domingo, 18 de junho de 2017

sábado, 10 de junho de 2017

Crônica duma Breve Viagem: Adorável Lisboa

Na busca da fecunda subjetividade humana, expressa o belo na simplicidade da criação e da realização: a arte... Não, não é uma consciência transcendental... Sim, pode ser uma representação contemplativa... Evito designar uma projeção da verdade; cá o bailado é a presentificação da ideia na consciência de si...

Adiante, com a necessidade de reflexão, a cabeça nas nuvens, o coração sugando o brilho das estrelas, porém com os olhos fixos nos pés firmes nesse chão da mãe-terra que sustenta nossas realizações: é uma saudação à mãe-amada que nos pariu; solo fértil de inesgotável bonança... 

Adorável é a visão da estética que não busca a qualidade do meu desejo... Breve foram os dias gris no teu sagrado chão, do vento suave da tua Torre de Belém, do horizonte melancólico do teu Castelo de São Jorge... Sob o império do Sol, continuei a caminhar, para te conhecer, envolvida num universo de sensações que conduziram a expressão do meu sentir: não ousei invocar as ninfas Tágides do teu rio Tejo; no entanto consegui lembrar do tempo de Camões: ó Lusíadas, da heróica epopéia do Vasco da Gama... Foram gloriosos teus heróis, Don Sebastião... 

Agora, passado e presente se entrelaçam, sobre tua gente contemplativa, relembro o Hino de tantas vitórias: “Sobre a terra, sobre o mar... Desfralda a invicta Bandeira... À luz viva do teu céu! Heróis do mar, nobre povo... Nação valente e imortal, Levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal!”... O hoje - tempo que já designava a percepção de tanta saudade do belo - da tua gótica tardia arquitetura manuelina, dos bancos na praça do chiado ou da praça Luís de Camões, dos históricos monumentos, do intimista sotaque que deu sabor à minha audição; folhas soltas ao vento, leve brisas de tantas sensações... No museu do fado, não consegui ouvi, com Amália Rodrigues, 'o povo que lava no rio', mas, no Mosteiro dos Jerónimos, li o Fernando Pessoa e me senti "Sê toda em cada coisa", entendi o que é pôr quanto és no mínimo que fazes... Assim compreendi a Lua do teu céu, “que em cada lago ela toda brilha, porque alta vive”... 

Subi ao Distrito de Castelo Branco, foi em Covilhã que conheci o cinza do inverno português, mesmo sem conseguir quebrar o gelo, na Serra das Estrelas, me envolvi plenamente com a intensa neve; o clima de lá me fez relembrar o ditado que diz: “o que cá se faz, cá se paga”... Não fui surpreendida por mistérios, no auge do improviso a chuva caiu pra pulverizar todo encanto, na auto estrada, de volta a Lisboa, a 120 por hora, o rádio do automóvel tocou:

“Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade”...

Dois meses passaram-se e tudo isso já continha o panorama generoso das saudosas lembranças das luzes de Lisboa... Etimologicamente a palavra adorável vem do latim: adorabillis, esqueço quem abrilhantou seu poder de seduzir; talvez tenha sido Diderot Lessing, em algum trecho sobre o iluminismo francês, na sua Obras Completas III, isso não importa, ela também se encaixa em mim... Adoravelmente, também esqueço a realidade, em um acordo entre o pensamento e a disposição das recordações, onde a inclinação natural invoca a magia das origens lusitana, e por não saber nominar a especialidade das minhas sensações, repito: a ti, Lisboa, a impressão sempre será adorável... Adorável é a tua expressão de pura arte... Volto pra casa sentindo a ausência da voz do fado, ouço este: 

“É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra...

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi...

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar”...

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Viajante sem Direção...

São olhares sem horizontes, presos ao  deserto das desconstruções, que ferem o prazer de reviver... Mas não existem desespero, não... quando a poesia encontrou um lugar na minha vida, do vazio desabrochou sonhos que sinalizaram um lugar feliz pra viver em paz...

Enfim, nas estradas da liberdade, não existem becos sem saídas, ali a dor não faz morada... Também, ali não precisa dominar as emoções, grito ao vento e sinto a direção de outras pegadas, com a paciência na mente e a gratidão no coração, a alma não segue em vão, não é necessário mudar os ideais pra encontrar outra direção...

Penso que aquilo que não funciona é o medo de perder, e para sempre tentar mais uma vez até fazer tudo acontecer, mas vale lembrar que só aprende o caminho para o futuro quem se perde nas veredas do hoje, assim viver cada segundo para não desperdiçar o que pode ser proveitoso...pois é o movimento quem determina a vitória... 

Aprendi com as canções
que as pedras do caminho
devem ficar sempre para trás,
e que é na certeza das crianças
que os sonhos se concretizam... 

Escapando da incerteza
do desconhecido,
ouço o sol cantar
em todo alvorecer, 
mas se um dia
o sentimento me surpreender, 
viajante me torno
do teu nobre prazer...

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sem Escolha...

Depois de ficar calada
Por não saber escolher
A delicada palavra 
Onde tudo pode acontecer
Ou talvez onde nada pode preceder...

Girei em torno de ti...

Não consegui deixar fluir 
Quando em seguida te despertaram
Para interromper a palavra
Onde o silêncio se fortaleceu
Com o que foi possível aprender
Para te esquecer...

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Imagem Google

terça-feira, 6 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Sem Diálogo...

Não permita que a vida normal
Decida o sentimento
De uma verdade sem conversação...

Mergulha no universo da sensação
Na qual o coração tem o dom
De revelar...

Aproxima-te dos caminhos
Que nos fazem olvidar
A prisão do reviver...

Eu não posso
Mas você vai saber entender...

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domingo, 4 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Um Universo de Gratidão...

Novamente, como um súbito desejo, invade-me uma imensa necessidade de agradecer ao Universo por está me conduzindo nesta enigmática embarcação: a Vida!... Viver, muitas vezes para mim, representou – frente à crise em que, atualmente, se encontra a humanidade, e, em particular, a prática das relações humanas – uma busca constante ao passado... 

Entretanto, tornava-se difícil – para mim – perceber que as angústias e conflitos são então necessários à dialética do existir e que isto não implica deixar de lado o presente para voltar ao passado como refúgio aos conflitos internos... 

Agora é assumir a vida-presente e compreender os fundamentos da existência como contínua superação das tensões entre o meu eu-sujeito e o meu eu-objeto...
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Insano Pensamento...

Tentando fugir da minha própria vida, eis que encontrei uma saída... Não é necessário falar de segredos absolutos, nem mesmo de paixões que impulsionam a arte de viver... 

O tempo essencial é estranho àquilo que chamo de liberdade; daí eu indago: quais são as consequências da falta de responsabilidade com a ética e as políticas de ações que têm como meta proporcionar a felicidade dos entes na pólis?...    
Sem pisar na escura fenda da paisagem
Por mim ainda posso oferecer
E desfrutar
Do despertar de um tempo
Que se reconstrói e nos reinventa...

Sem rancor, sem perdão
Incidirei ao lado teu
Para suplantar o vazio
ancorar a singularidade
No cais eterno da liberdade....

Mesmo que o brilho amargo da vida
Queira sucumbir a felicidade
Sempre haverá a luz da eternidade
Porque a âncora do amor é a pluralidade...

Voando contra os sentimentos da verdade
Presa à sombra da vontade
Permito alcançar-me pelos pensamentos
Que guardam os suspiros da insanidade...

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Imagem Google