terça-feira, 18 de julho de 2017

Em Busca de Refúgio...

Sem modéstia...

Se a divina Providência
Pode me proteger
Que Deus me proteja 
Da subserviência do Estado
E do jogo de forças do mercado...

Afasta-me das inclemências
Vicissitudes do destino...

Socorre-me das infortunas aflições
Impostas pelo poder político...

Ajuda-me a fugir
da insegurança existencial
do espectro da degradação 
e humilhação social...

Clamo a Ti, Senhor, 
o Tempo que passou
e não volta mais...

Tempo em que a competição
Designava minha cota de risco...

E tudo era uma questão de Lei e Ordem
Classificando os sintomas 
Da vulnerabilidade da falta de lógica...

Rogo, ó Deus, pela ausência de sombras
Na eficácia da vigilância que me assegura
Um olhar atento às contradições sistêmicas...

E, assim, solapem os alicerces que sustentam
o Poder que nos transforma em fiéis súditos...

Já que é difícil calcular os constantes perigos
Permita-me uma condição de alerta constante...

Diante dos preconceitos e adversidades da globalização
Ou mesmo que haja uma valorização na diversidade global
Senhor, faz do Brasil meu eterno refúgio!...

*.*.*.*.*.*
Imagem Google

domingo, 9 de julho de 2017

sábado, 8 de julho de 2017

Eu em mim II...

Ainda que falte muito
para eu saber quem sou
já existe uma parte de mim...

Admiradora da vida, 
amante da natureza, 
curiosa de meus sintomas
desconhecidos...

Sempre a procura de liberdade
brinco
é onde renasce a esperança
sou feliz...

Pela ânsia de aperfeiçoamento
no amor, adolescente 
tornei-me mãe
hoje avó...

Leitora por impulso, 
escrevinhadora aprendiz,
professora por convicção....

Pela sede de conhecimento
estudo
E por desejo de amadurecer:
vivo...

Pelo sonho de humanização,
cuidadosa com o Outro...

Em busca de mim, 
sigo sempre em frente...

Por eu não ser um todo: 
eis um pedaço de mim, 
Ínfimo fragmento da paixão...

Eterna aprendiz do viver!...

*.*.*.*.*

sexta-feira, 7 de julho de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sapiens: Uma Breve História da Humanidade

Vamos então ao conciso comentário sobre o livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, ali o autor fala sobre os humanos assim: apenas dois aspectos diferencia o Homo sapiens dos outros animais; e dentre o outro fator, foi através do seu poder de cooperação que o Homo sapiens saiu do continente africano e dominou o mundo, diferentemente dos animais, os seres humanos têm a necessidade de cooperar entre si, por um longo período de tempo, visando um objetivo comum, mesmo que não se conheçam... 

O outro fator preponderante: a capacidade de imaginar, através da imaginação o Homo sapiens é capaz de acreditar em histórias, contos ou mitos, a ponto de tais crenças passar a assumir um papel importante em suas vidas... Basta que alguém conte uma história e outros acreditem para se solidificar uma crença, assim a nossa realidade é construída a partir da imaginação, considerada pelo autor a força mais poderosa dos humanos, permitindo-lhes a viver uma realidade dual... A sobrevivência da realidade objetiva depende da realidade imaginada: da realização de desejos que criamos, e que são transformados em reais... Este é o outro aspecto que nos diferencia dos animais, que vivem uma realidade objetiva... 

Esse livro está sendo considerado inovador, pelo diferente enfoque que o escritor Yuval Noah dar a temas da historia da humanidade, como por exemplo, a revolução agrícola, onde ele expressa aspectos negativos, questionando o fato de que essa mesma revolução aconteceu em diversas partes do planeta ou continentes em tempos totalmente distintos, e não apenas da forma que a história acadêmica demonstra, como um marco da afirmação do sistema econômico da História da Humanidade... Do mesmo modo, ele questiona a própria ideia de revolução, dizendo que o homem, ao domesticar os animais e dominar o cultivo agrícola, na verdade se torna escravo dessa revolução; por mais que o cultivo do milho, por exemplo, tenha se espalhado pelo mundo, o homem foi apenas um instrumento usado para que essa expansão tenha acontecido... Mesmo que essa expansão tenha proporcionado um crescimento na produção de milho, aumento da população ou melhores condições de sobrevivência, foi a partir daí que o homem se submeteu a ser escravo do trabalho e passou a ter maior necessidade contínua de plantar mais para colher mais... 

Resumindo: “o livro aborda a História da Humanidade desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI... Sendo o principal argumento é que o Homo sapiens dominou o mundo porque é o único animal capaz de cooperar de forma flexível em largo número e o faz por ser a única espécie capaz de acreditar em coisas que não existem na natureza e são produtos puramente de sua imaginação, tais como deuses, nações, dinheiro.... O autor afirma que todos os sistemas de cooperação humana em larga escala - incluindo religiões, estruturas políticas, mercados e instituições legais - são, em última instância, produto da imaginação...

Outros argumentos relevantes do livro são os de que dinheiro é um sistema de confiança mútua; o capitalismo é uma religião e não apenas uma teoria econômica; outra ideia inovadora também é a afirmação de que período imperial foi o sistema político mais bem sucedido dos últimos 2000 anos”... Ele finaliza afirmando que o homem atual mesmo sendo mais poderoso que seus ancestrais não está mais feliz e questiona: será que toda revolução produzida pelo homem, toda evolução tecnológica, trouxe-lhe a felicidade ou satisfação?... Será que o homem atual é mais feliz que seus ancestrais ou o agricultor?... Afirma ainda que os humanos estão atualmente em um processo de modernização de seus deuses... Este argumento levou a produção de seu novo livro: “Homo Deus - Uma Breve História do Amanhã”...

*.*.*.*.*
Pintura rupestre - Período Lítico

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma Concisa Memória Huni Kuin...

Folheando o livro, “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, desfrutei alguns momentos de quando tive o privilégio de andar pelas Terra Indígenas... Foram momentos inesquecíveis dos quais a fome me levava a caçar macaco... Lembrei-me que a riqueza maior foram as excêntricas conversas com os Sábios da Floresta... Com eles, aprendi que nosso maior erro (dos brancos ou dos cara-pálidas humanos) está na raiz da civilização (um tanto difícil de ser corrigido ou ser comentado); também, com eles aprendi a questionar a antropologia brasileira... 

Não, não é ironia, não, pois com alguns pajés e outros lideranças descobri que as pesquisas em Terras Indígenas feitas por alguns antropólogos eram tão inúteis quanto a ciência estudada por eles... Foi quando me propuseram uma nova forma de fazer pesquisa científica; já que, segundo eles, a nossa civilização estava toda errada: nossos modos de educação escolar, educar os filhos ou de organização social e política; consequentemente as pesquisas sociais e cultuais não tinham relevância enquanto ciências sociais que soluciona problemas do caos social da atualidade... Erros estes que eles lutavam para não serem influenciados; levando em consideração nossa forma impositora de agir... Mas é claro que eram ideias de um pensamento inovador, porém que jamais seriam aceitas pela academia brasileira, ou que eles pudessem sustentar por muito tempo... 

Por outro lado, eu não queria ser mais uma usurpadora da propriedade intelectual indígena, pois houve um período (quando acompanhei o Movimento Indígena) em que lideranças e militantes indígenas, descontentes com a forma como os conhecimentos de produção tradicional podem ser reproduzidos ou copiados no mercado cultural brasileiro e internacional, sem necessidade de autorização ou pagamento de direitos autorais, lutavam para mudar a Lei de Direitos Autorais; já que esta Lei só reconhece apenas o autor individual; pois o que é coletivo é considerado de domínio público... É aí que a cultura e o conhecimento indígena satisfaz e engrandece todo aquele que se apropria desse conhecimento, sem dar nenhum retorno às comunidades indígenas... Bem, é só pra dizer: já não se ver lideranças indígenas como antigamente... No entanto os apropriadores dos conhecimentos tradicionais só aumentam a cada dia; travestidos de todas as formas...

Enfim, agora lendo o livro, do Yuval Noah Harari, um professor e historiador israelense, “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, voltei a desfrutar daqueles momentos como se fossem os melhores para aprender novos valores sobre a huamanidade, e lembrei das ideias inovadoras que, pelas Aldeias do Acre, tive o prazer de ouvir e conhecer... Depois tentarei fazer, superficialmente, uma comparação entre o pensamento dos Sábios Huni Kuin com conteúdo do pensamento do escritor Yuval Noah Hararium...  Recordando que toda conversa com os sábios da floresta é um intenso ensinamento... Com eles aprendemos que as  respostas para muitas indagações existencialistas estão na Natureza: é no voo e no canto dos pássaros, na força dos rios, nas cores das plantas e das árvores, no sol, na lua e nas estrelas, no movimentos dos animais que encontramos a explicação para a existência da humanidade no passado, presente e futuro... Afinal, o que nos conta o livro?... Ainda não li o suficiente para expor um comentário apurado sobre as ideias centrais, mas dar para apresentar uma exígua formulação no próximo texto... 

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terça-feira, 4 de julho de 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Tratado sobre a Inveja IV: Ponte Benévola!

Por fim, para encerrar as reflexões sobre a inveja do texto inspirador, acrescento que em nenhum momento percebi a inveja como um vício maléfico, cuja moral desclassifica o invejoso, ou como a autora diz: “A inveja cria um abismo entre o invejoso e o invejado: o sucesso do segundo é o fracasso do primeiro, porque a inveja é inimiga da paz de espírito e comparsa da solidão”... Concordo que a inveja cria um vazio e submete o invejoso ao isolamento, mas a própria inveja pode construir uma ponte  entre o invejoso e aquilo o qual ele almeja alcançar com sua inveja.... 

Por conseguinte, não acredito que o sucesso do invejado seja o fracasso do invejoso; pelo contrario: o invejoso, através do sucesso do invejado, constrói seus degraus em busca do sucesso também; sobretudo quando esse sentimento foi o instrumento impulsionador para o movimento natural de recriação da persona humana; ou até mesmo foi parâmetro para o aperfeiçoamento profissional, para uma mudança de hábitos ou comportamento, assim pode ser que: o fracasso do invejado transforma-se no sucesso do invejoso... Deu pra perceber que uma pitada de inveja não faz mal a ninguém?... 


Felizmente ou infelizmente, não existe uma resposta única à questão benévola da inveja, porque são várias as propostas de identificação da ponte benéfica entre invejado e invejoso... A seguir destacarei mais um exemplo; para, finalmente, concluir esta exposição de ideia apresentando minha inveja, ou um pouco daquilo que sinto inveja em ti; e como essa inveja vem proporcionando uma mudança de atitude em nós... Acima de tudo, te proponho uma viagem sobre a forma que nós tecemos nossos textos, sinto-me na obrigação de esclarecer mais uma vez essa diferença, pois o modo que tu expõe tuas críticas levam-me a crer que sejam os resquícios de tua inveja... 

Amiúde, toda escrita se concretiza através de um texto, do latim textum que significa entrelaçamento; esse entrelaçamento pode ser tecido através da linguagem simbólica e conotativa ou da linguagem conceitual e denotativa... Costumo optar pela primeira linguagem, pois é um desejo meu de aprender expressar emoção, amabilidade e afeto, isto por meio de metáforas, onde todo significado fica implícito; logo a segunda linguagem, esta que está te levando ao sucesso, parece mais um enumerado de frases ou uma sequência de orações, com ausência de analogia, sem sentimento, sem emoção... É por meio desse entrelaçamento que explicitamos nossas experiências, forjamos sentimentos, trilhamos longas estradas, construimos mundo, expomos o aroma da flora e damos voz à fauna; e o olho do leitor só avista o horizonte que limita suas experiências: sua interpretação é do tamanho de sua imaginação... Enfim, invejo essa tua capacidade de ser tão explícita, tão realista e positivista através da tua icástica escrita, no entanto teu óbvio não me seduz... Afinal, uma parte de ti sempre foi sucesso, a tua outra parte toda inveja... E eu cá querendo aprender a dominar a linguagem conceitual, para ver se faço sucesso também... Fundamentalmente, nossas linguagens agregam os termos que nos distinguem: será arte?...

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A Ponte - Pintura de J. Fernando

domingo, 2 de julho de 2017

Tratado sobre Inveja III: Uma Luz na Alma...

No texto anterior, apenas tentei demonstrar que a intolerância, enquanto reflexo do acerbado etnocentrismo, sempre foi um grande mal; diferente da inveja um mal individual e subjetivo, que pode ser transformado em benefício próprio quando se tem consciência daquilo que invejo no Outro (logo direi como se transforma a inveja em algo benévolo)...

Portanto sejamos tolerante com a inveja do Outro; ou sejamos etnocêntrico, mas com aquele grupo ou pessoa que causa a desordem pública, violência ao Outro, porém não sejamos intolerantes de modo a não merecer a tolerância... Perdoa-me por tanta conotação, que demarca a minha linguagem coloquial e simbólica, pois eu tenho inveja de tua capacidade denotativa e descritiva, que deixam tua linguagem tão realista... Bem, a seguir veremos a inveja ser transformada num Bem maior... E o que eu sinto inveja em ti?... Logo direi!... 

Sim, a inveja desfaz amizades, condiciona comportamento, proporciona angústia naquele que inveja, deixa perplexo àquele que é invejado; acredito também que existe um vazio muito grande no invejoso; porém, vazio este que pode ser preenchido, por isso vou concordar e discordar de alguns trechos do texto que me inspirou no Tratado sobre a Inveja... 

Ao contrário do texto inspirador -, onde diz: “Inveja branca?... Nunca entendi direito o que é isso, apesar de dizerem que é uma inveja do bem, não consigo ver nenhuma benevolência nesse sentimento” – eu consigo ver benevolência na inveja... Isto quando esse sentimento cria mecanismos e ferramentas efetivas para a resolução de questões que o invejado e nem o invejoso conheciam até o momento do ato da inveja... E quais seriam tais mecanismos impulsionadores da benevolência?... 

A própria autora do texto inspirador responde, quando relata que a felicidade alheia lhe causava inveja e o sofrimento causado por tal sentimento foi necessário para uma profunda transformação: “Após tropeções, choros e ressacas, finalmente percebi que o problema não era a felicidade alheia (...) 'as repostas para suas perguntas sempre estiveram perto de seus olhos internos, à espera da sua coragem de mudar'... Quando aprendemos a olhar com mais atenção o vazio que surge, indiferente à nossa vontade, compreendemos o que nos falta e suportamos a dor que nos distancia dos outros e de nós mesmos... Também perdoamos mágoas e culpas que nos prendem aos sentimentos mais lúgubres da alma... De encontro à nossa própria luz, deixamos de viver na escuridão da inveja"... Penso que os critérios que estabelecem a benevolência da inveja ficarão mais explícitos no próximo texto... 

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Mulher lendo - Pintura de Gabriel Picart

sábado, 1 de julho de 2017

Tratado sobre Inveja II: Tolerar é Necessário!

Creio que já esbocei no texto anterior em relação nossa necessidade de conhecimento sobre a verdade para sermos tolerantes... E quem vai nos ensinar a urgência da tolerância é o grande Iluminista Voltaire... 

No capítulo X, "Do Perigo das Falsas Lendas e da Perseguição”, ele inicia falando sobre a necessidade de se conhecer a verdade para desconstruir nossas falsas crenças: “A mentira já dominou demasiado tempo os homens; é tempo que se conheça o pouco de verdades que podemos deslindar através dessas nuvens de fábulas que pairam (...) sobre a História Romana e que quase sempre envolveram os anais das outras nações antigas... Por exemplo, como é que se pode acreditar que os romanos, esse povo grave e severo, de quem herdamos as nossas leis, tenham condenado virgens cristãs, raparigas de qualidade, à prostituição?... É conhecer bem mal a austera dignidade dos nossos legisladores que puniam com tanta severidade as fraquezas das vestais"... 

Aí ele nos chamou atenção para uma possibilidade de convivência pacífica entre seres humanos diferentes e divergentes, mas que se relacionam entre si... Esse foi um tempo de extremo etnocentrismo, onde a intolerância era a promotora de guerras e perseguições... E quais seriam os princípios legais ao que levou Nero perseguir os cristãos?, não acredito que seria por pura inveja... A parti daqui seguirei a ideia de tolerância descrita por Voltaire: “Proponho, assim, que todo cidadão seja livre para seguir sua própria razão e para acreditar no que quer sua razão iluminada ou iludida acredita... Certamente, desde que não perturbe a ordem pública… Assim, os homens devem evitar o fanatismo de modo a merecer a tolerância”... Mais detalhes no próximo texto...

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À luz de velas – Pintura de Mathias Stomer...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Tratado sobre a Inveja...

Depois de ler um texto sobre uma tal “inveja branca”, senti um imenso desejo de esboçar minha opinião sobre a Inveja, que pode ser considerada “branca e preta, sem preconceito de raça ou religião; mas claro que será para contrariar a autora do texto citado... E por que seria uma ideia contrária àquela que li?... 

Primeiramente, porque, assim como a autora do texto que considerou ter sido um dia invejosa, eu fui, sou e sempre serei uma invejosa; segundo, porque não considero a inveja um mal nocivo à saúde do invejado nem do invejoso, muito menos um mal que cause uma desordem nas sociedades humanas... Pelo contrário, uma pitada de inveja é necessária para que possamos superar nossos limites... Ao logo do texto, esclarecerei os motivos pelos quais me fizeram pensar que a inveja é o mal necessário... 

A delonga cá será necessária, pois, ao esboçar uma opinião sobre os benefícios da inveja, terei que falar sobre a inveja que sinto; também terei que expressar nossa necessidade de ser tolerantes em todas as circunstâncias nos caminhos da vida... E para falar de intolerância lembrei do “Tratado sobre a Tolerância”, de Voltaire... De acordo com os estudiosos deste Pensador, obra esta onde ele trava um combate pela liberdade e sobre a intolerância fanática religiosa, e dada a nossa realidade, é uma lição universal do século XVII que vale para os nossos dias atuais... Vamos aos ensinamentos dos iluministas?, vamos "mermo"!, mas somente na próxima semana, pois um tempo será importante para te entender ou interpretar os 3 parágrafos acima...

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Alice in Wonderland - Pintura de George Dunlop Leslie...

domingo, 18 de junho de 2017

sábado, 10 de junho de 2017

Crônica duma Breve Viagem: Adorável Lisboa

Na busca da fecunda subjetividade humana, expressa o belo na simplicidade da criação e da realização: a arte... Não, não é uma consciência transcendental... Sim, pode ser uma representação contemplativa... Evito designar uma projeção da verdade; cá o bailado é a presentificação da ideia na consciência de si...

Adiante, com a necessidade de reflexão, a cabeça nas nuvens, o coração sugando o brilho das estrelas, porém com os olhos fixos nos pés firmes nesse chão da mãe-terra que sustenta nossas realizações: é uma saudação à mãe-amada que nos pariu; solo fértil de inesgotável bonança... 

Adorável é a visão da estética que não busca a qualidade do meu desejo... Breve foram os dias gris no teu sagrado chão, do vento suave da tua Torre de Belém, do horizonte melancólico do teu Castelo de São Jorge... Sob o império do Sol, continuei a caminhar, para te conhecer, envolvida num universo de sensações que conduziram a expressão do meu sentir: não ousei invocar as ninfas Tágides do teu rio Tejo; no entanto consegui lembrar do tempo de Camões: ó Lusíadas, da heróica epopéia do Vasco da Gama... Foram gloriosos teus heróis, Don Sebastião... 

Agora, passado e presente se entrelaçam, sobre tua gente contemplativa, relembro o Hino de tantas vitórias: “Sobre a terra, sobre o mar... Desfralda a invicta Bandeira... À luz viva do teu céu! Heróis do mar, nobre povo... Nação valente e imortal, Levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal!”... O hoje - tempo que já designava a percepção de tanta saudade do belo - da tua gótica tardia arquitetura manuelina, dos bancos na praça do chiado ou da praça Luís de Camões, dos históricos monumentos, do intimista sotaque que deu sabor à minha audição; folhas soltas ao vento, leve brisas de tantas sensações... No museu do fado, não consegui ouvi, com Amália Rodrigues, 'o povo que lava no rio', mas, no Mosteiro dos Jerónimos, li o Fernando Pessoa e me senti "Sê toda em cada coisa", entendi o que é pôr quanto és no mínimo que fazes... Assim compreendi a Lua do teu céu, “que em cada lago ela toda brilha, porque alta vive”... 

Subi ao Distrito de Castelo Branco, foi em Covilhã que conheci o cinza do inverno português, mesmo sem conseguir quebrar o gelo, na Serra das Estrelas, me envolvi plenamente com a intensa neve; o clima de lá me fez relembrar o ditado que diz: “o que cá se faz, cá se paga”... Não fui surpreendida por mistérios, no auge do improviso a chuva caiu pra pulverizar todo encanto, na auto estrada, de volta a Lisboa, a 120 por hora, o rádio do automóvel tocou:

“Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade”...

Dois meses passaram-se e tudo isso já continha o panorama generoso das saudosas lembranças das luzes de Lisboa... Etimologicamente a palavra adorável vem do latim: adorabillis, esqueço quem abrilhantou seu poder de seduzir; talvez tenha sido Diderot Lessing, em algum trecho sobre o iluminismo francês, na sua Obras Completas III, isso não importa, ela também se encaixa em mim... Adoravelmente, também esqueço a realidade, em um acordo entre o pensamento e a disposição das recordações, onde a inclinação natural invoca a magia das origens lusitana, e por não saber nominar a especialidade das minhas sensações, repito: a ti, Lisboa, a impressão sempre será adorável... Adorável é a tua expressão de pura arte... Volto pra casa sentindo a ausência da voz do fado, ouço este: 

“É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra...

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi...

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar”...

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Viajante sem Direção...

São olhares sem horizontes, presos ao  deserto das desconstruções, que ferem o prazer de reviver... Mas não existem desespero, não... quando a poesia encontrou um lugar na minha vida, do vazio desabrochou sonhos que sinalizaram um lugar feliz pra viver em paz...

Enfim, nas estradas da liberdade, não existem becos sem saídas, ali a dor não faz morada... Também, ali não precisa dominar as emoções, grito ao vento e sinto a direção de outras pegadas, com a paciência na mente e a gratidão no coração, a alma não segue em vão, não é necessário mudar os ideais pra encontrar outra direção...

Penso que aquilo que não funciona é o medo de perder, e para sempre tentar mais uma vez até fazer tudo acontecer, mas vale lembrar que só aprende o caminho para o futuro quem se perde nas veredas do hoje, assim viver cada segundo para não desperdiçar o que pode ser proveitoso...pois é o movimento quem determina a vitória... 

Aprendi com as canções
que as pedras do caminho
devem ficar sempre para trás,
e que é na certeza das crianças
que os sonhos se concretizam... 

Escapando da incerteza
do desconhecido,
ouço o sol cantar
em todo alvorecer, 
mas se um dia
o sentimento me surpreender, 
viajante me torno
do teu nobre prazer...

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Imagem google
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sem Escolha...

Depois de ficar calada
Por não saber escolher
A delicada palavra 
Onde tudo pode acontecer
Ou talvez onde nada pode preceder...

Girei em torno de ti...

Não consegui deixar fluir 
Quando em seguida te despertaram
Para interromper a palavra
Onde o silêncio se fortaleceu
Com o que foi possível aprender
Para te esquecer...

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Imagem Google

terça-feira, 6 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Sem Diálogo...

Não permita que a vida normal
Decida o sentimento
De uma verdade sem conversação...

Mergulha no universo da sensação
Na qual o coração tem o dom
De revelar...

Aproxima-te dos caminhos
Que nos fazem olvidar
A prisão do reviver...

Eu não posso
Mas você vai saber entender...

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domingo, 4 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Um Universo de Gratidão...

Novamente, como um súbito desejo, invade-me uma imensa necessidade de agradecer ao Universo por está me conduzindo nesta enigmática embarcação: a Vida!... Viver, muitas vezes para mim, representou – frente à crise em que, atualmente, se encontra a humanidade, e, em particular, a prática das relações humanas – uma busca constante ao passado... 

Entretanto, tornava-se difícil – para mim – perceber que as angústias e conflitos são então necessários à dialética do existir e que isto não implica deixar de lado o presente para voltar ao passado como refúgio aos conflitos internos... 

Agora é assumir a vida-presente e compreender os fundamentos da existência como contínua superação das tensões entre o meu eu-sujeito e o meu eu-objeto...
*.*.*.*.*

sexta-feira, 2 de junho de 2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Insano Pensamento...

Tentando fugir da minha própria vida, eis que encontrei uma saída... Não é necessário falar de segredos absolutos, nem mesmo de paixões que impulsionam a arte de viver... 

O tempo essencial é estranho àquilo que chamo de liberdade; daí eu indago: quais são as consequências da falta de responsabilidade com a ética e as políticas de ações que têm como meta proporcionar a felicidade dos entes na pólis?...    
Sem pisar na escura fenda da paisagem
Por mim ainda posso oferecer
E desfrutar
Do despertar de um tempo
Que se reconstrói e nos reinventa...

Sem rancor, sem perdão
Incidirei ao lado teu
Para suplantar o vazio
ancorar a singularidade
No cais eterno da liberdade....

Mesmo que o brilho amargo da vida
Queira sucumbir a felicidade
Sempre haverá a luz da eternidade
Porque a âncora do amor é a pluralidade...

Voando contra os sentimentos da verdade
Presa à sombra da vontade
Permito alcançar-me pelos pensamentos
Que guardam os suspiros da insanidade...

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Imagem Google

quinta-feira, 18 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

Zamba de amor en vuelo...



Aguda Fragilidade...

Por que meu coração dilacerado arde na saudade?...

Faço disso prantos da fragilidade
E estremeço na ansiedade 
De uma intensa ausência da verdade...

Em um instante afluente de vontade
Sigo a densidade do rio da serenidade...

Estou indo, aspiro a melancolia da tranquilidade 
Pois quando ouço a flauta sonora
Do prelúdio da saudade
Sinto a sensação de um interlúdio solar 
Nas sombrias horas interlunar...

Mas quem suspeita do teu olhar na escuridão?....

Desenhos no deserto de sonhar
Desfiguram a porta aberta de além-mar!...

*.*.*.*.*
Imagem Google

terça-feira, 9 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

domingo, 7 de maio de 2017

Suave Turbulência...

Para além dessa sensação sideral
e essa condição de constelação infinita
nesse estado de alfa e ômega
sem princípio e sem fim
vivo em ti...

Mesmo que a velocidade 
dos ventos da mais alta altitude
possibilite a mais severa turbulência
viverei em ti
num profundo relaxamento...

Na invisibilidade dos mistérios
de céu claro
estarei à espreitar-te envolvida 
nas mais densas correntezas de jato...

Por entre qualquer distância 
de um plano equatorial
estarei em ti 
em qualquer latitude...

E por entre a mais veloz velocidade
escondida no ar mais turbulento
viverei em ti
num profundo relaxamento...

*.*.*.*.*
Pintura: Rob Hefferan

sábado, 6 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A Magia do Prazer...

Sentas, me faz perceber
Que a tristeza já vai passar...

E que tua intenção
É incitar a magia
Do beijo atrevido
Que absorve ardentemente
O ímpeto de se apaixonar...

Não deixas pra amanhã
Esse prazer cheio do sutil sabor
Do desejo de amar...

Deixas a amizade selar a bondade
Do amor sem demora
Que invade essa paixão...

Em ti a beleza está destinada
A ostentar prazer...

*.*.*.*.*
Pintura Rob Hefferan

quinta-feira, 4 de maio de 2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Saudade...

O tempo deságua sem mágoa
Só a saudade se fixa sem trégua
Veio uma brisa a suavizar meu riso
Caminho nela para marcar o dia
Nada me segue, nada me guia
Nada me detém, tudo me divide...
 
E por não saber reconhecer tua voz
Na imensidão 
Desconstruí a memória...

Às vezes sento à beira da estrada
Ouço os sussurros
De quem outrora já passou
E, sob o amparo do orvalho da relva,
Me desmorono
Por entre as pétalas soltas
Na penumbra da lânguida nostalgia...

Saudade que se acomoda...

*.*.*.*.*
Imagem Google

terça-feira, 2 de maio de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Silêncio das Palavras...

Palavras que gritam
E agitam a alma...

É beijo de fuga
Saída pra vida...

Abraços aflitos
Partida sem despedida...

Deixa o coração falar
Tudo aquilo que as palavras
Só sabem silenciar...

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Imagem Google

domingo, 30 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Indefinição...

Sabes o que mais me fascina em ti?...
É a tênue semelhança entre o brilho do teu olhar
e os mistérios que existem por trás
da sagrada escuridão das noites sem luar...

Fico assim perplexa 
ao ser levada pelos vestígios do desejo
que contorna a fragilidade do teu corpo...

Vejo a espuma que constitui a delicadeza de teu ser
esvaindo-se enrolada em minhas mãos
como quando, tantas vezes, tento segurar a chuva
ao se dissipar por entre meus dedos
exalando a falta que faz tua filoginia...

Aprendi com a ternura de teus gestos
a satisfazer o gosto de saborear teu toque
se esvanecendo como as gotas de água
que evaporam escorrendo pelas ruas...

E no instante
onde a sinfonia silenciosa da noite
sussurra os segredos sidéreos da tua alma
pairo ao desvendar
os mistérios do teu olhar...

*.*.*.*.*

segunda-feira, 10 de abril de 2017

domingo, 9 de abril de 2017

Na Memória da Pele...

Passei por toda gente
a não acreditar naquilo
que a palavra pode ensinar...

Mas foi possível sentir a solicitude
que vem do silêncio de saber
sobre a história colada
na parede da memória...

Canções que revelam
um tempo que jamais passará...

Dores, espera – aqui ficarei...

*.*.*.*.*

sábado, 8 de abril de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O Amor na Literatura....

Por vezes nem sempre conseguimos expressar de forma simples e direta nossos sentimentos, no entanto existem aqueles sentimentos que expressamos através da ficção, e, em outro momento, também expressamos através da escrita verdadeira... Mesmo sendo um tema atemporal e universal, através da literatura, o amor pode ser compreendido em 4 facetas, que, de certa forma, deixaram suas influências no processo civilizatório, onde os seres humanos menos atentos, inconscientemente, reproduzem em suas relações sócio-afetiva...  Eis a seguir um breve resumo:

1 - O Amor Barroco...

... "Para os íntimos, barrocão!... Época em que a Contrarreforma estava no seu ápice e muitos fiéis passaram a desconfiar da doutrina católica... Mediante a esse período, o homem estava dividido entre os valores morais impostos pela Igreja e pelo amor carnal à mulher desejada, ao sensualismo, que consequentemente resultaria em pensamentos impróprios e sentimento de culpa cristã... Logo, basicamente, a temática amorosa dentro do barroco aborda a dualidade de pensamentos do homem, não somente ligadas ao conflito de fé e razão, nas também à oposição do mundo material e espiritual...

2 - O Amor Árcade...

Já no Arcadismo, o tema aparece de maneira mais simples e suave... Amar já não era mais visto como um pecado do homem... O arcadismo combatia as influências do barroco e resgatava elementos da cultura greco-latina... Ah, pode-se perceber também um convencionalismo amoroso... Ou seja, os poetas (grande maioria) não estavam preocupados em expressar seus reais sentimentos, mas em seguir o modelo da poesia clássica... Sim, em alguns poemas há sinais de idealização amorosa e neoplatonismo, mas nada que torne isto o grande destaque do movimento... Revisando: A natureza sempre vinha como plano de fundo, evasão imaginária dos problemas e sentimentos bucólicos...

3. O Amor no Romantismo...

Em um primeiro momento, tem-se o alto sentimento nacionalista, que não deixa de ser também, amor à pátria...

Mas o grande foco na 2ª Geração Romântica é a alta idealização amorosa, a ‘quebra de barreiras’ para amar, a linguagem subjetiva, ultra-romântica... Para vocês entenderem: é tanto amor, que mesmo que você diga “Chega!”, a pessoa vai te amar mais e mais...

Importante dizer que a amada nem desconfiava dos sentimentos do cara. E junto a essa geração, muitos jovens (que não tinham interesse algum na vida político-social) voltavam-se para si mesmos, numa atitude altamente pessimista... Ao mesmo tempo que o eu lírico amava, tinha medo do contato real com a amada – muitos eram tão intensos, que em suas poesias vemos a espera do eu lírico à morte, à tortura de nunca ter sido correspondido...

4 - O Amor Realista...

Aqui, aquele alto nível de sentimentalismo exacerbado visto no Romantismo é cortado pela raiz... O Realismo incorpora uma linguagem objetiva, e inverte os valores impostos de “mulher perfeita”... Há uma análise crítica sobre a relação conjugal. Sim, existem casamentos fracassados, mulheres infelizes e insatisfeitas, com defeitos e qualidades... O amor, muitas vezes no contexto realista, é visto com deboche. Em especial, apresenta uma nova versão da mulher que ainda não havia sido posta em foco no mundo literário: a mulher que trai, o casamento por interesse, o convívio dentro do lar e uma análise psicológica dos personagens da trama"...

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Imagem Google...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Suave Toque...

Do céu ao chão
teu olhar lento
em gestos firmes
sinalizou
ao queimar minha pele
um suave contato 
para sorver a sensação
de saciar o desejo
que exalou teu corpo
ao me tocar...

E num breve segundo
tudo chegou ao fim...

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Imagem Google...