo, este particular, mas integrado ao grande mundo, está solidificado a partir de significados e significantes que constituem o nosso horizonte de sentido.

Sentido é tudo aquilo que atribui coerência, liga, orienta e estrutura. É a partir deste horizonte de sentido que pensamos, agimos, amamos, desejamos, vivemos. Somos e estamos estruturados a partir de realidades que significam, isto é, realidades que nos revelam e que condensam um poder de nos fazer avançar os territórios da existência, de irmos além.

Estes significados assumem os mais diversos formatos em nossa condição humana. Eles evoluem para a condição de valores e assim se tornam fundamentais para a qualidade de nossa atuação no mundo. Os significados qualificam nossa existência.

Essa gama de significados, de valores, ocupa espaços muito diferentes na vida das pessoas, de maneira que aquilo para uma pessoa é fundamental em termos de significado, para outra pode ser mero detalhe.

Na vida, estamos constantemente descobrindo o que nos faz buscar nossa inteireza. A metáfora é interessante e pode nos ajudar a compreender melhor: o mosaico é feito de partes; essas partes se conjugam e compõem uma única peça. São inúmeros e pequenos significados que constroem a trama do mosaico. A pequena peça é fundamental para a construção do todo, e por isso não pode ser negada, separada. Assim somos nós.

Se pensarmos no espaço humano em que vivemos como peças de um mosaico, nós entraremos no cerne dos significados que nos constituem; nós estaremos no coração de nosso horizonte de sentido.

Quando nos referimos aos significados, nós estamos tratando de realidades materiais e imateriais. Estamos falando do quarto onde dormimos, com nossos travesseiros e lençóis, mas também das pessoas que nos rodeiam e dos amores que nos despertam. O quarto nos identifica, mas os amores também. O horizonte de sentido é uma conjugação de inúmeros fatores. A cidade onde moramos, a história já vivida; a casa que nos abriga; os lugares que freqüentamos; os amigos que temos; as crenças que professamos; as relações cotidianas, enfim, tudo isso compõe o nosso mundo particular.

É a partir deste mundo que enxergamos o outro mundo, que não é somente nosso, mas também nosso, assim como o mirante proporciona ao observador a visão que só é possível a partir de sua posição geográfica.

Quando uma pessoa é seqüestrada, o primeiro rompimento se dá com a materialidade de seus significados. Não dormirá em sua casa, estará privada de seus sabores favoritos, de seus ambientes, coisas particulares, de seu travesseiro, de seus livros, de seus perfumes, de suas paredes. Será violentamente exposta a uma outra realidade que não a sua. O corpo sofrerá a violência de não poder ir e vir. Terá que obedecer às ordens do recém-chegado, daquele que até então não pertencia ao seu mundo. Uma pessoa estranha, que definitivamente não faz parte de seus significados, mas que agora lhe acorrenta o corpo e o faz experimentar uma privação para a qual não estava preparado.

O seqüestrador, inicia no seqüestrado um processo de privações extremamente doloroso. Ao ser afastado dos locais de sua identificação, e passando a viver num ambiente estranho, inóspito e distante de tudo que o realiza, o seqüestrado mergulha num profundo estado de solidão. Não se trata de uma solidão comum, dessas que experimentamos ocasionalmente, e que faz parte do cotidiano de todo mundo. Trata-se de uma solidão muito mais profunda, caracterizada como "ausência de si mesmo".

Ao ser afastado de seu mundo particular, e de tudo o que ele representa, o seqüestrado sente-se privado de ser ele mesmo. É como se ele tivesse sido levado para longe de tudo o que para ele faz sentido. O seu mundo não é o que agora lhe é oferecido. O cativeiro é a negação do seu direito de ser e estar. Esse profundo estado de ausência pode agravar-se com o tempo, e evoluir para o que chamamos de "esquecimento do ser".

O esquecimento do ser, realidade muito comum nos casos de seqüestro do corpo, é uma forma de aniquilamento de nossa condição primeira, nosso estatuto original, e que chamamos de identidade.

A identidade nos diz sobre nós mesmos. Diz a nós e aos outros. Há dois aspectos interessantes na identificação: uma afirmação e uma negação. Identificar-se é um jeito que a pessoa tem de afirmar o que é, mas é também um jeito de afirmar o que não é. Ao identificar-se a pessoa estabelece uma autenticação, mas também uma separação.

Ao dizer "eu sou isso", naturalmente estou dizendo também "que não sou aquilo que negaria o que sou". Parece jogo de palavras, mas não é. Ao identificar que sou Fábio, naturalmente estou dizendo que não sou Fernando. A identificação é também diferenciação, porque em toda afirmação há sempre uma infinidade de negações latentes.

Essa identidade necessita ser cultivada. Vivemos constantemente esse processo. O tempo todo reivindicamos o que somos, e também renunciamos o que não somos. Identidade estabelece limites, assim como os conceitos limitam a realidade. Limite que não pode ser considerado como negativo.

Limitar é delimitar o local do encontro. É um jeito que temos de não nos perdermos neste mundo de tantas coisas. O limite favorece a compreensão da realidade existente. Um espaço delimitado é um espaço encontrado, identificado. Ao identificar o que sou, assumo a legitimidade de minha natureza. Digo o que posso e também o que não posso. Por isso o limite é positivo. Ele me proporciona um agir coerente, porque me posiciona a partir do que sou e não do que eu gostaria que fosse.

No mundo dos objetos, isso é constante. Identificamos o tempo todo. Uma mesa é uma mesa e não pode ser uma porta. Pronto, o conceito identificou, diferenciou, limitou de forma positiva. Ninguém poderá condenar a mesa por não ser porta. Ela já está no limite do seu conceito. No mundo das pessoas, é a mesma coisa. Nossa identidade nos limita, não para nos empobrecer, mas, ao contrário, para nos favorecer o crescimento. Quem sabe bem o que é e o que não é terá mais facilidade de explorar suas possibilidades, uma vez que os limites já estão apreendidos também. Apreender e conhecer os limites que se tem é um jeito interessante de potencializar as qualidades que nos são próprias.

Portanto, ao negar a identidade de uma pessoa, todas as suas potencialidades ficam fragilizadas. É por essa razão que o seqüestro do corpo é uma agressão contra a identidade da pessoa, porque a confunde profundamente a respeito daquilo que ela pode e daquilo que ela não pode. É uma forma de provocar um esquecimento do que se é.

Ao ser retirada de seu horizonte de sentido, a pessoa tem negados todos os seus elementos de identificação no mundo e com o mundo. Dessa negação nasce a ausência de si mesmo: uma forma de este estar sem estar, de viver sem viver. Trata-se de uma forma terrível de desolação, desespero e angústia. O corpo, privado de tudo o que lhe faz feliz, vive o limite de não ter o que buscar para nutrir-se de alegrias e descanso. Ele perde a capacidade de identificação, uma vez que está privado de seu espaço.

Fora de seu horizonte de sentido, o corpo adoece, perde a vitalidade; sofre na carne a saudade de tudo o que o completa e o faz ser o que é. Privado de sua liberdade, o corpo sofrerá os limites que desencadearão a condição de vítima.

"Quando digo o que sou, de alguma forma eu o faço para também dizer o que não sou. O ‘não ser está no avesso do ser’, assim como o tecido só é tecido porque há um avesso que o nega, não sendo outro, mas complementando-o. O que não sou também é uma forma de ser. Eu sou eu e meus avessos."

Autor: Fábio de Melo
FONTE: Revista Veja

sexta-feira, 26 de março de 2010

NÃO ENTRE TÃO DEPRESSA NESSA NOITE ESCURA...


Não entre tão depressa nessa noite escura;
A velhice queima e estressa ao fim do dia:
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.

Entanto sábios ao final sancionem a tarde madura
Porque suas palavras não lavraram luz, eles
Não entram tão depressa nessa noite escura.

Boa gente, ao último aceno, clama o quanto dura
A chama de seus feitos vãos valsando na angra verde,
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.

Rufiões que colhem e cantam o sol que perfura,
E aprendem, demais tarde, que o molestam em sua senda,
Não entram tão depressa nessa noite escura.

Homens graves, à morte, que vêem às escuras
Olhos cegos a chamejar meteoros e ser felizes,
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.

E tu, meu pai, lá nas tristes alturas,
Maldiz-me, bendiz-me com teu duro pranto, peço.
Não entre tão depressa nessa noite escura.
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.


Tradução: Ruy Vasconcelos

* Dylan Thomas (1914-1953), poeta inglês, nasceu no País de Gales. Aos 16 anos, abandonou os estudos. Quatro anos depois, publicou o seu primeiro livro de poesia, Eighteen Poems (1934), de feição romântica, que foi um sucesso de crítica. Aos 35 anos, visitou os Estados Unidos, onde foi idolatrado pelos autores da beat generation. Quatro anos depois, morreu em Nova York, devido ao alcoolismo. No Brasil, foi publicado o livro Poemas reunidos de Dylan Thomas, com traduções de Ivan Junqueira.

(FONTE: ZUNÁI - Revista de poesia & debates)

quinta-feira, 18 de março de 2010

A livre forma de Fluir: Liberdade!...

Tenho necessidade de expor meu livre modo de Fluir sem a explicação do meu  Existir, de forma que a matéria que me compõe não tenha mais a noção da diferença entre o meu Corpo e meu Ser e que tudo em mim seja apenas um Instante do meu Viver... Pois só assim a vertigem da expressão da minha Alma ilumina as minhas angústias... Procuro por entre páginas o inesperado do Teu Olhar que me acompanham entre as trilhas das notas musicais da nossa dança... Fecha Teus Olhos e me ilumina, revelando-me a permanência da Tua Luz a brilhar nos gritos das trevas: eu clamo o Silêncio!... Nas lágrimas que transbordam:  sinto as  tuas mãos a percorrer o Caminho do meu corpo.

Uma intensa chama surge nos meus olhos durante a tua ausência, configurando a paisagem que intensifica uma imagem da vida com o plexo a ligar nossas emoções num suspiro sem fim: sinto-me como uma leve folha solta ao vento!... E num breve-leve silêncio as flores se abrem em canções dos corações ávidos de paixões: é a tua presença!...

Foi assim que surgiu em mim uma nova condição do meu viver... uma fiandeira da feminilidade vem chegando: surge sorrateiramente tecendo os fios de um novo paradigma do amor, bem como uma nova ética que configura uma filosofia da Esperança à Dois... É uma nova mulher que abraça a Diversidade do Verde, como se fosse a híbris do devir, alimentada por forças primitivas, pois é ali, na alquimia da labuta cotidiana que reencontrei a mulher de milhões de anos expulsa do Paraíso e do meu Interior...

As minhas errâncias e vitórias:  reconstrói-me sempre numa nova história a contribuir com a complexidade dos princípios que regem a relação viver  subtamente, e reaviva o silêncio da condição feminina... Sim, apenas uma mulher  que traz no seu rastro a imensidão da força arquetípica da fêmea que permite um mergulhar e um renascer na imensidão do possível!...

Eu Mulher e Terra Mãe: útero primeiro num só Tempo Planetário; ser selvagem; criação e fuga... Fêmea rebelde de pura Arte e magia no teu Olhar... Sou a Louca da casa em principio feminino: Razão e origem que desconstrói conceitos... Sou o próprio arquétipo de estratégias da estrangeira na tua Pátria: é o destino com  excesso de hibri que libera paixões da inocência no sofrimento da sabedoria, para além das Palavras Lidas e Ouvidas!... Vem com o Olhar de quem ouve o grito do meu silêncio...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher...

Você que busca no dia-a-dia:
Sua independência,
Sua liberdade,
Sua própria identidade.

Você que luta profissionalmente:
Para ser valorizada,
Para ser respeitada.
Você que sorrir a cada vez
que o mundo diz Não!...

Você que a todo instante tenta ser:
A companheira,
A amiga,

Você que batalha
Por um mundo mais justo,
Por uma sociedade sem violências,
Por seus próprios direitos.

Você que resiste aos sarcasmo daqueles que a chamam
Feminista,
Liberal,
Militante.

Você, Eu e Nós que temos a capacidade e o direito
De gerar Outro Ser,
Temos também o dever
De gerar alternativas
Para que nossa ação seja realmente Criadora
E ajude os outros a conquistarem
A liberdade de simplesmente Ser Humano (homem, mulher, jovens e crianças)

E dignamente Ser Mulher...


Maria Helena

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Eu e as Noites...


As noites são inumeráveis.
As estrelas se perdem no infinito
Anos-luz intermináveis
Percorre o meu grito...
Numa trajetória difusa
Explode em luz, na escuridão
Percorre a imensidão confusa
Calando-me na solidão.

Ah! pudesse meu grito
Alcançar os teus ouvidos
Repousaria em tempo finito
Na pureza dos teus sentidos.


Carlos Alberto®

(Poesias Românticas)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mulheres que correm com os Lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem...

                     
                   Clarissa Pinkola Estés, analista junguiana e cantadora, isto é, contadora de histórias, mostra neste livro como, a partir de mitos, contos de fadas lendas do folclore e outras histórias escolhidas em 20 anos de pesquisa, a mulher pode se ligar novamente aos atributos saudáveis e instintivos do arquétipo da mulher selvagem. É assim que em La Loba se ensina a função transformadora da psique, Barba-Azul mostra como sarar feridas que parecem não ter cura, a Mulher-Esqueleto revela todo o poder místico de uma relação e como sentimentos aparentemente mortos podem ser revigorados e a Menina dos Fósforos alerta contra os perigos de uma vida desperdiçada em devaneios.
                    Mulheres que correm com os lobos, é a transformação em livro de um trabalho que Estés divulgou primeiro em fita gravada, com grande sucesso, pode criar um novo léxico para a psique feminina. Enriquecedor, ele revela um psicologia da mulher em seu estado mais puro, o de profunda busca do conhecimento da alma.
                   Através da interpretação de 19 lendas e histórias antigas, entre elas de Barba-Azul, Patinho Feio, Sapatinhos Vermelhos e La Llorona, a autora identifica o arquétipo da Mulher Selvagem ou a essência da alma feminina, sua psique instintiva mais profunda. E propõe o resgate desse passado longínquo, como forma de atingir a verdadeira libertação.
                  Técnicas da psicologia junguiana e algumas formas de expressão artística ligadas ao corpo podem ajudar na tarefa, mas a compreensão da natureza dessa mulher selvagem, com todas as características de uma loba, é uma prática para ser exercida ao longo de toda a vida.
                 “Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração... Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o aspecto da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite... Não importa onde estejamos, a sombra que corre de nós tem decididamente quatro patas.” (PREFÁCIO, Clarissa Pinkola Estés, Ph. D., Cheyenne, Wyoming)


- ESTÉS, Clarissa Pinkola, Mulheres que correm com os Lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem, 12ª Edição, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1999.

Rosa, menina rosa que gosta de Sambar!...


Rosa, menina rosa
vem que eu quero ver voce sambar
Rosa, menina rosa
vem que eu quero ver você sambar

me dissram que você menina rosa,
samba demais
e o meu samba vai ficar pra tras

Rosa, menina rosa
vem que eu quero ver voce sambar
Rosa, menina rosa
vem que eu quero ver você sambar

pois o teu samba tem misterio
e gosto de sambar
se você gosta de samba
você vai ter que balançar!...

(Rosa, menina rosa - Céu)

Na Sintonia do Teu Ciúme

Escute essa canção
Que é prá tocar no rádio
No rádio do seu coração
Você me sintoniza
E a gente então se liga
Nessa estação...

Aumenta o seu volume
Que o ciúme
Não tem remédio
Não tem remédio
Não tem remédio não...

E agora assim aqui prá nós
Pelo meu nome não me chama
Você é quem conhece mais
A voz da Mulher
Que te ama...

Deixa eu penetrar
Na tua onda
Deixa eu me deitar
Na tua praia
Que é nesse vai-e-vem
Nesse vai-e-vem
Que a gente se dá bem
Que a gente se atrapalha...

Sintonia - Moraes Moreira)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Retratos de Andaluzia.

Estatura pequena e nítida
das cidades de onde ela era:
daquele justo para o abraço
que é de Cádiz, onde nascera,
e de Sevilha, onde vivia
e se dizia, mas não era:
cidades que ainda se podem
abraçar de uma vez, completas,
e que dão certo estar-se dentro,
àquele que as habita ou versa,
a entrega inteira, feminina,
e sensual ou sexual, de sesta.


(João Cabral de Melo Neto - 1960)

Andaluzia...

Pobre e Bela Andaluzia.
Terra fértil
onde surgiu o Flamenco,
e só aí surgiria.
Como uma obra de engenharia divina,
o homem expressa sua dor
e transforma suas penas em alegria.

(Bolg: Eduardo Ramírez)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Mona Lisa

   
           Assim como A Arte da Guerra, de Sun Tzu, ensina aos guerreiros a vencer os inimigos mais ameaçadores, a bela e enigmática Mona Lisa revela como uma mulher pode alcançar uma imagem eterna. Quando uma mulher atinge o auge de sua vida, que se inicia aos quarenta e cinco anos, somente um inimigo tem o poder de ameaçar sua confiança, roubar sua beleza, fazê-la sentir-se invensível e até mesmo jogar contra ela os prazeres da vida.

Este inimigo é o Tempo.

             A maioria das mulheres sente sua feminilidade morrer quando a juventude se acaba, mas, na verdade, elas podem ficar mais bonitas, experimentarem novos prazeres e realizarem os seus maiores feitos quando atingem idades mais avançadas. Elas pintam ou escrevem, encontram amor incondicional e sexo mais ardente, governam impérios ou se candidatam a novos cargos e, assim, acabam por viver experiências que nunca acreditaram serem possíveis quando eram jovens e atraentes.
             No best-seller Maquiavel para Mulheres, Harriet Rubin define as táticas por meio das quais jovens mulheres em busca do sucesso alcançam o que desejam. Agora, inspirada por uma obra-prima da beleza, do mistério e da imortalidade feminina – a Mona Lisa de Leonardo da Vinci –, a autora revela uma estratégia historicamente comprovada para encontrar a felicidade e a satisfação a partir da meia-idade.
            Falando sobre os ícones femininos históricos, Rubin sistematiza dez táticas que incluem: como ser notada, como criar círculos de influência ao seu redor e como expressar os talentos amadurecidos ao longo de décadas. As mulheres são mais autênticas na maturidade do que em qualquer outra época da vida: elas identificam esferas de estabilidade, criam amores que constantemente se renovam e engajam-se em atividades imunes às forças da decadência e da desintegração. Assim, a Corajosa e a Ingênua se tornam uma só e o Coração Feminino da liderança vence.
            Depois de ler A Estratégia Mona Lisa, as mulheres vão se perguntar: Quem quer ser jovem quando os poderes do amadurecimento são tão significativos? Para todas as mulheres que já passaram dos quarenta e cinco anos e para as jovens que desejam se dar bem no futuro – abram este livro e descubram os segredos que há muito tempo se mantêm escondidos da maioria de nós.
             Harriet Rubin investiga por que as mulheres não conseguiram conquistar mais poder e revela como resolver esse problema, a partir de uma estratégia que combina as táticas do amor e da guerra, sem fazer uso de esquemas obsoletos de agressão, negociação ou concessão. Rubin estimula as mulheres a exercerem seu poder, exigindo antes de mais nada o que elas querem e merecem, sem se conformar com menos, expressando o poder que já existe dentro delas. Com base nas estratégias de grandes mulheres guerreiras da história, Rubin traça uma mistura inédita e excêntrica. A exemplo de "O Príncipe", este tratado chama a atenção das leitoras para que não aceitem menos do que a vitória, trabalha com a intuição em vez da lógica, e provocará paixão e indignação na mesma medida.

• Como uma mulher pode ser brilhantemente e transgressora.

• Ampliar o espaço em que se pode ser forte: esse é o objetivo da princesa, não importa o tipo de guerra.

• Como a mulher pode vencer as guerras da intimidade.

• Insinuar poder. Esse é o segredo da princesa. Esse é o ponto de apoio que faz a estratégia funcionar: a alavanca do poder implícito.

• O amor como estratégia tem por objetivo sustentar o sonho da lutadora, apesar das histórias que falam das diferenças entre sonho e realidade.

• As princesas vivem suas vidas como pessoas para quem o triunfo é um direito nato.

• As princesas expressam seus desejos com o virtuosismo de uma diva, sabem que têm direito a seus anseios, e usam a força deles.

• Cada inimigo é um futuro aliado para uma guerra maior do que ele possa imaginar.

Formada em poesia pela School of the Arts da Columbia University, Harriet Rubin começou no setor editorial como assistente de publicações. Há oito anos, teve a idéia de criar um novo tipo de selo editorial, dedicado à publicação de livros para a elite do poder empresarial. Em uma época em que os livros de negócios tinham títulos e capas medíocres, Rubin inovou ao publicar autores arrojados, que desafiavam o status quo com idéias revolucionárias sobre trabalho, ambição e sucesso. Seu bem-sucedido e diferenciado selo editorial, Currency, floresceu na Doubleday e já publicou autores como Faith Popcorn (de "O Relatório Popcorn", publicado pela Campus), Don Peppers e Martha Rogers, ("Marketing Um a Um", publicado pela Campus), Peter Senge, Max DepPree, Andrew Grove (principal executivo da Intel) e outros autores. Segundo o Wall Street Journal, o selo Currency "revolucionou" a área de livros de negócios.

• Além de suas intensas atividades editoriais Rubin publica artigos no New York Times, Wall Street Journal, Publishers Weekly e várias revistas femininas.



               Meninas compartilho uns paragrafos do livro que estou lendo A Princesa Maquiavel para Mulheres, de Harriet Rubin, com o objetivo de estimuma-las a lê-lo.

               Tudo nasce na guerra afirmou Heraclito. Os bebes nascem em meio a luta.

               As primeiras tulipas da primavera trazem folhas afiadas como facas para conseguir romper a terra semicongelada. Nao e vergonha lutar.

              Nestas paginas voce aprendera como vencer um inimigo que poderia destruir seus sonhos. Vera que pode eliminar obstaculos para chegar a felicidade. Aprendera os meios pelos quais pode conseguir o que quer.

              Nao por afirmacoes categoricas ou agressoes. Nao elevando a voz ou o braco, nao por meios brutais, mas por tornar-se uma presenca de grande autoridade. Aprendera que vencer implica assumir a si mesma. A maioria das mulheres acredita que o caminho para tornar a vida melhor e eliminar as coisas ruins. As princesas acreditam em acrescentar coisas boas a vida. Voce aprendera a arte do poder implicito, cuja expressao reside na estrategia. A chave para a estrategia e compreender o poder dos opostos.

                A primeira lei da princesa é tornar-se uma mulher que harmoniza os opostos.

(FONTE: não lembro)